Oncoclínicas tem prejuízo de R$ 3,67 bi, e diretores falam em ‘incertezas’ sobre continuidade operacional
A maior parte dos valores devidos, R$ 3,2 bilhões, tem como origem empréstimos e financiamentos tomados pela Oncoclínicas. Débitos a fornecedores, que somam R$ 1,10 bilhão, aparecem em seguida, e são os números que explicam os efeitos da crise da companhia: no elo mais fraco, pacientes relatam adiamentos nas sessões de quimioterapia, radioterapia e imunoterapia em unidades da rede.
Em parecer sobre os números, a consultoria Deloitte afirmou que o resultado é “decorrente principalmente do não atingimento de determinados índices financeiros estabelecidos em contratos de empréstimos, financiamentos e debêntures, o que resultou na reclassificação de parcela relevante da dívida para o passivo circulante, e pode ensejar o vencimento antecipado e a exigibilidade dessas obrigações pelos credores, e coloca pressão relevante de liquidez na Companhia”.
“O aumento do índice de endividamento total da companhia se deu, principalmente, por conta das condições macroeconômicas apresentadas durante 2025, como, por exemplo, o aumento da taxa de juros e o aumento do índice de inadimplência nas operações mantidas para venda, o que acabou ocasionando a deterioração dos índices apresentados”, continua o relatório.
A NewCo, nome desenhado para o negócio, ficaria sob controle da Porto, que teria pelo menos de 30% do capital do negócio. Parte da dívida atual da Oncoclínicas poderia ser transferida para essa nova empresa. A proposta ainda está em negociação, que tem previsão de durar até o dia 13. Até lá, a Oncoclínicas não pode negociar tratativas com outros atores.
Outra possibilidade é uma oferta de R$ 500 milhões do Mak Capital Fundo, fundo de investimentos americano que têm 6,3% dos papéis da companhia. O aporte, porém, está condicionado a convocação de uma assembleia geral extraordinária para, entre outras medidas, tratar da destituição dos membros do conselho de administração. A sessão está prevista para o dia 30 de abril.
A pensionista Sueli de Lima Gazoni, de 57 anos, tinha uma sessão de imunoterapia agendada para a última semana numa unidade da rede no Rio. O tratamento, porém, foi adiado para esta quinta-feira mas na véspera a filha dela, Juliana Rocha, foi avisar por mensagem que a sessão seria novamente reagendada pela falta do medicamento.
— O paciente oncológico já está sujeito a certos adiamentos, seja por um exame que não está bom, ou para o corpo se recuperar. Adiar por não ter o medicamento, numa clinica oncológica, é algo surreal — reclama Juliana. — É câncer, e não gripe ou dor de cabeça. É uma doença que desgasta o paciente, a família e agora ela ainda tem que lidar com isso. Me sinto numa mistura de impotência, raiva e muito medo.
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