Queda de braço bilionária entre Novo Nordisk e Eli Lilly pelas canetas emagrecedoras vai para o tribunal
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A Novo Nordisk processou a Eli Lilly na Justiça Federal de Nova Jersey, acusando-a de veicular propaganda “deliberadamente falsa” sobre a eficácia de seus medicamentos para emagrecimento, Zepbound e Mounjaro, em comparação com Wegovy e Ozempic.
A Novo Nordisk alega que a Eli Lilly omitiu as versões mais potentes de seus produtos nas comparações, mesmo após a aprovação de uma nova dose de 7,2 mg do Wegovy. A empresa dinamarquesa enviou uma notificação extrajudicial em abril, mas, sem resposta satisfatória, decidiu levar o caso ao tribunal. A Novo Nordisk busca uma liminar para proibir os anúncios da Eli Lilly, uma campanha corretiva e indenização pelos lucros obtidos com a publicidade contestada.
No Brasil, a Novo Nordisk tenta recuperar mercado após perder vendas para o Mounjaro, mas a disputa entre as empresas se limita às prateleiras, já que a propaganda de medicamentos sob prescrição é proibida.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A rivalidade entre a dinamarquesa Novo Nordisk e a americana Eli Lilly, as duas maiores fabricantes de medicamentos para obesidade do mundo, está saindo do terreno comercial e entrando nos tribunais.
Na terça-feira, 21 de julho, a Novo Nordisk acionou a Justiça Federal de Nova Jersey acusando a Eli Lilly de veicular propaganda “deliberadamente falsa” sobre a eficácia de seus medicamentos para emagrecimento e diabetes.
A alegação da companhia dinamarquesa é que as campanhas publicitárias de Zepbound (não disponível no Brasil) e Mounjaro comparam as doses mais altas aprovadas de seus remédios com doses mais baixas de Wegovy e Ozempic.
O problema, segundo a Novo Nordisk, é que a EliLilly deixou, deliberadamente, as versões mais recentes e mais potentes de Wegovy e Ozempic já disponíveis no mercado americano de fora da comparação para o consumidor.
Em março, o FDA (a agência regulatória americana equivalente à brasileira Anvisa) aprovou uma dose de 7,2 mg do Wegovy, a mais alta já autorizada para o produto. Embora o Zepbound tenha superado o Wegovy em um teste direto relatado em um estudo, ele foi realizado antes da nova dose passar a vale.
Segundo a Novo Nordisk, mesmo ciente dessa mudança, a Eli Lilly continuou anunciando o Zepbound como superior ao seu produto na comparação. Em abril, a empresa dinamarquesa enviou uma notificação extrajudicial pedindo a suspensão da publicidade. Como não teve resposta considerada “satisfatória”, decidiu levar o caso para os tribunais.
“Você não pode usar um aviso enganoso para consertar uma propaganda enganosa”, afirmou John Kuckelman, vice-presidente sênior e diretor jurídico da Novo Nordisk, ao Financial Times.
Segundo ele, a Eli Lilly chegou a inserir uma nota de rodapé sobre a existência da dose mais alta do Wegovy, mas Kuckelman a descreveu como “ambígua, confusa, praticamente ilegível e totalmente inadequada” para informar o consumidor.
De acordo com o relato da Novo Nordisk, os comerciais de tevê do Zepbound já acumularam mais de 700 milhões de impressões desde o fim de abril. E, nos cálculos da empresa, essa é uma escala do prejuízo competitivo sofrido por ela.
Com base no Lanham Act (a principal lei americana contra concorrência desleal e propaganda enganosa), a Novo Nordisk pede à Justiça uma liminar proibindo a Eli Lilly de continuar veiculando as campanhas; a obrigatoriedade de uma campanha com a correção das informações sobre as canetas emagrecedoras; e uma indenização de “todo e qualquer lucro” obtido com a publicidade contestada.
Além disso, a empresa dinamarquesa sinalizou que se a rival americana não retirar os anúncios voluntariamente deve entrar nos próximos dias com um pedido de liminar para suspendê-los imediatamente enquanto o processo corre no tribunal.
As ações da Eli Lilly acumulam alta de cerca de 6% em 2026 e de 49% em 12 meses, enquanto os papéis da Novo Nordisk recuam por volta de 3,5% no ano e caem 24% no período de um ano.
E no Brasil?
No Brasil, a Novo Nordisk vem buscando recuperar terreno após perder a liderança das vendas no mercado local para o Mounjaro.
No acumulado de 12 meses, até maio de 2025, o Mounjaro vendeu R$ 8,5 bilhões enquanto Wegovy e Ozempic, juntos, R$ 4,8 bilhões, segundo dados da consultoria Close-Up International.
E como mostrou o NeoFeed, a empresa dinamarquesa buscou a venda direta das canetas emagrecedoras em uma plataforma própria, sem passar pelas farmácias.
Mas no mercado brasileiro essa briga entre as multinacionais continuará apenas nas prateleiras. O modelo regulatório nacional proíbe a propaganda de medicamentos vendidos sob prescrição médica dirigida ao público em geral.
Além de tudo, o Zepbound, item central da ação na Justiça americana, ainda não tem registro para emagrecimento no País. A Anvisa aprovou até agora apenas o Mounjaro para diabetes tipo 2, inclusive em versão multidose e para uso pediátrico, mas não a versão para perda de peso.