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PicPay, BRB e Fundo de Previdência são alvo de operação do MP do DF

Por Redação 19 de junho de 2026 5 min de leitura


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O Ministério Público do DF e a Polícia Civil realizam uma operação investigando PicPay, BRB e Iprev por um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento de servidores. A investigação foca em um serviço de antecipação salarial que, embora anunciado como livre de juros, teria cobranças disfarçadas. Entre 2024 e 2025, mais de R$ 80 milhões foram descontados dos contracheques dos servidores sob a nomenclatura de “taxa de antecipação”.

A operação cumpriu 50 mandados de busca e apreensão, envolvendo também a Secretaria de Economia do DF e ex-autoridades. O PicPay, que abriu capital em janeiro, negou irregularidades e afirmou que suas operações estão em conformidade com as normas vigentes. Desde o IPO, suas ações caíram 44,7%, reduzindo seu valor de mercado para US$ 1,3 bilhão.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O PicPay, o BRB e Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev) são alvo de uma operação do Ministério Público do Distrito Federal e da Polícia Civil, que investiga um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento de servidores da capital federal.

O foco principal da operação é um serviço de antecipação salarial que teria sido oferecido como livre de juros, mas que, segundo os investigadores e o Tribunal de Contas do DF (TCDF), embutia cobranças com natureza econômica equivalente à cobrança de juros.

Segundo a investigação, um acordo firmado em 2024 permitiu que descontos fossem realizados diretamente nos contracheques dos servidores. O TCDF identificou que, entre 2024 e 2025, foram descontados mais de R$ 80 milhões por meio de uma chamada “taxa de antecipação”. Para os investigadores, apesar da nomenclatura, a cobrança funcionaria como remuneração do crédito concedido.

Em setembro do mesmo ano, a Secretaria de Economia do DF firmou uma parceria com o PicPay, permitindo que servidores acessassem o aplicativo para antecipar parte do salário a ser pago pelo governo.

Informações apuradas por diversos veículos de comunicação apontam que foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão. Além do PicPay, foram alvos dos promotores a BRB Serviços, subsidiária do BRB responsável pela área de consignado, a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev) e a Associação dos Servidores Públicos do DF.

Também são investigados o ex-secretário de Economia do DF, Ney Ferraz, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, preso durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura fraudes envolvendo o Banco Master e a tentativa de aquisição da instituição financeira pelo BRB.

Procurado pelo NeoFeed, o PicPay enviou uma nota informando que a companhia “não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas”. E acrescenta que seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes e submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão”.

A companhia também informou que “o valor antecipado era disponibilizado no próprio cartão do cliente, após solicitação realizada por ele diretamente no aplicativo, sem intermediários, associações ou cobrança nessa modalidade”. (Confira a íntegra do comunicado no final da matéria).

Controlado pela J&F Investimentos, o PicPay abriu capital em janeiro, levantando US$ 490 milhões a um valuation de US$ 2,6 bilhões. O IPO foi ancorado pela Bicycle, de Marcelo Claure, que se comprometeu a investir US$ 75 milhões. Com isso, fundos como BlackRock, GIC, Fidelity e Columbia, entre outros grandes investidores, passaram a integrar o cap table da companhia.

Nascido como uma carteira digital, o PicPay transformou-se em um ecossistema financeiro que conta com licença bancária e uma ampla gama de serviços. Nos últimos anos, a companhia passou a atuar diretamente em segmentos nos quais antes operava por meio de terceiros em seu marketplace. Cartão de crédito, crédito consignado, empréstimo pessoal e seguros passaram a integrar o portfólio oferecido aos clientes pessoa física.

No primeiro trimestre, o PicPay superou o guidance, com lucro líquido ajustado de R$ 169 milhões. A cifra representou alta de 92% em relação ao mesmo período do ano anterior e ficou 9,3% acima da estimativa inicial de R$ 155 milhões. No entanto, os dados de inadimplência chamaram atenção, com aumento de 1,7 ponto percentual no NPL acima de 90 dias entre trimestres, atingindo 8,9%.

Desde o IPO, as ações do PicPay acumulam queda de 44,7%, reduzindo seu valor de mercado para US$ 1,3 bilhão.

Confira a íntegra da nota do PicPay:

O PicPay reafirma seu compromisso com a estrita observância da legislação e da regulamentação aplicáveis aos setores financeiro e de meios de pagamento.

A companhia não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida. Seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes e submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão.

O valor antecipado era disponibilizado no próprio cartão do cliente, após solicitação realizada por ele diretamente no aplicativo, sem intermediários, associações ou cobrança nessa modalidade.

O PicPay mantém uma sólida estrutura de governança corporativa, gestão de riscos e compliance, alinhada às melhores práticas de mercado e aos mais elevados padrões regulatórios.

A empresa seguirá colaborando plenamente com as autoridades competentes e está confiante de que quaisquer esclarecimentos necessários confirmarão a regularidade de sua atuação.



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Redação

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