A ironia de “Toy Story 5”: a tecnologia vira inimiga da saga que revolucionou a animação
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No quinto filme da franquia “Toy Story”, Woody, Buzz e Jessie enfrentam a tecnologia, representada por um tablet chamado Lilypad, que compete pela atenção de Bonnie.
A Pixar, que sempre defendeu a harmonia entre criatividade humana e tecnologia, explora os prós e contras da vida digital na infância.
Embora Bonnie ainda prefira brinquedos tradicionais, ela é influenciada por novas amigas obcecadas por entretenimento digital, gerando um debate sobre quem captura melhor sua imaginação.
Lilypad conecta Bonnie a outras crianças online, mas falha em ajudá-la a criar laços no mundo real, onde Jessie se destaca.
O filme reflete sobre as relações complicadas com a tecnologia, buscando uma abordagem equilibrada.
Desde o primeiro “Toy Story”, a Pixar revolucionou a animação com computação gráfica, e agora, em “Toy Story 5”, mostra a evolução tecnológica e a capacidade de representar tudo em seus filmes.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Na quinta aventura da trupe de brinquedos, o xerife Woody, o astronauta Buzz Lightyear e a vaqueira Jessie enfrentam o inevitável: a tecnologia . E o “inimigo” não poderia ser mais irônico, já que os próprios bonecos revolucionaram a história da animação, com Toy Story (1995), o primeiro longa-metragem feito inteiramente por computação gráfica.
Isso explica Toy Story 5, lançamento desta semana nos cinemas, pegando leve contra os smartphones e os tablets, que agora disputam a atenção da menina Bonnie. Até porque, em toda a sua trajetória, a Pixar Animation Studios sempre defendeu a harmonia entre a criatividade humana e a tecnologia— nunca deixando que os recursos digitais fossem mais importantes do que a história em si.
Na nova trama da franquia, responsável pela bilheteria mundial de mais de US$ 3 bilhões, com quatro filmes e um spin-off (Lightyear), a “ameaça” é um tablet chamado Lilypad. À medida que o dispositivo eletrônico passa a monopolizar o olhar de Bonnie, os bonecos, liderados por Jessie, decidem lutar para manter sua importância na vida da garota de oito anos.
Embora a menina ainda prefira os brinquedos tradicionais, ela é influenciada pelas novas amigas, crianças totalmente obcecadas pelo entretenimento digital. Daí nasce um debate para decidir quem consegue capturar melhor a imaginação de Bonnie.
O enredo é apenas um pretexto para explorar os prós e os contras da vida na era digital, com foco na infância. “Por ser um tema tão amplo, sabíamos que todo o filme precisaria girar em torno da tecnologia como parte importante de nossas vidas atualmente”, disse Lindsey Collins, produtora de Toy Story 5, em encontro virtual com jornalistas, do qual o NeoFeed participou.
“E o segredo foi refletido sobre o que observamos ao nosso redor, em vez de desenvolvermos a história com uma opinião formada. Analisamos as nossas relações complicadas com a tecnologia, incluindo a dos nossos filhos, para que pudéssemos partir da verdade e não de julgamentos”, comentou a produtora.
Não por acaso, Lilypad se impõe na vida de Bonnie com os melhores desejos. Como ela quer ajudar a menina, ela recorre ao que sabe. Ou seja, dados e números. “Como se fosse possível apresentar um checklist para que seu filho se tornasse presidente dos Estados Unidos aos 30 anos”, brincou Collins.
Como a abordagem do dispositivo não é baseada na experiência, ela acaba apresentando falhas. Lilypad consegue, sim, conectar Bonnie, que não tem amigos, com outras crianças nas salas de bate-papo virtuais e nos jogos online.
Mas fica claro que o tablet não é capaz de ajudar a menina na hora de criar redes com o mundo real. A boneca Jessie parece ter mais chances de conseguir isso, por colocar as crianças que brincam com ela frente a frente.
E isso leva à coexistência de importação entre imaginação e tecnologia, que o estúdio localizado em Emeryville, na Califórnia, preza desde a sua fundação. “Nosso foco sempre esteve no lugar certo. Sabemos que a tecnologia vai impressionar o espectador por uns três segundos. Depois disso, porém, é preciso apelo e conexão emocional para que o público sinta algo real. E é nisso que os animadores da Pixar são incomparáveis, criando personagens que parecem vivos”, contou Pete Docter, diretor de criação do estúdio, que também participou do painel.
Em termos de legado, o primeiro Toy Story, realizado com US$ 30 milhões e responsável pela arrecadação mundial de mais de US$ 373 milhões, foi um marco cinematográfico por influenciar o modo como os filmes passaram a ser feitos desde então.
Preservada pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, por seu “significado cultural, histórico e estético”, a produção desencadeou uma revolução tecnológica, ao provar que um longa-metragem poderia ser feito totalmente por computação gráfica. Na época, o RenderMan, o software responsável pela renderização (o processamento de todos os cálculos da cena em 3D, criando personagens e cenários), era ainda uma ferramenta muito nova.
Como cada fotograma era um efeito visual, somando mais de 16 mil efeitos, Toy Story acabou expandindo os limites do que era possível fazer no cinema com os computadores. E sua audácia abriu caminho para os blockbusters em CGI em todos os grandes estúdios.
A franquia dos brinquedos também é um testemunho da evolução tecnológica desde os anos 90. “No primeiro Toy Story, quando Woody tem a testa queimada pelo menino Sid, ele mergulhou a cabeça na tigela de água do cachorro, mas não vemos a água”, registrou Docter.
A solução para o problema, já que ainda era impossível representar a água no universo da animação, foi encher uma tigela de cereais de argolinhas coloridas. Assim, quando o boneco tira a cabeça do recipiente, ele sai com cereais grudados nos olhos, simulando óculos, o que rende risos no público.
“Agora, em Toy Story 5, quando Jessie entra correndo em casa, mas a mãe aparece, ela cai de cara na tigela de água do porco de sonho, ao se fingir de morte. É assim que o ciclo da água se completa”, disse Docter, acrescentando não existir mais nada que a Pixar não consiga representar em seus filmes nos dias de hoje.