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Visa impulsiona lucro recorde do J.P. Morgan (e lança “sombra” sobre o Pix)

Por Redação 14 de julho de 2026 6 min de leitura


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O J.P. Morgan Chase reportou lucros trimestrais recordes, com um aumento de 41% no lucro líquido, totalizando US$ 21,2 bilhões, impulsionado por ganhos com sua participação na Visa. O lucro sem esse ganho foi de US$ 16,9 bilhões, superando previsões. Outros grandes bancos, como Goldman Sachs e Citigroup, também apresentaram resultados positivos, com lucros elevados devido ao crescimento nas operações de negociação.

O aumento do lucro do J.P. Morgan, em parte relacionado à Visa, gerou preocupações no Brasil, onde o governo teme tarifas dos EUA sobre o Pix, acusado de práticas comerciais injustas. A investigação do USTR pode resultar em tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros, afetando a política pública do país.

O CEO do J.P. Morgan, Jamie Dimon, alertou sobre riscos econômicos, enquanto outros bancos também reportaram resultados robustos, refletindo um desempenho forte no setor financeiro.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O J.P. Morgan Chase reportou lucros trimestrais recordes que superaram até mesmo o boom da era da pandemia, impulsionados por um desempenho excepcional de seus operadores e ganhos com sua participação nos cartões Visa.

O lucro líquido aumentou 41%, para US$ 21,2 bilhões, incluindo US$ 4,6 bilhões relacionados às suas ações na empresa americana de sistema de pagamentos. Excluindo esse ganho, o lucro líquido foi de US$ 16,9 bilhões, em comparação com a previsão de US$ 16,5 bilhões.

O anúncio foi feito na terça-feira, 14 de julho, juntamente com a divulgação de resultados de outros grandes bancos americanos – incluindo Goldman Sachs, Citigroup, Bank of America e Wells Fargo, todos com aumento expressivo nos lucros do segundo trimestre, impulsionados pelo crescimento de suas operações de negociação de ações.

As taxas de serviços do J.P. Morgan totalizaram US$ 3,3 bilhões, um aumento de 30% em relação ao ano anterior, impulsionadas pelos US$ 75 milhões recebidos pelo trabalho realizado na oferta pública inicial (IPO) da SpaceX em junho. As receitas de negociação cresceram 35%, atingindo US$ 12,1 bilhões, com um aumento de 86% no segmento de ações.

A participação de 21,6% no aumento recorde do lucro líquido trimestral do J.P. Morgan por parte dos cartões Visa amplia os temores do governo brasileiro sobre a investigação conduzida pelo USTR (o órgão de comércio dos EUA), que pode resultar na imposição de tarifas de até 37,5% sobre produtos brasileiros, tendo o Pix como um dos pontos de crítica.

O sistema de pagamento eletrônico gratuito, criado pelo Banco Central, entrou na mira do tarifaço de Trump porque o governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de adotar práticas comerciais “injustificáveis” e “discriminatórias” no setor de pagamentos digitais.

Segundo o relatório da investigação do USTR, o Brasil estaria favorecendo o Pix de forma que “onera ou restringe” empresas americanas que atuam em serviços de pagamento eletrônico, como a Visa. O governo dos EUA deve anunciar até quarta, 15 de julho, uma decisão.

A acusação sobre o Pix faz parte da investigação da Seção 301, que permite aos EUA retaliar países que adotam práticas consideradas desleais. O USTR abriu investigações contra 86 países, incluindo o Brasil.

Há duas investigações em curso. Na primeira, a Casa Branca propõe uma tarifa adicional de 25% por práticas anticoncorrenciais. Em outro relatório, o governo Trump indica uma cobrança adicional de 12,5%, a partir de uma investigação sobre supostas práticas de trabalho forçado.

Na prática, a cobrança, caso seja efetivada, deve incidir sobre 25% do valor exportado aos Estados Unidos, por conta da lista de exceções.

No caso específico do Brasil, há também um componente político na ameaça dos EUA de sobretaxar os produtos brasileiros. O tarifaço virou munição na disputa entre Trump e o presidente Luís Inácio Lula da Silva, e o tema é usado por aliados de Trump, como o candidato oposicionista Flávio Bolsonaro, para pressionar o governo brasileiro.

A narrativa tenta transformar uma disputa regulatória complexa em munição política, reforçando a ideia de que o Brasil estaria isolado e vulnerável diante de Washington. O USTR, ao incluir o Pix no pacote de acusações, amplia o alcance simbólico da medida: não se trata apenas de soja, aço ou carne, mas de um dos maiores casos de sucesso da política pública brasileira nos últimos anos.

Em entrevista ao NeoFeed, o diplomata Marcos Troyjo — ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics, durante o governo Bolsonaro — destacou que o Brasil precisa “evitar transformar o episódio em uma guerra ideológica”, lembrando que disputas comerciais desse tipo costumam ser resolvidas com negociação técnica e pragmatismo.

Para ele, o governo brasileiro deve “defender o Pix sem cair na armadilha de politizar o debate”, porque isso só fortaleceria a narrativa de Trump de que o Brasil estaria se afastando dos EUA.

Lucros elevados

Após o anúncio dos resultados J.P. Morgan Chase, o CEO Jamie Dimon afirmou em comunicado que, embora a economia dos EUA “tenha demonstrado uma resiliência notável este ano, com maior investimento empresarial e contratações”, há obstáculos no caminho.

“Diversos riscos estão se deslocando abaixo da superfície como placas tectônicas, incluindo tensões geopolíticas e guerras, inflação persistente, grandes déficits fiscais globais e preços elevados de ativos”, disse Dimon, acrescentando que esses riscos “podem permanecer administráveis, mas também podem causar perturbações significativas quando se deslocarem ou colidirem”.

O Goldman Sachs também divulgou na terça, 14, resultados do segundo trimestre muito melhores do que o esperado, impulsionados por ganhos expressivos na subscrição de ações e títulos de dívida, com destaque para o IPO da SpaceX de US$ 86 bilhões no final de junho.

O banco informou que os lucros nos três meses encerrados em junho foram de US$ 20,98 por ação, um aumento de 92% em relação ao mesmo período do ano passado e bem acima da previsão de Wall Street de US$ 14,38 por ação. A receita do grupo cresceu 26%.

O Citigroup, por sua vez, anunciou que os lucros aumentaram 45%, para US$ 5,8 bilhões, com o banco de investimento contribuindo para que as receitas atingissem seus níveis trimestrais mais altos em uma década.

O Bank of America também foi impulsionado por um trimestre excepcional em negociações e fusões e aquisições, com lucros 27% maiores, atingindo o recorde de US$ 9,1 bilhões. A receita com negociação de ações cresceu 70%, para US$ 3,6 bilhões.

O Wells Fargo registrou um aumento de 17% nos lucros, atingindo US$ 6,4 bilhões, superando as previsões.



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Redação

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