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Fim de linha para uma tradição de Nova York? Carruagens do Central Park podem não ter mais lugar

Por Redação 27 de junho de 2026 7 min de leitura


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Na semana passada, uma família indiana celebrou a formatura do filho em Nova York, incluindo uma volta de carruagem pelo Central Park.

Durante o passeio, o cocheiro desceu para tirar uma foto dos pais e dos dois filhos e cavalo disparou, desgovernado. Ao tentar ajudar a mãe que havia sido arremessada para fora do veículo, Romanch Mahajan pulou e bateu a cabeça no asfalto.

Dias antes, um cavalo morreu em pleno parque depois de ingerir uma planta venenosa.

Os dois episódios reacenderam o debate sobre a continuidade das carruagens turísticas. O prefeito de Nova York manifestou a intenção de trabalhar em uma transição para encerrar a atração, enquanto tramita a proposta “Ryder’s Law”, que visa proibir novas licenças e promover a transição dos cocheiros para outras carreiras.

Após a tragédia, os serviços de carruagem foram suspensos por apenas três dias, gerando revolta e protestos.

A discussão envolve o bem-estar animal e a relevância dessa tradição no contexto atual da cidade, marcada por desafios climáticos e um aumento no número de visitantes.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Nova York — Uma família indiana esteve em Nova York para celebrar a formatura do primogênito, Romanch Mahajan, de 18 anos, na semana passada. Os pais e os dois filhos visitaram a Brooklyn Bridge, a Estátua da Liberdade e o Memorial de 11 de setembro.

O roteiro incluía também um passeio de 45 minutos de carruagem pelo Central Park, uma atração turística desde a inauguração do parque, em 1876. Na tarde de quarta-feira, 17 de junho, a família pagou US$ 158 a um cocheiro com 16 anos de carreira, num pacote que incluía três paradas para fotos.

Ao descer do veículo para fotografar os clientes, ele infringia uma das principais regras do Transport Workers Unit Local 100, sindicato que representa 300 profissionais do setor: o condutor não deve jamais abandonar as rédeas.

Na terceira parada, o cavalo, de sete anos e há apenas seis semanas na função, saiu em disparada, desgovernado. A mãe foi jogada para fora do veículo e Romanch pulou para acudi-la e bateu a cabeça no asfalto.

Pelos registros disponíveis, o adolescente teria sido a primeira vítima fatal de um acidente envolvendo as carruagens do Central Park.

A tragédia ocorreu poucos dias depois de outro cavalo ingerir uma planta venenosa e morrer à luz do dia, em pleno parque. Os dois episódios reacenderam o debate sobre a continuidade das carruagens turísticas e fortaleceram a pressão para que a atração seja suspensa em razão do tratamento dado aos animais.

Os cavalos do Central Park, o maior parque urbano dos Estados Unidos, fazem, em média, seis passeios por dia, puxando carruagens com até quatro adultos, enfrentando as variações climáticas da cidade, que vão de invernos rigorosos a verões escaldantes. Por lei, eles não podem trabalhar quando a temperatura ultrapassa 33 graus centígrados.

Para entrar e sair do parque, percorrem de 1,5 a 3 quilômetros entre avenidas, disputando espaço com carros, ônibus, táxis e caminhões em Manhattan até chegarem aos estábulos, normalmente de três andares.

Na noite da morte do jovem, o prefeito de Nova York, Zohan Mamdani, declarou sua intenção de trabalhar com o Conselho Municipal, parceiros sindicais, cocheiros, defensores do bem-estar animal e líderes comunitários para promover “uma transição justa que proteja os trabalhadores, ao mesmo tempo em que encerra, de uma vez por todas, o uso de carruagens”.

A ideia de banir a atividade não é nova. Nos últimos 13 meses, foram registradas oito ocorrências relacionadas ao serviço. A Central Park Conservancy, entidade sem fins lucrativos responsável pela administração do parque, observa que os animais circulam entre ciclistas, patinetes, atletas e famílias, o que exige um novo protocolo de segurança e treinamentos.

No Legislativo nova-iorquino, já tramita a Ryder’s Law, projeto de lei em homenagem a um cavalo que caiu morto na agitada Nona Avenida, em um dia de sol escaldante.

Elaborada pelo Animal Defense Fund, ONG de defesa dos animais, a proposta sugere encerrar gradualmente a indústria das carruagens ao proibir a emissão de novas licenças para cocheiros, com a proibição total a partir de 1º de junho de 2028.

Os passeios de carruagem no Central Park estão eternizados em filmes como “Descalços no parque”, de 1967, com Robert Redford e Jane Fonda (Foto: Reprodução YouTube)

O projeto do parque nova-iorquino, inaugurado no final do século XIX , previa a circulação de carruagens e charretes (Foto: Reprodução Facebook)

No passado, todos os dias, especialmente entre o fim da tarde e o início da noite, famílias ricas de Nova York percorriam o parque em carruagens elegantes para ver e ser vistas. A prática ficou conhecida como “Carriage Parade” (Foto: Reprodução Wikipedia)

O projeto proíbe também a venda ou a transferência de cavalos para abate ou para uso em outra empresa de carruagens e determina que o Departamento de Proteção ao Consumidor e ao Trabalhador administre um programa de desenvolvimento profissional para cocheiros e outros trabalhadores da indústria, visando à transição para outras carreiras.

Com a morte do adolescente, os serviços no Central Park foram suspensos por três dias e voltaram a funcionar na terça-feira passada, 23 de junho, o que revoltou muita gente. Algumas pessoas recorreram às redes sociais e promoveram uma vigília no parque.

Na ocasião, foi lido o comunicado oficial dos Mahajan, exigindo o fim imediato das atividades e a criação de um memorial em homenagem a Romanch.

Segundo eles, “permitir que as carruagens voltem a circular enquanto a família ainda enfrenta o luto e organiza as cerimônias fúnebres transmite a mensagem de que interesses econômicos e turísticos estão sendo priorizados em detrimento da vida humana (…) Mudanças concretas são necessárias para evitar novas tragédias”.

“É um tema complexo pois envolve o bem-estar animal em conflito com uma atividade econômica”, diz Mara Rink, diretora da Escola Desempenho de Equitação no estado do Rio de Janeiro, em entrevista ao NeoFeed. “Mas, com normas adequadas de manejo e fiscalização, o uso das carruagens não precisa ser proibido.”

Multidão, calor e confusão

Em alguns países europeus, segundo ela, hoje é proibido por lei manter cavalos totalmente confinados.”Mesmo os clubes hípicos nas grandes cidades, são obrigados a ter piquetes para soltar os cavalos por um mínimo de horas por dia”, defende.

Qualquer tipo de trabalho ou esporte equestre deve-se considerar uma série de condições. Das condições físicas dos animais à supervisão veterinária e habilidade do condutor e, principalmente, se o cavalo tem liberdade para exercer seu comportamento natural em algum momento do dia.

Quando o Central Park foi inaugurado, os cavalos eram o principal meio de transporte. Desde então, os passeios de carruagem sobreviveram à chegada dos automóveis como dos cartões-postais da cidade, eternizados pelo cinema e pela televisão em produções como Descalço no Parque (1967), Manhattan (1979), Esqueceram de Mim 2 (1992), Sex and the City (1998–2004) e Um Dia de Chuva em Nova York (2019).

O cenário hoje, porém, é outro. O parque projetado para os passeios da elite nova-iorquina agora recebe milhões de visitantes e é compartilhado por pedestres, ciclistas e corredores. Enquanto isso, com o recrudescimento da crise climática, as ondas de calor ficaram mais frequentes.

O que está em discussão, agora, não é apenas o destino de uma atração turística, mas se uma tradição da Nova York do século XIX ainda encontra lugar na metrópole do século XXI.



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Redação

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