Artesã de Maceió viraliza ao produzir cadeiras de praia para a Copa 2026; peça custa R$ 740
A trajetória de Espíndola com as artes manuais começou cedo, observando a mãe bordar para entreter as filhas. Em 2014, ela deu o primeiro passo no empreendedorismo com uma loja virtual para vender diversas manualidades. No entanto, o foco nas cadeiras surgiu apenas entre 2019 e 2020, motivado por uma necessidade local. “Como moro em uma cidade de praia, é muito comum o assento das cadeiras comerciais rasgar pela exposição ao sol. Comecei fazendo reformas para mim e, pelo fato de ser artesã, as pessoas passaram a me procurar”, conta.
A solução veio do repertório multidisciplinar de Espíndola. “O saber fazer várias manualidades me ajudou. Desenvolvi uma técnica nova, híbrida, e consegui fazer a bandeira com as estrelinhas e o acabamento perfeito”, explica. Enquanto uma cadeira de cor única leva de seis a sete horas para ser produzida, o modelo da bandeira do Brasil exige cerca de dois dias de trabalho exclusivo. “A parte azul é feita ponto a ponto. O que demora é o acabamento, que é o meu diferencial.”
“Meu intuito não é lucrar absurdos, mas que minha arte chegue ao maior número de pessoas. Trabalho apenas sob encomenda e não tenho pronta entrega, pois o que me motiva é criar, e não a linha de produção”, diz Espíndola. Atualmente, ela produz uma média de quatro cadeiras por semana, sendo que o faturamento garante o sustento integral da artesã.
A visibilidade digital converteu-se em fila de espera. Desde a postagem do vídeo viral, em 29 de março, quatro cadeiras temáticas da Copa do Mundo foram vendidas. No mês de abril, a artesã não abriu a agenda para novos pedidos devido ao volume acumulado. A repercussão atraiu inclusive comentários de grandes marcas, como o banco Itaú, consolidando o perfil “instagramável” das peças.
Para o futuro, Espíndola planeja lançar um site para centralizar as vendas de modelos com preços fixos (como os de times de futebol), mantendo o atendimento personalizado para peças exclusivas. No longo prazo, a visão é mais ambiciosa: ter a própria marca de linhas, dada a dificuldade de encontrar matéria-prima variada em seu estado, e abrir um ponto físico que sirva de base para coleções globais.
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