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A estratégia da Stellantis para enfrentar o avanço chinês no Brasil: mais parcerias com chineses

Por Redação 20 de julho de 2026 4 min de leitura


A Stellantis decidiu usar a tecnologia e a velocidade das montadoras chinesas para responder ao avanço das próprias chinesas no mercado brasileiro. Dona de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën, a companhia pretende aprofundar as parcerias globais com Leapmotor e Dongfeng para ampliar o portfólio de veículos eletrificados, reduzir o tempo de desenvolvimento e alcançar regiões nas quais ainda tem pouca presença nesse segmento.

Durante o evento de comemoração de 50 anos da Fiat, em Betim (MG), Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, resumiu o momento do mercado com uma frase de Charles Darwin. “Não é o mais forte nem o mais inteligente que sobrevive, mas o que melhor se adapta às mudanças.”

Historicamente, a Stellantis costumava desenvolver veículos adaptados às condições, aos combustíveis e às preferências do consumidor local. Com a rápida expansão dos elétricos e híbridos plug-in, porém, a empresa reconhece que essa fórmula não será suficiente para todos os produtos.

“A estratégia de localização sempre funcionou muito bem para nós. Tenho certeza de que, para alguns produtos, ela continuará sendo extremamente eficiente. Para outros, porém, isso não será suficiente”, afirmou Zola, ao NeoFeed.

Nesses casos, a resposta virá das alianças internacionais. “Vamos precisar recorrer a parcerias e a soluções que já desenvolvemos com alguns dos nossos parceiros globais. Isso vai nos permitir trazer ao mercado, de maneira ágil, rápida e competitiva, tecnologias semelhantes às que alguns concorrentes já estão oferecendo”, disse.

A principal frente é a Leapmotor, montadora chinesa na qual a Stellantis adquiriu uma participação e com a qual criou uma joint venture para comercializar veículos fora da China. No Brasil, a marca já opera por meio de cerca de 40 concessionárias. A expectativa é fechar o ano com uma rede de 70 a 80 lojas, levando os modelos para mais regiões do País. A expansão deverá continuar em 2027, acompanhada pela chegada de novos veículos.

Outra peça dessa estratégia é a Dongfeng, tradicional parceira da Stellantis na China. A cooperação pode envolver o compartilhamento de fábricas e o desenvolvimento de modelos destinados não apenas à Europa, mas também à América do Sul e a outros mercados. A lógica é aproveitar escala, plataformas e tecnologias já disponíveis para responder mais rapidamente às mudanças no setor.

Ao mesmo tempo, a montadora anunciou R$ 32 bilhões em investimentos na América Latina até 2030, dos quais R$ 14 bilhões serão destinados ao Polo Automotivo de Betim. Embora responda por aproximadamente 5% das vendas globais da companhia em volume, a América do Sul representa cerca de 18% de seus resultados, segundo Zola.

“Isso mostra o quanto o mercado brasileiro e sul-americano é estratégico para a companhia. Temos uma grande responsabilidade em desenvolver produtos que façam sucesso na região”, afirmou.

O aporte será usado para modernizar fábricas, instalar novas tecnologias e preparar a produção de novos veículos. Em Betim, um terceiro turno será implantado para que o complexo, que completa 50 anos e já produziu mais de 18 milhões de veículos, possa chegar ao total da sua capacidade produtiva, que é de 650 mil veículos por ano.

A fábrica mineira também deverá deixar de ser identificada exclusivamente com a Fiat. A intenção é ampliar a integração industrial e produzir em Betim veículos de diferentes marcas do grupo.

Ainda em conversa com o NeoFeed, Zola fez uma crítica ao ambiente regulatório brasileiro, que, na avaliação dele, favorece veículos produzidos fora do País. Mesmo quando parte da montagem é realizada no Brasil, afirmou o executivo, alguns projetos não incorporam de maneira relevante fornecedores e componentes nacionais.

“O que a gente observa é um modelo de negócio que favorece aquilo que é produzido fora do Brasil. Ainda que uma parcela desses produtos seja montada aqui, estamos falando de programas que não envolvem uma dinâmica de produção que utiliza a cadeia de suprimentos local”, disse Zola.

Para o executivo, essa dinâmica pode colocar em risco a cadeia automotiva nacional e deveria ser observada pelo governo. “Isso precisa ser observado pelo governo, porque traz riscos para a cadeia nacional, que é muito representativa”, afirmou.



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Redação

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