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A fila das canetas emagrecedoras anda: Ávita Care deve ser a próxima a ter sua versão do Ozempic

Por Redação 05 de junho de 2026 8 min de leitura


Após a aprovação do registro da caneta emagrecedora Ozivy, da EMS, em 26 de maio, primeira semaglutida que será fabricada no Brasil, os técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) agora se debruçam para liberar o próximo pedido da lista, que é o da Ávita Care.

Nos últimos dias, a empresa prestou os últimos esclarecimentos à agência, para que o registro possa sair ainda em junho, apurou o NeoFeed. Na prática, a Ávita Care, que importa e distribui produtos, representa, no órgão regulador, a farmacêutica europeia Adalvo, de Malta, que é quem, de fato, produzirá a semaglutida para o mercado brasileiro.

Com sede na cidade paulista de Vinhedo, a Ávita, que pertence ao grupo Soluto, explica em seu site que “atua como titular de registros Anvisa, conduzindo representação legal, importação, armazenagem, distribuição, farmacovigilância e SAC sob um único CNPJ”. Ou seja, caberá à empresa brasileira a estratégia para a entrada da caneta emagrecedora à base de semaglutida da parceira europeia nas farmácias brasileiras.

Neste sentido, a companhia já tem um plano traçado para ganhar capilaridade de forma rápida no mercado farmacêutico. Só que não será a própria empresa que estará na linha de frente das vendas do produto.

Segundo apurou o NeoFeed, a Ávita Care vai repassar a comercialização da caneta no país para a farmacêutica suíça Sandoz, uma das maiores do mundo em biossimilares e genéricos.

A Sandoz no Brasil é presidida, desde fevereiro deste ano, por Isabella Wanderley. A executiva esteve na liderança da Novo Nordisk no Brasil, entre agosto de 2021 e setembro de 2025. O fato de ter sido CEO da fabricante do Ozempic, e conhecer desde o início o mercado brasileiro de canetas emagrecedoras, é visto pela Ávita como uma vantagem competitiva.

De qualquer forma, Wanderley deixou o comando da Novo Nordisk pressionada, no momento em que a farmacêutica dinamarquesa começou a perder espaço no mercado brasileiro para a americana Eli Lilly. A empresa dos Estados Unidos trouxe para o Brasil, no ano passado, a caneta Mounjaro, considerada mais eficiente do que o Ozempic e que tem a tirzepatida como princípio ativo. Hoje ela lidera o mercado.

O modelo que será firmado entre a Ávita Care e a Sandoz, a partir dos produtos fabricados pela Adalvo, é semelhante ao que a Novo Nordisk celebrou com a Eurofarma no fim do ano passado.

Em outubro, as duas empresas anunciaram o lançamento da caneta Poviztra, também à base de semaglutida, produzida pela Novo Nordisk, mas com a promoção e comercialização a cargo da Eurofarma.

Ainda que com o mesmo princípio ativo, a ideia foi oferecer uma opção de medicamento análogo ao GLP-1 mais barato do que Ozempic e Wegovy, sem ser considerado uma cópia. O plano já era também, de certa forma, neutralizar o impacto do fim da patente a partir da entrada de novos players no segmento.

A pressa da Ávita Care é justamente para que a farmacêutica da família Sanchez não navegue sozinha por muito tempo no mercado de semaglutida, levando em conta o período após a expiração da patente do Ozempic e do Wegovy, da Novo Nordisk, no fim de março.

Com esta parceria com a Sandoz, a estratégia da Ávita, segundo apuração do NeoFeed, será de garantir uma distribuição parecida com a da EMS, que afirmou ter uma pretensão de produzir 1,2 milhão de unidades no primeiro ano, com uma distribuição inicial de 350 mil canetas.

“A empresa está preparada para iniciar a distribuição nas farmácias assim que sair o registro da Anvisa. O plano é chegar sendo competitivo no mercado brasileiro”, diz um executivo do setor farmacêutico, que tem conhecimento do plano traçado pela empresa.

Na segunda-feira, 25 de maio, um dia antes da publicação da aprovação da caneta da EMS no Diário Oficial da União (DOU), a Anvisa também mudou o status do registro da Ávita Care, no processo interno, para “análise concluída”. Porém, ainda sem o deferimento, o que gerou a expectativa do setor, nos dias seguintes, de que a aprovação seria mais rápida do que o previsto.

Mas os técnicos da agência reguladora pediram mais explicações sobre as boas práticas das unidades produtivas da Adalvo, requisito obrigatório da Anvisa para o processo de registro, e onde serão fabricadas as canetas que virão para o Brasil. O plano da farmacêutica europeia é de produzir a semaglutida em fábricas no Canadá e na China.

No ano passado, a Anvisa anunciou que daria prioridade aos pedidos de registro da semaglutida, fazendo com que eles “pulassem a fila” das demais solicitações de outros medicamentos. Outro ponto prioritário para garantir a aprovação mais rápida seria a confirmação da fabricação nacional.

“Mas a Anvisa também avisou que faria duas aprovações por semestre, neste modelo de prioridade. Por isso há uma expectativa para que a da Ávita Care seja a próxima e saia até o fim de junho”, afirmou outra fonte consultada pela reportagem.

O valor e a data da caneta da EMS

Uma semana após obter a aprovação do registro, a EMS definiu que a caneta Ozivy estará nas farmácias a partir de 15 de junho. O valor do produto será de R$ 452, na caixa com uma caneta.

Para quem optar pelo tratamento de três meses, o valor será de R$ 863,23, para uma caixa com duas canetas de 1mg cada. Isso significa um custo mensal, neste plano, de R$ 287. A partir do quarto mês, passa a custar R$ 498. O NeoFeed já havia revelado, em primeira mão, que a semaglutida da EMS sairia a um valor próximo a R$ 500.

“Este valor vai garantir a ampliação do acesso no Brasil a estes produtos. E ainda há muitos pacientes para entrar neste mercado”, diz Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, ao NeoFeed.

E é exatamente este público que a Ávita Care está de olho. A empresa atua para não permitir que ocorra, no caso da semaglutida, o mesmo que aconteceu em relação à liraglutida, que teve a patente expirada no Brasil em novembro de 2024. Os medicamentos referência são Saxenda e Victoza, também da Novo Nordisk.

Logo após o fim da patente, a EMS conseguiu aprovação da Anvisa e, em agosto do ano passado, lançou as canetas Olire (para obesidade) e Lirux (para diabetes tipo 2). E, desde então, nenhuma outra farmacêutica conseguiu a aprovação, o que a coloca como a única a produzir a liraglutida no Brasil.

Antes de aprovar a semaglutida da EMS, a Anvisa chegou a negar de forma sumária registros que estavam em andamento no órgão. Em abril, a agência informou que a caneta Embeltah, da farmacêutica indiana Dr. Reddy’s, estava vetada, por falta de comprovação de eficácia, segurança e qualidade.

Com esta corrida pela aprovação na Anvisa, as farmacêuticas disputam um mercado que deve ser superior a R$ 15 bilhões em 2026, levando em conta todas as canetas emagrecedoras aprovadas no Brasil. No ano passado, a receita das redes varejistas com estes produtos alcançou R$ 10 bilhões.

O crescimento da procura pelas canetas emagrecedoras no Brasil segue a tendência mundial. Relatório recente do BTG Pactual mostra que, no ano passado, o mercado global de GLP-1 alcançou US$ 63 bilhões, com previsão de ultrapassar US$ 73 bilhões em 2026.

Ainda segundo o documento do banco, os tratamentos à base do medicamento representavam 8% de todas as prescrições médicas nas principais redes farmacêuticas nos Estados Unidos. Há cinco anos, era menos de 1%.

Procurada pelo NeoFeed, a Ávita Care não respondeu ao pedido de entrevista. A Sandoz respondeu que “por política corporativa, a companhia não comenta potenciais ou eventuais parcerias, tampouco divulga detalhes sobre pedidos de registro em andamento”.

A Anvisa informou que “existem hoje 13 pedidos de registro de semaglutida sintética e quatro de semaglutida biológica”. Também explicou que “não é possível antecipar prazos antes da conclusão do processo pela equipe técnica, que está sujeito também a questionamentos técnicos que podem surgir durante o processo”.



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Redação

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