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Na Orizon, o lixo vira energia renovável e bilhões em receita

Por Redação 29 de junho de 2026 4 min de leitura


Ao anunciar o closing da incorporação da Vital, na primeira quinzena de junho, a Orizon chamou a atenção para um número que vai além de uma receita combinada superior a R$ 4 bilhões.

A empresa está dando um salto de escala, passando a operar 30 aterros sanitários, ampliando sua presença para 15 estados e passando a atender uma população equivalente a cerca de 35% dos brasileiros.

Além disso, mexe na lógica tradicional do setor, que começa no lixo e termina no aterro. A Orizon está criando um caminho próprio com o aterro como início de uma cadeia que parte da recepção do lixo e se transforma em biogás, biometano, energia e créditos de carbono. A última linha desse processo são novas receitas.

“O aterro continua sendo o pilar. Mas é em torno dele que adicionamos diversos serviços”, diz Milton Pilão Júnior, CEO da Orizon, no programa Números Falam, uma parceria entre NeoFeed e CNN Brasil (o programa começa a partir de 14:12).

O movimento representa algo maior do que uma expansão de mercado. A aposta é transformar a Orizon de uma operadora de aterros sanitários em uma plataforma de infraestrutura ambiental e energética, capaz de monetizar o mesmo ativo diversas vezes.

“Daqui a quatro ou cinco anos, a contribuição de receita e margem vinda da energia renovável poderá ser maior do que a do resíduo”, afirma ele no programa que é exibido quinzenalmente no CNN Money.

Nessa lógica da Orizon, ela recebe resíduos, cobra pela destinação adequada e, a partir daí, extrai novas fontes de receita. O biogás gerado pela decomposição do lixo vira biometano. O metano capturado gera créditos de carbono. O gás também pode ser transformado em energia elétrica.

O principal símbolo dessa transformação é o biometano. As duas fábricas que entraram em operação neste ano já produzem cerca de 300 mil metros cúbicos por dia. Mas o potencial total dos ativos da companhia, após a incorporação da Vital, chega a 2 milhões de metros cúbicos diários.

Na visão de Pilão, esse número ainda não é plenamente compreendido pelo mercado. “Não é que as pessoas não olhem para esse número. Elas não conseguem tangibilizar a importância dele na transição energética do país”, diz ele.

O biometano também aparece como o principal motor de crescimento orgânico da companhia para os próximos anos. A Orizon estima colocar uma nova planta em operação a cada trimestre ao longo dos próximos dois anos.

Como os investimentos mais pesados já foram realizados, a expectativa é que essas unidades tragam uma contribuição crescente para a receita e rentabilidade.

O investidor recebeu o primeiro sinal no balanço publicado no primeiro trimestre deste ano. Mesmo em fase inicial de operação, as unidades de biometano entregaram margem bruta de 65%.

Hoje, a tese de investimento da Orizon está associada ao fechamento gradual dos lixões brasileiros, à consolidação do setor e à expansão da destinação adequada de resíduos – o Brasil ainda descarta cerca de 40% dos resíduos de forma inadequada e mantém milhares de lixões em operação.

“Quando um lixão fecha, o lixo precisa ir para algum lugar. E quem estiver mais bem posicionado geograficamente captura esse fluxo”, diz Pilão.

A jornada da Orizon em se transformar em líder nacional via estratégia de buy-and-build ganhou velocidade em 2025, quando a eB Capital passou a integrar o bloco de controle da companhia após uma capitalização de cerca de R$ 1,3 bilhão.

A gestora encontrou uma empresa que já vinha desenvolvendo projetos de biogás, biometano e créditos de carbono desde o IPO em 2021, mas que ainda operava em uma escala muito menor.

A entrada do novo sócio trouxe tanto recursos financeiros como também uma visão de consolidação típica de fundos especializados em construir líderes nacionais em mercados fragmentados.

Em cerca de um ano, os resultados começaram a aparecer. A Orizon colocou em operação novas unidades de biometano, ampliou sua presença geográfica e concluiu a incorporação da Vital, que elevou a companhia a um novo patamar de escala.

Na B3, a ação ORVR3 acumula alta de 13,13% neste ano. O valor de mercado da companhia é de R$ 10,8 bilhões.



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Redação

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