Empresa familiar vendia doces para bares e hoje fabrica 2,2 mil toneladas de tapioca por ano
A família Barreto é dona da Akio desde 1990, quando comprou a empresa do antigo proprietário, que voltou para o Japão, sua terra natal. Paulo César Barreto, 57, que não está mais no negócio, e Sueli Barreto, 61, CFO, pais de José, vendiam doces para bares. Eles viram no pequeno negócio – que, na época, comercializava alho a granel e empacotado – uma oportunidade de se estabilizarem.
O empreendimento foi se desenvolvendo aos poucos. Mas foi em 2008 que a Akio mudou de patamar, quando a família passou a produzir tapioca. “Fomos uma das primeiras marcas a fabricar o produto e distribuir em São Paulo e proximidades. Na ocasião, ele só era encontrado em casas especializadas em comidas do Norte e Nordeste. Como era inovador, construímos o mercado de tapioca”, afirma José Barreto. Hoje, a Akio produz cerca de 2.200 toneladas de tapioca por ano.
O negócio começou em casa, um sobrado na Zona Central da capital paulista, onde a parte de cima funcionava como moradia e a de baixo, como fábrica. Em pouco tempo, precisou de mais espaço. O patriarca foi comprando terrenos no entorno e erguendo pequenos galpões. Até que a operação ficou inviável e eles se mudaram para um galpão maior em Guarulhos, Grande São Paulo, onde estão até hoje.
A tapioca, ponto de virada do negócio, é o carro-chefe da Akio Produtos Alimentícios e representa 60% do faturamento – que, em 2025, foi de cerca de R$ 30 milhões. Até junho deste ano, com incremento na automação da fábrica, Barreto afirma que deve aumentar em 50% a capacidade produtiva da tapioca. Juntamente com outros produtos, espera crescer 10% em faturamento em 2026.
Além desse item, a empresa trabalha com vários outros. O alho roxo continua sendo uma das estrelas do portfólio. “Quando voltei para a Akio, vim focado em fazer essa linha se tornar autoridade no mercado, porque trabalhamos com matéria-prima de qualidade, um diferencial em relação ao produto importado, em geral mais barato, mas que tem menos sabor e aroma. Somos uma das cinco marcas mais consumidas do mercado”, explica o CEO.
É nessa linha que Barreto, junto com a engenheira de alimentos da Akio, desenvolve boa parte das inovações, como o alho roxo em pó (lançado há um mês) e os temperos prontos à base de alho para aves, bovinos e pescados. “Logo mais vamos lançar o tempero para suínos”, conta. Barreto aposta neles como solução para facilitar a vida de quem cozinha.
Outra novidade que deve estrear em breve é o e-commerce próprio, que pretende comercializar primeiramente a pasta de amendoim da Akio. Ela foi criada para oferecer uma opção saudável para rechear a tapioca, e leva apenas amendoim triturado, sem adição de açúcar. Na sequência, deve incluir os demais produtos, muitos dos quais já são vendidos em marketplaces e plataformas de varejo digitais como Amazon, Shopper e Daki.
Embora atenda grandes clientes, redes de supermercadistas regionais, atacados e distribuidores, o foco principal da Akio são os pequenos e médios varejistas. Para Barreto, com eles é possível estabelecer maior contato e ter mais abertura para negociar ações para promover seus produtos. Aliás, o CEO, em pessoa, gosta de ficar à frente da “operação kombi-cozinha”. É um veículo estilizado que ele leva para pontos de venda e oferece aulas de culinária para os clientes aprenderem receitas com tapioca e fazer renda extra. É mais um jeito de divulgar sua marca.
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