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Filme revive o gênio Michael Jackson, mas evita suas sombras

Por Redação 26 de abril de 2026 7 min de leitura


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Durante a gravação do videoclipe de “Thriller” em 1983, Michael Jackson pediu ao diretor John Landis que evitasse closes, seguindo a filosofia de Fred Astaire sobre a dança.

A cinebiografia “Michael” retrata sua transição de cantor mirim para ícone solo, com foco em suas influências artísticas e momentos marcantes, como a coreografia de “Beat It” e a estreia do “moonwalk”.

O filme, dirigido por Antoine Fuqua e produzido por Graham King, é elogiado por suas performances musicais, mas criticado por Paris Jackson, filha do cantor, por ser “suavizado” e “impreciso”.

Embora aborde a relação tóxica com seu pai, ignora as acusações de abuso sexual que surgiram posteriormente.

A produção termina em 1988, antes das controvérsias, e promete uma continuação que pode explorar esses aspectos. “Michael” é uma celebração do legado do cantor, atraindo fãs com recriações detalhadas de suas performances icônicas.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Durante a gravação do videoclipe de Thriller, em 1983, Michael Jackson teria pedido ao diretor John Landis para filmar o número de dança com os zumbis com um plano geral, evitando os closes. “Fred Astaire acreditava que, sem ver os pés, o público não se sentia realmente assistindo à dança”, teria dito o “rei do pop”.

O momento é reconstituído na cinebiografia Michael, com foco na sua transição de cantor mirim, na banda da família, à carreira solo – terminando com o show da turnê Bad, em 1988, em Londres. Ao longo do período, são muitos insights sobre as influências artísticas, o processo criativo e um pouco da formação do ícone que revolucionou a cena musical nos anos 1980.

No filme que acaba de chegar aos cinemas, vemos como nasceu a fixação do astro pelo personagem Peter Pan e também os filmes hollywoodianos antigos que Jackson mais gostava de assistir na TV, acompanhado da mãe. Entre os preferidos, estavam os clássicos de Charles Chaplin, de Fred Astaire e dos Três Patetas.

Um momento recorda como o astro chegou à coreografia do clipe de Beat It (1983), trabalhando com dançarinos de rua e membros de gangues rivais. Também é reencenada aqui a primeira vez que os pés de Jackson fizeram publicamente o famoso passo moonwalk, em um especial de TV, em 1983, tornando-se a sua assinatura nos palcos.

Esse é o aspecto mais interessante do filme, que foge das polêmicas e se dedica mais a celebrar o legado do cantor.

Michael foi feito sob medida para os fãs, brindando-os com longas performances musicais, deixando a plateia com vontade de levantar da cadeira e sair dançando.

Trata-se de um projeto de longa data do produtor musical Graham King, o responsável pela cinebiografia de Freddie Mercury, Bohemian Rhapsody, que ultrapassou US$ 910 milhões de bilheteira ao redor do mundo e conquistou quatro estatuetas do Oscar.

King garantiu os direitos sobre a vida e a música de Jackson com o espólio administrado por John Branca e John McClain, que atuam aqui como produtores.

Com direção de Antoine Fuqua, mais conhecido pelo policial Dia de Treinamento (2001), Michael contou com o envolvimento da maior parte da família do artista. Para começar, Jaafar Jackson, sobrinho do cantor e filho de Jermaine Jackson, é quem o interpreta na fase adulta.

E seu trabalho tem sido elogiado não só por sua semelhança física, mas por imitar com perfeição o jeito de falar e de dançar do tio. Já o pequeno Jackson é interpretado pelo ator mirim Juliano Krue Valdi, que também impressiona pela energia contagiante ao subir a um palco, na ascensão dos Jackson 5.

Jaafar Jackson, sobrinho do astro, tem sido elogiado por imitar com perfeição o jeito de falar e de dançar do tio (Foto: Divulgação)

O ator Juliano Krue Valdi vive o artista quando criança (Foto: Divulgação)

O longa acompanha o artista da transição de cantor mirim na banda Jackson 5 à carreira solo (Foto: Divulgação)

O filme traz os maus tratos que Jackson sofreu na mão do pai, Joe Jackson, interpretado por Colman Domingo (Foto: Divulgação)

Na gravação do videoclipe de “Thriller”, Jackson teria pedido para que, na coreografia com os zumbis, evitassem os closes: “Fred Astaire acreditava que, sem ver os pés, o público não se sentia realmente assistindo à dança”, teria dito (Foto: Divulgação)

Da família, quem torce o nariz para a cinebiografia é a filha do cantor, Paris Jackson (da união com Debbie Rowe). A herdeira critica o projeto publicamente por considerá-lo “suavizado”, “desonesto”, “impreciso” e “mentiroso”. Em suas palavras, grande parte do filme agrada a uma parcela específica dos fãs de Jackson, “aqueles que ainda vivem na fantasia”.

Michael é o que se chama em Hollywood de um filme “higienizado”, por mais que o título aborde os maus-tratos que o cantor sofreu nas mãos do pai.

Ele era vítima de violência física e psicológica, em nome do sucesso musical da família, o que explica, de certo modo, a sua obsessão por Peter Pan. Tratado quase como um escravizado dentro de casa, principalmente na infância, o menino recorria ao livro de J.M. Barrie para escapar da realidade.

Mas, mesmo retratando a relação tóxica com o pai (vivido aqui pelo ator Colman Domingo), a produção segue o caminho mais seguro das cinebiografias. Ou seja, o roteiro escrito por John Logan protege a imagem do ídolo a todo custo.

Jackson é pintado como um rapaz ingênuo e assexuado, preferindo viver na companhia de chimpanzés, girafas ou cobras, que ele não definia como bichos de estimação. E sim, “amigos”. Provavelmente daí venha a crítica de “terra da fantasia”, feita pela filha do cantor.

O lado B da vida do astro, que inclui acusações de abuso sexual infantil, é ignorado. O recorte escolhido parece proposital para a omissão, já que a cinebiografia termina no meio da sua primeira turnê mundial como artista-solo, em 1988.

As primeiras alegações de pedofilia surgiram em 1993. Foi neste ano que o dentista Evan Chandler acusou o astro de ter molestado sexualmente o seu filho, Jordan Chandler, na época com 13 anos. O caso terminou com um acordo amigável, no valor de mais de US$ 20 milhões.

Há boatos sobre um segundo filme sobre Jackson, que retomaria a história do cantor do ponto em que ela parou aqui. Se uma continuação for confirmada, ficará muito mais difícil evitar as passagens mais controversas de Jackson, morto precocemente em 2009, aos 50 anos, vítima de intoxicação por medicamentos.

Por enquanto, Michael vale mesmo o ingresso para os fãs fervorosos. Principalmente se a ideia é reviver algumas das melhores apresentações do astro, no auge de sua popularidade. As recriações de clipes musicais e de performances são minuciosas, reproduzindo tomada por tomada e passo a passo.

Dá quase para sentir a mesma eletricidade das cenas originais, com destaque para a performance de Billie Jean, no especial Motown 25: Yesterday, Today, Forever, gravado em 1983.

Com um paletó preto de lantejoulas, luva branca com cristais na mão esquerda e calças curtas que chamavam a atenção para os mocassins pretos e as meias brancas brilhantes, Jackson hipnotizou o mundo com o moonwalk. E o momento entrou para a história como um dos mais emblemáticos da música e da cultura pop.



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Redação

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