Últimas
Bem-vindo ao FranquiaNews O portal das franquias do Brasil Bem-vindo ao FranquiaNews O portal das franquias do Brasil
IBOVESPA 128.450 ▲ +1,2%
USD/BRL 5,12 ▼ -0,3%
TAXA SELIC 10,5%
ABF INDEX 1.847 ▲ +2,1%
Gestão

Os personagens por trás dos grandes escândalos financeiros que abalaram mercados

Por Redação 12 de julho de 2026 7 min de leitura


Ler o resumo da matéria

O livro “Aventureiros e Larápios” de Roberto Teixeira da Costa e Fábio Pahim Jr. explora as trajetórias de quinze personagens que impactaram o mercado financeiro.

A obra contempla desde pioneiros como o Barão de Mauá até escândalos mais recentes como o que envolve Daniel Vorcaro, passando por Bernie Madoff, Naji Nahas e Sam Bankman-Fried.

Os autores analisam como a autoconfiança excessiva e a dificuldade em reconhecer limites podem levar a grandes realizações, mas também a escândalos financeiros.

Os autores definem como “aventureiros” aqueles que assumem riscos desmedidos. Já “larápios” são os que usam usam fraudes para enriquecer.

Decisões imprudentes e tentativas de ocultar prejuízos podem resultar em colapsos que afetam toda a sociedade.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Inovar, enriquecer ou conquistar prestígio — todos tinham a ambição de ir além, sempre mais longe.

Do pioneirismo do Barão de Mauá ao golpe bilionário de Daniel Vorcaro, passando por Naji Nahas, Bernie Madoff, Eike Batista, Elizabeth Holmes e Sam Bankman-Fried: suas trajetórias revelam como a ousadia e o excesso de confiança podem ser a força por trás de grandes realizações, mas também de fracassos retumbantes e, em alguns casos, de escândalos financeiros e fraudes.

Esses são alguns dos quinze personagens de Aventureiros e Larápios — Histórias de quem abalou ou quase quebrou o mercado, do economista Roberto Teixeira da Costa e do jornalista Fábio Pahim Jr.

O livro reúne a autoridade de quem ajudou a estruturar o mercado de capitais brasileiro — Costa foi o primeiro presidente da CVM — com a experiência de um repórter especializado na cobertura do setor. A obra tem ainda prefácio de Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, e apresentação de Alfredo Virgílio Setúbal, CEO da Itaúsa.

Aventureiros e Larápios nasceu como um desdobramento de Crises Financeiras: Brasil e Mundo (1929-2023), publicado pelos autores em 2023.  “A recepção calorosa ao livro e os comentários positivos recebidos nos estimularam a buscar a origem daquelas crises e o perfil dos empresários mais diretamente envolvidos nelas”, escrevem Costa e Pahim Jr.

Ao investigar a história das grandes rupturas, os autores perceberam que, apesar das diferenças de época, área de atuação e nacionalidade, muitos de seus personagens compartilhavam padrões de comportamento: a autoconfiança desmedida, a dificuldade de reconhecer limites e a crença de que problemas temporários poderiam ser superados.

De um lado, estão os aventureiros: empreendedores que assumiram riscos extraordinários, acreditando no sucesso de suas empreitadas. De outro, os larápios: aqueles que recorreram à mentira para preservar seus negócios ou simplesmente fazer fortuna de forma nada honesta e com enormes prejuízos para o mercado.

“A diferença dos aventureiros para os estelionatários é que estes não arriscam seus eventuais recursos e buscam apenas enriquecer a custo dos investidores incautos, já que conseguem seduzir pessoas com razoável discernimento – o que infelizmente continua acontecendo, com mais frequência do que se pode imaginar”, explicam Costa e Pahim Jr.  Daniel Vorcaro e o escândalo do banco Master comprovam a atualidade da tese dos autores.

Como observa Fraga no prefácio, crises financeiras fazem parte das economias de mercado. Empresas e investidores tomam decisões em um ambiente permanente de riscos e incertezas, alternando períodos de euforia e pessimismo. Quando a realidade finalmente se impõe, surgem colapsos, falências e grandes prejuízos, prossegue ele.

Diante das perdas, alguns tentam esconder a verdadeira situação de seus negócios para preservar a reputação e manter a confiança de investidores e credores. Nesse movimento, negócios promissores viram escândalos, com efeitos que ultrapassam as empresas, ameaçam os mercados ao redor e atingem toda a sociedade.

O caso de Eike Batista é usado pelos autores para mostrar que, embora os personagens do citados por eles compartilhem algumas características, não é possível estabelecer um perfil único que os identifique.

De um dos homens mais ricos do mundo, o fundador do grupo EBX terminou como condenado por crimes de manipulação de mercado, uso de informação privilegiada e corrupção ativa.

“Eike pode ser visto como um visionário, que pensou em projetos espetaculares para o Brasil. Ou como alguém que perdeu quase tudo, pois prometeu a acionistas o que não tinha, e por isso acabou sendo preso”, escrevem Costa e Pahim Jr. “Ou ainda como alguém capaz de dedicar esforços inimagináveis para sair de um dos maiores desastres da história empresarial brasileira.”

Prestígio como ferramenta de golpe

Na galeria de Costa e Pahim Jr., há quem transforme prestígio em ferramenta para a fraude. A pirâmide de Bernie Madoff, por exemplo, só foi possível graças à reputação de seu criador como um dos nomes mais influentes de Wall Street.

Fundador de uma corretora inovadora que ajudou a impulsionar a criação da Nasdaq, ele construiu uma carreira respeitada antes de usar essa credibilidade para esconder prejuízos e sustentar o maior esquema de pirâmide financeira já descoberto. A fraude veio à tona com a crise de 2008, que deixou um prejuízo estimado em US$ 65 bilhões e quase 41 mil vítimas em 127 países.

Com 202 páginas, o livro custa R$ 89,90 (Foto: Editora Portfolio-Penguin)

Outro que tentou tirar vantagem da reputação como gênio das finanças foi Sam Bankman-Fried, fundador da FTX, em 2019. Uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo antes de desmoronar três anos depois, o americano usou os depósitos dos clientes como “cofrinho pessoal”, como definiu a Justiça dos Estados Unidos.

Nem todas as histórias do livro, porém, envolvem a ocultação de prejuízos ou esquemas fraudulentos sofisticados.

O escândalo de Naji Nahas, em 1989, tornou-se um marco para o mercado de ações brasileiro. A partir de uma complexa rede de financiamentos bancários para sustentar posições alavancadas, ele provocou um colapso que levou ao fechamento temporário dos pregões, acelerou a decadência da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro e impulsionou mudanças nas regras de liquidação e garantias do sistema financeiro.

Entre as crises apresentadas por Costa e Pahim Jr., algumas já nasceram como crimes. O caso mais notório é o do português Artur Virgílio Alves Reis. Em 1925, ele falsificou 200 mil notas de 500 escudos — valor equivalente a até 2,6% do PIB do país. Com o dinheiro, criou o Banco Angola e Metrópole para comprar ações do próprio Banco de Portugal, numa tentativa de dar aparência de legitimidade à fraude.

Descoberto meses depois, Alves Reis foi preso, e o escândalo abalou a confiança no sistema financeiro português, agravando a instabilidade política que culminaria na ditadura de Salazar.

A presença do Barão de Mauá na lista de Costa e Pahim Jr. ajuda a explicar que nem toda derrocada nasce da desonestidade. Irineu Evangelista de Sousa foi um dos grandes símbolos da modernização do Brasil no século XIX, com investimentos em ferrovias, bancos, navegação e indústrias.

Sua queda, porém, resultou de uma combinação de ambição excessiva, confiança exagerada na própria capacidade e uma avaliação inadequada dos riscos econômicos, políticos e financeiros.

Sob outra perspectiva, essa mesma lógica aparece na história de Jesse Livermore. Conhecido por sua genialidade em ler o comportamento do mercado e fazer apostas colossais contra a tendência, ao apostar na quebra da Bolsa de Nova York em 1929, ele lucrou US$ 100 milhões. Por falta de gestão de risco, alavancagem excessiva e descontrole emocional, faliu quatro vezes. Na última, cometeu suicídio.

Ao reunir personagens tão distintos, Aventureiros e Larápios mostra que os grandes escândalos financeiros começam muito antes da quebra de mercados ou empresas. Eles nascem nas decisões daqueles que acreditam poder ir além dos próprios limites — e no que fazem quando a realidade se impõe.



Fonte Link

Redação

Veja também

Deixe um comentário

R$ 260bi Faturamento do Setor
180.000+ Unidades Ativas
3.200+ Marcas Franqueadoras
1.3M Empregos Diretos