O maior jogador de todos os tempos está de volta à Copa do Mundo
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Alejandro Velasco, que conheceu Pelé aos 11 anos durante um treino da seleção brasileira, agora é o responsável por uma escultura de 10 metros do Rei do Futebol em Guadalajara. A obra, localizada em frente ao Estádio Jalisco, captura Pelé em movimento, conduzindo a bola com alegria, um gesto que marcou a infância de Velasco. Ele se dedicou a reproduzir um “Pelé vivo”, em vez de uma pose estática, e utilizou sua experiência como arquiteto e escultor para criar a peça em bronze.
A escultura também homenageia a conquista do tricampeonato brasileiro em 1970, com um pedestal inspirado na taça Jules Rimet. Velasco, que jogou futebol profissionalmente, deseja encontrar a família de Pelé para saber sua opinião sobre a obra. A escultura, situada na Plaza Brasil, simboliza a relação entre México e Brasil e busca se tornar um ícone da cidade. Velasco também considera criar uma escultura de Hugo Sánchez no futuro.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Guadalajara — Alejandro Velasco tinha 11 anos quando atravessou um treino da seleção brasileira na cidade mexicana de Guanajuato e abraçou Pelé. No ano de 1970, o México respirava Copa do Mundo.
O menino mexicano, levado pelo tio jornalista para acompanhar a preparação da equipe de Mário Jorge Lobo Zagallo, jamais imaginaria que, mais de cinco décadas depois, ele seria o responsável por eternizar o maior jogador da história do futebol em uma escultura de 10 metros de altura. “Para mim foi o máximo. Eu abracei Pelé em Guanajuato. E agora pude esculpi-lo”, diz Velasco, em entrevista ao NeoFeed.
Velasco se tornou arquiteto, fundidor e escultor. Meses depois da última Copa, recebeu um telefonema do seu representante em Guadalajara com a proposta de criar uma escultura de Pelé para ficar em frente ao Estádio Jalisco, no coração da cidade onde o Brasil conquistou o tricampeonato mundial (os jogos da edição deste ano estão sendo disputados no estádio Akron, recém-construído).
Foi ali o palco de cinco dos seis jogos da seleção brasileira. O Brasil derrotou Tchecoslováquia, Inglaterra, Romênia, Peru e Uruguai (Pelé marcou contra Tchecoslováquia e Romênia) antes de conquistar definitivamente a taça Jules Rimet com a vitória por 4 a 1 sobre a Itália, no Estádio Azteca, na Cidade do México.
Nos arredores do Jalisco, agora Pelé pode ser visto à distância conduzindo a bola, músculos tensionados, cabeça erguida e um sorriso discreto no rosto.
A escultura, inaugurada pouco antes do início da Copa 2026, procura capturar exatamente aquilo que mais impressionava Velasco quando criança. “Pelé conduzia a bola com uma alegria que você não esquecia. Eu muito raramente o vi sério quando estava com a bola. Ele era feliz jogando. E era exatamente esse movimento que eu queria capturar”, conta ele.
O escultor ousou ao não escolher a imagem mais óbvia. Em Três Corações, cidade natal de Pelé, um monumento de 1,75 metro retrata a tradicional comemoração do Rei, com o punho erguido após os gols.
O “soco no ar” é a imagem de cada um dos 1.283 gols do Rei do futebol. Mas, em Guadalajara, a escolha foi o instante da arrancada, quando Pelé fazia todo adversário tremer por tudo o que era capaz de fazer com a bola. E estar próximo à estátua tem-se à dimensão do tamanho que ele representou para o futebol mundial.
Arquiteto de formação, Velasco herdou do pai a Fundición Artística Velasco, fundada em 1948, e passou décadas trabalhando ao lado de grandes artistas mexicanos, como Leonora Carrington, José Luis Cuevas e Vicente Rojo.
Essa combinação deu forma ao desafio do monumento de Pelé: uma figura em movimento, imponente, em bronze fundido. Velasco conta que mergulhou em vídeos e fotografias antigas para encontrar o gesto certo. Ele não queria um Pelé estático, em pose de troféu.
Seu desejo era reproduzir um “Pelé vivo”, em corrida em direção ao gol, com o pé tocando a bola e o corpo inclinado para frente, com olhos felizes, lembra ele.
A pose escolhida era familiar para qualquer criança mexicana dos anos 1970. “Quando a gente jogava bola na rua, todo mundo queria ser Pelé. Todo mundo imitava aquele arranque com a bola. E foi isso que eu coloquei na escultura”, diz Velasco.
O processo começou em maquete. Depois veio o gesso para o corpo, que foi modelado diretamente no material, enquanto cabeça, mãos e pés ganhavam detalhes em plastilina (semelhante a uma massa de modelar). Por fim, o bronze.
A base tem um detalhe importante que remete à conquista do tricampeonato da seleção brasileira. O pedestal foi criado em uma estrutura geométrica inspirada nos traços da Jules Rimet, a taça que o Brasil conquistou no Azteca, para mais de 107 mil espectadores.
O rei e o menino
Velasco é um apaixonado por futebol. Jogou profissionalmente no México, na terceira divisão. Cresceu assistindo à seleção brasileira e a partida final daquele Mundial ficou gravada nele para sempre.
Ele lembra a invasão de campo, a torcida carregando Pelé nos ombros, a multidão tentando arrancar qualquer lembrança do Rei.
“Eu estava em casa, vendo pela televisão, emocionado. Quando o Brasil ganhou, as pessoas foram para o campo e tentavam tirar o máximo que podiam de Pelé, as chuteiras, qualquer coisa”, lembra ele
Para a escultura, Velasco buscou esse mesmo Pelé da memória afetiva. Acompanhou Rivelino, Tostão, a geração que ele chama de “a seleção mais inesquecível que já existiu”. Mas, até hoje, o artista nunca teve contato com a família de Pelé — embora guarde esse desejo.
“Gostaria muito de encontrar alguém da família, apertar a mão, e ouvir o que eles acham da escultura. Se é digna do que Pelé foi. Eu tentei fazer o mais profissional possível, para que essa escultura fosse à altura de um jogador do nível dele. E para o Brasil, claro. Sempre para o Brasil.”
Plaza Brasil
A escultura de Pelé fica na Plaza Brasil, diante do Jalisco batizado em homenagem ao futebol brasileiro. Ela é permanente e Velasco acredita que vai durar mais do que qualquer gestão política.
“A praça se chama Brasil. Ela sempre vai existir para comemorar o futebol do Brasil e de toda a América Latina. Quero que ela seja um ícone, que as pessoas venham celebrar ali, como ponto de encontro, de festa, de triunfo”, diz ele.
Para o escultor, o monumento carrega algo maior do que a homenagem a um jogador. É um símbolo da relação entre México e Brasil, dois países que, na visão dele, se tornaram mais irmãos depois de 1970.
“O Brasil aqui é muito querido [no México]. Sempre foi. Os jogadores brasileiros são recebidos como se fossem daqui. E essa relação só cresceu”, afirma.
Na visão do artista, a Plaza Brasil pode se tornar um ponto de referência de Guadalajara como a Plaza de la Minerva, um dos principais cartões postais da cidade.
Seu próximo desafio pode ser tão grande como foi eternizar Pelé. Embora ainda esteja correndo de maneira informal, há uma possibilidade de ele criar a escultura de Hugo Sánchez, o maior jogador mexicano de todos os tempos.
“Seria fabuloso para mim fazer um jogador mexicano. Sempre fortalece os laços com a torcida. Mas por enquanto são só palavras, nada concreto”, diz ele.
Por enquanto, Velasco tem o suficiente para se orgulhar: uma “tabelinha” em forma de escultura do Rei do Futebol com a sua assinatura.
*O jornalista viajou a convite da Binance