Por que Alex Szapiro está deixando o Softbank e o que muda na operação da América Latina
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Alex Szapiro, após mais de cinco anos como managing partner do Softbank na América Latina, está deixando o fundo, que investiu em mais de 70 startups na região desde 2019. A operação será liderada por Juan Franck, com Rodrigo Costa assumindo como head do Brasil.
Szapiro, que busca novos desafios e deseja operar uma empresa diretamente, anunciou sua saída após um processo de amadurecimento ao longo do ano, finalizando os termos em junho durante o Brazil Week em Nova York.
Ele continuará como sócio e advisor de algumas empresas, enquanto a operação do Softbank na América Latina passa por mudanças estratégicas, com foco em disciplina financeira e geração de caixa. O fundo reescreveu seu manual de investimentos, priorizando critérios mais rigorosos e preparando empresas para abertura de capital.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Após pouco mais de cinco anos como managing partner do Softbank para a América Latina e head do Brasil, Alex Szapiro está deixando o fundo. A operação, agora, será comandada por Juan Franck, que já era par de Szapiro. Rodrigo Costa, sócio brasileiro que estava baseado em Miami e foi repatriado no fim de 2025, assumirá como head do Brasil.
“Eu tenho 56 anos, tenho aí 15 anos pela frente de high energy para produzir coisas diferentes”, disse Szapiro ao NeoFeed, ao explicar que a decisão é de caráter pessoal e ligada ao desejo de voltar a operar uma empresa diretamente.
A decisão de sair do Softbank foi amadurecendo ao longo deste ano. O martelo foi batido em junho, durante a Brazil Week, em Nova York, quando acertou os termos para deixar o fundo. “Missão cumprida”, diz Szapiro, sobre o tempo em que ficou a frente da operação da América Latina.
O processo será gradual e se estenderá até agosto, com Szapiro apoiando a mudança. “Ele tem sangue de CEO”, diz uma fonte que conhece o executivo. “Em pouco tempo, deve estar à frente de alguma grande empresa.”
Ao longo de mais de três décadas, Szapiro esteve à frente de diversas operações da área de tecnologia no Brasil. Entre elas, a Palm, a Apple e a Amazon. Apesar da saída, Szapiro continuará como sócio e deve atuar como advisor de algumas empresas. Atualmente, ele está em 10 conselhos de empresas investidas pelo Softbank.
Durante sua gestão, Szapiro foi responsável por transformar a operação latino-americana em uma plataforma global de investimentos, integrando os aportes locais à estratégia mundial do Softbank.
Antes, o Softbank contava com fundos dedicados à América Latina. Foram duas safras que, no total, chegaram a investir mais de US$ 8 bilhões na região, criando os principais unicórnios latino-americanos.
A operação na América Latina tem escritórios no Brasil, México e Estados Unidos (Miami). O número de funcionários não é revelado, mas segundo apuração do NeoFeed, conta com aproximadamente 15 pessoas dedicadas à região latino-americana e outras 25 voltada a Latam, dentro da plataforma global do Softbank.
Desde que começou a investir na América Latina, em 2019, a partir de um fundo dedicado à região, o Softbank montou um portfólio com mais de 70 startups. A lista inclui nomes como Wellhub, Rappi, QuintoAndar, Kavak, Unico, MadeiraMadeira, Creditas, Ualá, Petlove, Merama, Omie, Olist, Blip e Asaas, entre outras.
O anúncio de saída de Szapiro ocorre em um momento de mudança na estratégia do Softbank na região. Depois de anos marcados pelo crescimento acelerado e pela busca de unicórnios, o fundo reescreveu seu manual de investimentos e reduziu o volume de aportes.
A nova diretriz exige disciplina financeira, geração de caixa e previsibilidade. Hoje, 96% das empresas do portfólio têm capacidade de gerar caixa e contam com runway superior a 18 meses, contra 70% em 2021.
Os novos aportes seguem critérios mais rigorosos, com foco em inteligência artificial, produtos difíceis de replicar e modelos sólidos de geração de caixa.
Em entrevista ao NeoFeed, em março deste ano, Szapiro refletiu sobre essa nova dinâmica do mercado latino-americano. “A pergunta é o que significa continuar investindo”, afirmou Szapiro.
E acrescentou: “Se for continuar olhando empresas, montando pipeline e entendendo novos negócios, a resposta é sim. Mas faz alguns meses que não alocamos capital porque simplesmente não encontramos.”
O fundo também tem trabalhado na preparação de empresas para abertura de capital, com várias delas já em estágio avançado. “Você sabe, a gente tem 10 empresas ali que estão IPO-ready”, disse Szapiro, na mesma entrevista.