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O ouro dos tolos: plano “repreensível” para roubar dados termina em liquidação

Por Redação 19 de junho de 2026 4 min de leitura


Uma história daquelas que devem virar filme ou série na Netflix. E que envolve um dos ativos mais valiosos nos últimos anos: o ouro.

A justiça inglesa concluiu que diversos vendedores de moedas de ouro da empresa especializada Hattons of London orquestraram um plano “desonesto e repreensível”, segundo a sentença, para obter um banco de dados confidencial de clientes com o objetivo de criar uma empresa concorrente.

Na sexta-feira, 19 de junho, o Tribunal Superior de Londres decretou que o grupo arquitetou um plano para obter informações detalhadas sobre colecionadores de moedas e que vários de seus membros inventaram queixas, incluindo alegações de assédio moral, antes de deixarem a empresa.

O caso surge num contexto de mercado em expansão para moedas de ouro, impulsionado por uma valorização anual do preço do metal. As isenções de imposto sobre ganhos de capital em moedas de ouro Britannia e Sovereign, os dois modelos mais populares de Londres, aumentam o seu atrativo para investidores no Reino Unido.

A Hattons of London se especializou em peças raras e exclusivas e é uma das várias lojas que têm registrado um forte crescimento nos últimos anos no país. Fundada em 2017, é uma empresa em que alguns funcionários têm participação acionária. O controlador é o empresário Simon Mellinger.

No site da empresa, há peças que custam 3,9 mil libras esterlinas (R$ 26,6 mil), como um conjunto de moedas que faz homenagem à Rainha Elizabeth II, que morreu em setembro de 2022. Ela completaria um século em 2026.

Um dos réus da ação na Justiça, Benjamin Bradshaw, deixou a Hattons em 2022 e posteriormente fundou uma empresa concorrente, a Knightsbridge Collection, segundo informou o Financial Times.

Outros deixaram a empresa em uma onda de demissões em 2025 para se juntarem à Knightsbridge, de acordo com a sentença proferida na sexta, 19.

Bruce Carr KC, o juiz substituto do Tribunal Superior, constatou que os antigos colegas de Bradshaw extraíram secretamente dados de clientes, incluindo históricos de compras e pagamentos, bem como informações de contato.

Segundo a sentença, Carr afirmou que a Hattons havia investido um tempo considerável na construção deste banco de dados, que inclui registros de informações pessoais que os vendedores poderiam usar para criar um bom relacionamento com estes clientes.

Ainda de acordo com a decisão judicial, vários integrantes deste grupo criminoso “orquestraram um processo de queixa com o objetivo de criar uma estratégia de saída igualmente forjada”. Essas queixas incluíam alegações de bullying, brincadeiras inapropriadas e gritos.

“Estou completamente convencido de que todos os réus neste caso se comportaram de maneira desonesta e repreensível”, sentenciou Carr, em seu despacho. “As provas contra eles são, em resumo, esmagadoras.” Os réus negam as acusações.

Ainda segundo o que consta na sentença, a Knightsbridge Collection foi colocada em liquidação voluntária por credores e encerrou suas atividades em agosto passado.

Carr impôs uma liminar impedindo os réus de usar os dados. Quaisquer danos serão determinados posteriormente.

Simon Mellinger, diretor-geral da Hattons of London, afirmou em comunicado que a empresa revisou suas políticas e também entrou em contato com os clientes afetados para oferecer compensação.

“Continuaremos buscando indenizações substanciais dos réus, bem como o reembolso dos custos que tivemos que arcar devido às ações ilegais dos réus”, afirmou. Os réus não estavam representados por advogados.



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Redação

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