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Bilionário britânico avança sobre Hugo Boss e supera fronteira que torna OPA obrigatória

Por Redação 21 de julho de 2026 6 min de leitura


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A Frasers Group, do bilionário britânico Mike Ashley, elevou sua participação votante na Hugo Boss de 26,06% para 30,28% após exercer opções sobre 2,55 milhões de ações, cruzando o limite que obriga uma OPA pela lei alemã. O grupo já mantém desde 10 de junho uma oferta de €38 por ação, preço declarado final e válido até 27 de julho.

O conselho da Hugo Boss recomendou por unanimidade a rejeição, considerando a proposta financeiramente inadequada. Com a ação fechando a €38,02 na segunda-feira, a oferta praticamente não traz prêmio. A Frasers investe na Hugo Boss desde 2020 e se apresenta como acionista de longo prazo e parceira comercial da grife.

Caso a OPA termine sem adesão relevante, poderá permanecer com pouco mais de 30% e seguir comprando no mercado sem nova oferta obrigatória. A estratégia repete o estilo de Ashley: acumular posições relevantes, pressionar empresas e evitar pagar prêmio de controle, como fez em Mulberry e Asos.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A Frasers Group, controlada pelo bilionário britânico Mike Ashley, ultrapassou a marca de 30% do capital votante da Hugo Boss, cruzando o limiar que torna mandatória, pela lei alemã, a oferta pública de aquisição.

Segundo comunicado da própria Frasers, o grupo adquiriu mais 2.549.900 ações — cerca de 3,69% do capital — após o exercício de opções de venda por contrapartes em 17 de julho, elevando sua participação total de 26,06% para 30,28%.

A Frasers já tem uma oferta pública para a aquisição da Hugo Boss aberta desde 10 de junho, no valor de € 38 por ação – algo em torno de € 2,2 bilhões. Em 25 de junho, a companhia britânica confirmou que esse preço era final e não seria elevado durante os períodos de aceitação.

A proposta segue aberta desde então, com prazo para os acionistas aceitarem até 27 de julho, à meia-noite (horário de Frankfurt).

O conselho de administração e o de supervisão da Hugo Boss recomendaram, de forma unânime, que os acionistas rejeitem a oferta, classificando-a como “financeiramente inadequada” e alegando que o preço não reflete o valor intrínseco nem o potencial de criação de valor de médio e longo prazo da companhia.

O CEO da Frasers, Michael Murray, membro do conselho de supervisão da Hugo Boss desde 2025, não participou da discussão do board sobre a oferta.

Considerando a cotação de fechamento de € 38,02 registrada na segunda-feira (20/jul), a oferta de € 38 por ação já está, na prática, sem nenhum prêmio. O quadro era diferente no momento do anúncio da oferta, quando a ação era negociada a € 36,46.

Com a notícia, os papéis saltaram 9% no pregão seguinte e chegaram a tocar € 40,52 na máxima intraday, sinalizando alguma esperança por parte do mercado de que a proposta seria melhorada – o que não se confirmou.

Depois que a Frasers cravou o preço como final e a Hugo Boss recomendou a rejeição, a ação devolveu os ganhos e passou as últimas semanas estacionada na faixa entre € 37,50 e € 38.

Com o conselho recomendando a rejeição, os próprios conselheiros declarando que não venderão suas ações e o papel negociando colado nos € 38, o cenário desenhado é o de a Frasers permanecer como acionista dominante, com pouco mais de 30%, sem o controle total.

Cumprida a exigência com a oferta atual, a Frasers fica livre para seguir comprando ações no mercado aberto daqui em diante, sem precisar lançar nova oferta obrigatória — e sem nunca pagar prêmio de controle.

Namoro de anos

A Frasers Group já é, de longe, a principal acionista da Hugo Boss. A companhia britânica começou a comprar ações da grife alemã em junho de 2020, mas nunca havia cruzado a marca dos 30% que torna a OPA obrigatória.

No fim de 2022, a exposição total da Frasers à Hugo Boss chegou a superar 30%, mas a maior parte estava estruturada em opções de venda, que não conferem direito a voto e, portanto, não contam para o gatilho da lei alemã.

A posição foi em grande parte desfeita ao longo de 2023, após a valorização do papel, e remontada a partir de 2024, quando as ações da Hugo Boss acumulavam queda de mais de 25% no ano.

Ao longo desse período, a relação entre as duas companhias foi muito além da posição acionária. A Hugo Boss, vendida nas redes premium da Frasers, é descrita pela própria Frasers, no comunicado da oferta, como “uma parceira-chave” e uma das cinco maiores marcas de todo o grupo.

No comunicado da oferta, a Frasers também se definiu como “investidora de longo prazo” e disse seguir apoiando tanto o CEO Daniel Grieder quanto o presidente do conselho de supervisão, Stephan Sturm, em sua estratégia de crescimento.

Estilo Mike Ashley

O modelo agressivo de negociação é uma marca registrada de Mike Ashley. O bilionário britânico, que fundou a Sports Direct em 1982 e construiu a partir dela um império de varejo com cerca de 1.500 lojas em 20 países, tem um histórico extenso de investidas sobre varejistas e marcas de moda. Compra quase sempre na baixa, pagando o mínimo possível e usando a pressão da posição acionária como ferramenta de barganha.

Foi assim na Mulberry, grife britânica de bolsas de luxo, em 2024, quando a Frasers fez duas propostas na casa de centavos por ação – também rejeitadas pelo conselho. A Frasers segue como grande acionista sem o controle, com cerca de 37% do capital.

Na Asos, o grupo foi comprando até virar o maior acionista, mas estacionou em 29,26% — deliberadamente abaixo dos 30% que, também pela regra britânica, o obrigariam a fazer uma oferta por toda a companhia.

O estilo combativo de Ashley já rendeu até episódio de espionagem corporativa. Em maio deste ano, em entrevista ao Financial Times, o bilionário admitiu ter orquestrado, em 2021, a filmagem secreta de um encontro entre Peter Cowgill, então chairman da rival JD Sports, e o CEO da Footasylum, num estacionamento em Bury, na Inglaterra. As duas empresas estavam proibidas de trocar informações sensíveis, devido à tentativa da JD de comprar a Footasylum.

O vídeo, gravado por associados de Ashley e vazado à imprensa, detonou uma investigação do órgão antitruste britânico, multas de quase £ 5 milhões e a queda de Cowgill. Segundo o FT, o executivo chegou a encontrar rastreadores no próprio carro. Ashley não demonstrou arrependimento: “Ele não deveria estar no estacionamento, e talvez eu não devesse estar nos arbustos.”



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Redação

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