Terremoto pressiona economia fragilizada da Colômbia e amplia desafio do novo presidente
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Um terremoto de 7,4 graus na Colômbia causou caos e destruição, resultando em mais de 180 mortes e 1.300 feridos, além de centenas de desaparecidos. O novo presidente, Abelardo de la Espriella, que assumiu três dias antes do desastre, decretou estado de emergência e coordena os esforços de resgate. As cidades de Cali, Pereira e Manizales foram severamente afetadas, com danos a hospitais e escolas.
Espriella, sem experiência política, enfrenta o desafio de governar um país dividido e com uma economia em crise, herdando um déficit fiscal elevado e uma dívida pública crescente. Ele prometeu combater a violência armada e a criminalidade, além de retomar a exploração de petróleo. O governo dos EUA ofereceu assistência humanitária, mas Espriella também intensificou ações militares contra grupos armados, mantendo sua agenda de segurança rigorosa.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Caos, desespero e devastação. Um dia após o terremoto de 7,4 graus na escala Richter que sacudiu o oeste da Colômbia, um novo tremor de 3,8 graus atingiu na manhã de terça-feira, 11 de agosto, a cidade de San José del Palmar, epicentro do tremor da véspera, ampliando os efeitos da pior tragédia a atingir o país vizinho em décadas.
Mais de 180 corpos foram resgatados dos escombros nas primeiras horas de terça. O número de feridos – pelo menos 1,3 mil – e de desaparecidos, contados às centenas, deve subir ao longo dos próximos dias.
Para o presidente Abelardo de la Espriella – um líder de extrema direita de forte apelo populista e sem experiência política, que havia assumido o cargo apenas três dias antes do primeiro tremor com a promessa de restaurar a ordem e fortalecer o Estado -, a tragédia representa um teste precoce de liderança, capacidade de articulação e eficiência administrativa.
Eleito após uma campanha polarizada, Espriella já enfrentava o desafio de governar um país profundamente dividido e sem maioria no Congresso – seu partido detém apenas 22 cadeiras na Câmara dos Deputados e 12 no Senado.
Ele venceu a eleição de junho por menos de um ponto percentual, derrotando o senador Iván Cepeda, membro do partido de esquerda Pacto Histórico, fundado e liderado pelo agora ex-presidente Gustavo Petro, que se recusou a aceitar o resultado eleitoral.
O novo presidente colombiano herdou uma economia com péssimos indicadores deixada pelo antecessor. O déficit fiscal é estimado entre 7% e 8% do PIB, acima dos níveis relatados pelo governo anterior. A dívida pública ultrapassou 60% do PIB e as agências Moody’s e S&P rebaixaram a classificação de crédito do país para bem abaixo do grau de investimento.
Espriella fez campanha com uma plataforma que combinava uma agenda de segurança linha-dura, um Estado menor, ampliação da base tributária e forte retomada da exploração de petróleo, com o objetivo de dobrar a produção para 1,3 milhão de barris por dia.
A economia, porém, deverá demorar para se recuperar. Antes da posse do novo presidente, o Fundo Monetário Internacional projetava um crescimento real do PIB colombiano de 2,3% em 2026 e uma inflação média ao consumidor de 5,9%. Espriella prometeu fazer cortes fiscais, mas essa intenção deve ser deixada de lado após o terremoto.
Apesar de não ter experiência política anterior, o novo presidente colombiano é muito conhecido no país. Fundador do partido político Defensores da Pátria (DPP) há dois anos, Espriella – que tem nacionalidade americana e italiana e morou durante anos em Miami – ficou famoso como advogado criminalista polêmico, cujos clientes incluíam acusados de tráfico de drogas que enfrentavam extradição, líderes paramilitares e empresários acusados de lavagem de dinheiro.
Mesmo assim, durante a campanha, no melhor estilo populista, Espriella prometeu atacar a violência que castiga a Colômbia há décadas – com profusão de grupos armados guerrilheiros de esquerda e de paramilitares de direita, ambos lutando pelo controle do tráfico de cocaína e pelo aumento da mineração ilegal de ouro e outros minerais – como sua prioridade número um.
Anunciou uma campanha militar para retomar todo o território do país “das mãos dos bandidos” em três meses. Também se comprometeu a construir dez megaprisões para combater a criminalidade semelhantes às erguidas por outro ídolo da extrema direita latino-americana, o presidente Nayib Bukele, de El Salvador.
De quebra, disse estudar pela saída da Colômbia da ONU, da Organização dos Estados Americanos e da Corte Interamericana de Direitos Humanos, instituições que, segundo ele, representam um entrave para o desenvolvimento do país.
Chocó, região atingida pelo terremoto perto da vila de San José del Palmar, virou espécie de símbolo do desafio de Espriella: tornou-se nos últimos anos um ponto crítico de confrontos entre dois dos grupos armados mais poderosos da Colômbia – o Exército de Libertação Nacional (ELN), um grupo rebelde com décadas de existência e raízes de esquerda, e o Clã do Golfo, com ligações paramilitares de direita.
Em seu discurso de posse, o novo presidente deixou claro que a opção de negociação com esses grupos armados havia sido “completamente esgotada”. Por isso, Espriella aposta na promessa do colega americano Donald Trump de acelerar a cooperação militar, como parte de seu esforço regional para combater os cartéis.
O Departamento de Estado anunciou no mesmo dia que ofereceria à Colômbia US$ 1 bilhão em assistência como parte de uma “nova era nas relações bilaterais”. Mas o primeiro lote de ajuda, de US$ 79 milhões, será destinado para ajuda humanitária e reconstrução das áreas atingidas pelo terremoto.
O presidente colombiano, porém, manteve sua promessa: mesmo com o país às voltas com a busca de sobreviventes, o Exército bombardeou na madrugada de terça, 11, uma base do ELN na região de Santander, no nordeste colombiano, próxima da fronteira com a Venezuela.
Emergência nacional
A região atingida pelo terremoto inclui três grandes cidades colombianas — Cali, Pereira e Manizales —, o que explica o elevado número de prédios reduzidos a escombros (mais de 150), além de danos generalizados, que atingiram 5 mil residências, dezenas de hospitais e pelo menos 50 escolas em cidades e vilarejos. O tremor foi sentido também em Medellín, segunda cidade do país, na capital, Bogotá, e até em Manaus, no Brasil.
Depois de decretar estado de emergência nacional, o Espriella decidiu coordenar pessoalmente a força-tarefa encarregada dos trabalhos para a busca de sobreviventes, visitando várias cidades atingidas.
Dirigindo-se às pessoas nas áreas mais afetadas – ao redor do epicentro, no estado de Chocó, na região ao longo da costa do Pacífico que abriga uma grande população afro-colombiana e comunidades indígenas conhecida como Eixo Cafeeiro — , Espriella disse: “Vocês não estão sozinhos”.
Em Cali – terceira maior cidade colombiana, com 2,4 milhões de habitantes – o impacto foi devastador: 95 mortos, centenas de feridos e ao menos 30 estruturas colapsadas, muitas ainda com vítimas sob os escombros. Hospitais atingiram a capacidade máxima, com unidades parcialmente destruídas e pacientes sendo transferidos para tendas improvisadas. Saques foram registrados na madrugada.
Outra grande cidade, Pereira – de 800 mil habitantes e situada no coração do Eixo Cafeeiro -, onde foram registradas mais de 70 mortes, o aeroporto e uma catedral ficaram seriamente danificados.
Já Manizales, com população de 400 mil pessoas, embora o número de vítimas seja menor, a destruição foi significativa: cinco mortes foram confirmadas, além de danos estruturais em diversas edificações. A cidade enfrenta dificuldades de acesso e interrupções em serviços essenciais.
Mas o desafio do novo presidente vai além da resposta imediata. A tragédia expõe fragilidades históricas da infraestrutura urbana colombiana, especialmente em regiões densamente povoadas e com forte presença de grupos armados ligados ao narcotráfico.