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Blusinhas livres, mercado em guerra: o novo capítulo da moda online

Por Redação 13 de maio de 2026 6 min de leitura


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A revogação da “taxa das blusinhas”, que eliminou a cobrança de 20% de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, vai aumentar a competição entre as principais varejistas de moda do Brasil, como C&A, Renner e Riachuelo e as plataformas asiáticas.

O governo justificou a medida como uma forma de aliviar a pressão sobre consumidores de baixa renda e estimular o consumo.

No entanto, o mercado financeiro reagiu negativamente, com quedas nas ações das varejistas. Analistas do BTG Pactual alertam que a revogação pode aumentar a assimetria competitiva entre as redes locais e plataformas asiáticas, como Shein e Shopee.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil expressou preocupação com a medida, afirmando que ela prejudica a indústria nacional, enquanto a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia celebrou a decisão, argumentando que contribui para a democratização do consumo.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A “taxa das blusinhas” chegou ao fim. E já gerou uma guerra com as principais varejistas de moda nacional. Medida provisória assinada na noite de terça-feira, 12 de maio, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva revogou a cobrança da alíquota de 20% do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

Iniciativa tomada a menos de seis meses da eleição presidencial, o governo alega que a medida buscar aliviar a pressão sobre consumidores de baixa renda e estimular o consumo no país, justamente em um cenário macroeconômico desafiador. Mas foi o próprio governo Lula que estabeleceu a cobrança, que entrou em vigor em agosto de 2024.

O mercado financeiro reagiu de forma negativa ao anúncio e o impacto foi direto nas ações das companhias do setor. Por volta de 12h30, os papeis da C&A na B3 acumulavam perda de 1%. No mesmo horário, as ações da Riachuelo caíam 0,8%, e da Renner, tinham desvalorização de 0,7%.

Analistas do BTG Pactual avaliam que a revogação da cobrança reabre, de forma expressiva, o debate sobre a assimetria tributária e competitiva entre as redes locais de varejo de moda e as plataformas asiáticas, como Shopee, Shein e Temu.

Antes da cobrança, as encomendas de produtos de valor baixo vindos do exterior superavam a marca de 18 milhões de remessas por mês que entravam no Brasil. Assim que a taxa entrou em vigor, o volume caiu para cerca de 11 milhões, ainda em 2024. Mas as plataformas se recuperaram, e as vendas alcançaram 15 milhões por mês.

“Acreditamos que a retirada da tarifa pode voltar a acelerar a penetração dessas plataformas, especialmente nos segmentos de vestuário, acessórios, beleza e itens para o lar”, diz relatório assinado pelos analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon.

“Diferença de preços pode voltar a aumentar, apesar da melhora operacional dos varejistas locais. Do ponto de vista de preços, a reversão da medida provavelmente restabelece parte da vantagem estrutural historicamente desfrutada pelos players cross-border”, complementa o documento do BTG Pactual.

Na visão do banco, ainda que estas plataformas asiáticas enfrentem desafios no Brasil, principalmente relacionados à complexidade logística, volatilidade cambial e prazo de entrega, as empresas nacionais ficarão mais expostas ao consumidor de média e baixa renda, a partir de uma competição mais dura e com menor poder de precificação.

Esssa dinâmica, segundo os analistas, vai permanecer relevante justamente para Renner, C&A e Riachuelo. Pesquisa recente feita pelo BTG mostra que, em uma cesta de oitos produtos, a Shein vende 6% mais barato que a Riachuelo, 10% a menos que a Renner, e 13% abaixo do valor da C&A.

Por outro lado, a diferença diminuiu ao longo dos meses, a partir de iniciativas mais focadas das empresas brasileiras, como em abastecimento, alocação de estoques e arquitetura de preços.

“Em outras palavras, embora o ambiente competitivo possa voltar a se intensificar, os players locais parecem operacionalmente mais preparados do que estavam durante o pico da disrupção em 2023–2024”, afirma o relatório do banco.

O principal debate agora, na avaliação dos analistas, passa a ser se os players locais conseguirão sustentar os avanços em disciplina de margem bruta e qualidade dos estoques, ao mesmo tempo em que enfrentam uma nova pressão renovada sobre preços e market share, justamente em um ambiente mais agressivo.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) manifestou preocupação com a medida e repudiou a decisão anunciada pelo governo federal. Segundo a entidade, a revogação penaliza as empresas que investem e empregam trabalhadores no Brasil.

“Em vez de fortalecer a indústria nacional, o varejo formal, os empregos e a arrecadação do País, a medida amplia ainda mais a desigualdade tributária e regulatória entre as empresas brasileiras e as plataformas internacionais”, afirma a Abit. “Trata-se de um tratamento desigual, danoso à indústria e ao varejo nacionais.”

Na outra ponta, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que tem Shein e Alibaba Group como associados, celebrou a revogação da taxa das blusinhas. Na avaliação da entidade, o fim da cobrança contribui para “democratização do consumo”.

“Como vários estudos demonstraram, a tributação foi extremamente regressiva, reduzindo o poder de compra principalmente das classes C, D e E. Além disso, a “taxa das blusinhas” não cumpriu a promessa de gerar mais empregos ou aumentar a renda no varejo nacional”, afirma a Amobitec.

Em 2026, as ações da Renner acumulam valorização de 1,4%. Já a C&A registra queda de 12,7% no período, e a Riachuelo, desvalorização de 10%.

O valor de mercado da Renner é de R$ 13,7 bilhões. A C&A vale R$ 3,3 bilhões, e a Riachuelo, R$ 4,2 bilhões.



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Redação

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