Honda tem primeiro prejuízo em quase 70 anos pressionada custos de carros elétricos
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A Honda registrou seu primeiro prejuízo anual em quase 70 anos, com perdas de 423,9 bilhões de ienes (US$ 2,7 bilhões) no ano fiscal encerrado em março. A montadora atribuiu esse resultado negativo principalmente aos altos custos relacionados à sua estratégia em carros elétricos e às políticas do governo dos EUA, que impactaram a venda de veículos elétricos.
A empresa projetou perdas de 2,5 trilhões de ienes (US$ 16 bilhões) para o segmento elétrico. Em resposta, a Honda anunciou o fim da produção de alguns modelos e a suspensão de uma joint venture com a Sony, focando em veículos híbridos. As vendas na China caíram mais da metade nos últimos cinco anos, intensificando a pressão sobre a montadora.
Apesar disso, a divisão de motocicletas teve um desempenho positivo, contribuindo para uma receita total de 21,7 trilhões de ienes (US$ 138 bilhões). A Honda espera um lucro líquido de 260 bilhões de ienes (US$ 1,6 bilhão) no próximo ano fiscal.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Em dezembro de 1957, nove anos depois de iniciar suas operações, a Honda engatou a marcha para abrir capital na Bolsa de Valores de Tóquio. E, desde então, seu trajeto como empresa listada teve, invariavelmente, um destino: as últimas linhas do balanço tingidas de azul.
Esse trajeto sem sobressaltos de quase 70 anos foi interrompido, porém, nesta quinta-feira, 14 de maio, quando a montadora japonesa reportou o primeiro prejuízo anual de sua história como companhia de capital aberto, de 423,9 bilhões de ienes (US$ 2,7 bilhões), no ano fiscal encerrado em 31 de março.
Em linha com um argumento que vem sendo usado por boa parte dos seus pares no setor, a Honda ressaltou que a categoria de carros elétricos foi a grande vilã por trás do roteiro que levou a esse resultado deficitário.
Nessa direção, a companhia destacou componentes como os custos elevados trazidos por sua estratégia nessa corrida, além de fatores como as políticas do governo dos Estados Unidos, que incluíram questões como a imposição de tarifas e a eliminação de incentivos fiscais para a compra de veículos elétricos.
A partir desse cenário, a montadora já havia projetado em março desse ano que as perdas relacionadas às suas operações nesse segmento seriam de 2,5 trilhões de ienes (US$ 16 bilhões), levando-se em conta o ano fiscal que acaba de ser concluído e o exercício atual.
Na época, a Honda começou a recalcular esse roteiro, ao anunciar o fim da produção de diversos modelos. Entre eles, o Honda Série O SUV, que havia sido apresentado no fim de 2025, com a perspectiva de início de fabricação global entre 2026 e 2027.
Ao mesmo tempo, a companhia suspendeu os planos de vender carros elétricos de luxo em uma joint venture com a Sony. E anunciou que passaria a centrar seus esforços na categoria de veículos híbridos elétricos.
Nessa quinta-feira, ao divulgar o balanço anual, divulgou novas medidas que reforçam esse pé no freio na primeira categoria, com o anúncio de que irá congelar, indefinidamente, os planos para o desenvolvimento de uma fábrica desse segmento no Canadá, que previa um aporte de US$ 15 bilhões.
Segundo o The Wall Street Journal, a empresa também frisou que está abandonando a meta, estabelecida em 2021, de que todos os carros do seu portfólio seriam elétricos ou movidos a células de combustível até 2040.
“Nós, da administração, estamos levando essa perda muito a sério”, afirmou Toshihiro Mibe. “É minha maior responsabilidade construir uma estrutura de negócios que possa resistir a qualquer coisa que possa surgir em meio a essa incerteza.”
Enquanto tenta reverter essa marcha, a Honda também vem enfrentando os impactos de sua operação na China, diante da concorrência local. No país, suas vendas caíram mais da metade nos últimos cinco anos. E, segundo dados preliminares do primeiro trimestre fiscal, essa perda está se intensificando.
Na contramão dessas más notícias, o bom desempenho da divisão de motocicletas ajudou a compensar, em parte, os impactos dos negócios de automóveis. E contribuiu para que a empresa fechasse o período com uma receita de 21,7 trilhões de ienes (US$ 138 bilhões), alta anual de 0,5%.
Com um plano de recuperação centrado em híbridos, a montadora prevê encerrar o atual ano fiscal, que será encerrado em março de 2027, com um lucro líquido de 260 bilhões de ienes (US$ 1,6 bilhão) e com vendas praticamente estáveis, em 3,39 milhões de veículos.
As ações da Honda fecharam o pregão de hoje em Tóquio com alta de 3,77%, avaliando a companhia em 5,1 trilhões de ienes (US$ 32,5 bilhões). Em 2026, porém, os papéis acumulam uma desvalorização de mais de 15%.