Galaticos Capital, o family office dos jogadores de futebol, mira expansão internacional
Ronaldo Nazário, o Fenômeno, transformou uma preocupação pessoal em negócio fundando a R9 Gestão Financeira e Patrimonial há 10 anos. Dois anos atrás, a empresa se juntou à Galapagos Capital e virou Galaticos Capital: uma casa especializada em organizar a vida financeira de atletas.
A tese por trás do negócio é simples, mas pouco explorada no mercado de wealth management: atletas têm ciclos de carreira muito diferentes dos executivos tradicionais e demandam outra abordagem.
A renda mais relevante chega cedo, muitas vezes antes dos 25 anos, em valores incompatíveis com a maturidade financeira de quem ainda está começando a vida adulta. Ao mesmo tempo, o prazo de geração dessa receita é curto. No futebol, pode durar de dez a 15 anos.
Depois disso, o patrimônio acumulado precisa sustentar uma segunda fase da vida que é viver de renda, o que pode começar aos 40 anos ou menos, quando a maioria dos executivos começa a formar patrimônio.
É para lidar com essa equação que a Galaticos Capital se posiciona como um family office para esse público. Hoje, a casa já administra quase R$ 2 bilhões sob gestão, entre ativos líquidos e ilíquidos, crescimento que acontece por meio do boca a boca.
“Eu e Ronaldo percebemos que os atletas têm uma carreira profissional muito bem estruturada, mas não necessariamente têm uma vida patrimonial organizada”, disse Viviane Leal, CEO da Galaticos Capital, e sócia fundadora junto com Ronaldo da operação, no Wealth Point, programa do NeoFeed.
A origem da casa está diretamente ligada à trajetória do Fenômeno. Segundo Viviane, o ex-jogador sempre teve a preocupação de separar a estrutura familiar da estrutura profissional de gestão. A família tinha o papel de acolhimento da sua carreira. O escritório de wealth, o de profissionalizar e dar responsabilidade à administração do patrimônio e garantir sustento à família.
Essa lógica ajudou a moldar o modelo da Galaticos. A empresa olha para investimentos, mas também para gestão familiar, educação financeira, pagamentos, administração de imóveis, empresas e suporte jurídico e contábil, com escritórios parceiros.
O público inicial veio do futebol, mas a base se expandiu. O jogador Gabriel Jesus também se tornou sócio da operação, trazendo uma conexão com uma geração mais jovem de atletas. Ao longo do tempo, a Galaticos passou a atender também atletas de outras modalidades, como jogadoras de futebol feminino, e também influenciadores e artistas.
Agora a expansão começa a ganhar força através da internacionalização. Antes, a demanda vinha principalmente de brasileiros que saíam do País e precisavam de uma estrutura local para cuidar do patrimônio.
Agora, a Galaticos já atende clientes uruguaios, argentinos e atletas estrangeiros que chegam ao Brasil sem saber como abrir uma empresa, uma conta bancária ou organizar a própria vida financeira por aqui.
O desafio é particularmente relevante porque a carreira esportiva é cada vez mais global. Atletas podem estar no Brasil, na Espanha, em Paris, na Arábia Saudita, no Catar ou em outros mercados. A gestão patrimonial precisa acompanhar essa geografia, incluindo questões tributárias, jurídicas, familiares e de liquidez.
Mas a parte mais sensível do trabalho, segundo Viviane, ainda está na educação financeira. A relação dos atletas com dinheiro melhorou nos últimos anos: eles perguntam mais, acompanham a rentabilidade da carteira e começam a discutir aposentadoria mais cedo. Ainda assim, a fase inicial da carreira segue delicada.
É quando se misturam o sonho realizado, a vontade de comprar o primeiro imóvel para a família, o carro desejado e a pressão por elevar o padrão de vida. O papel da Galaticos é ajudar o atleta a transformar uma renda curta e intensa em patrimônio de longo prazo.
“Eu costumo falar para os clientes que entendi claramente qual é a capacidade de gasto deles. Mas precisamos ver qual é a capacidade de investimento”, afirmou Leal.
Na prática, a casa tenta trabalhar com uma taxa mínima de investimento de 30% da renda, podendo chegar a 40%. Em meses de premiações, direitos de imagem e patrocínios, esse percentual pode ser maior. A meta é preservar, depois da aposentadoria, uma qualidade de vida próxima da fase ativa.
Para 2026, a Galaticos quer avançar em um projeto próprio de educação financeira para jovens atletas ainda em formação nos clubes.
“Se a gente trouxer isso para a base dos clubes, conseguimos fazer com que, quando eles se tornam profissionais, já tenham essa bagagem de educação. Mitigando erros logo no início que são cruciais”, disse Viviane.
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