Ele criou um negócio nostálgico para tirar crianças das telas e já faturou cerca de R$ 49 milhões
Em 2005, o britânico Andy Loveland vivia um momento especial. Pai de Freddy, então com dois anos, ele aguardava a chegada do segundo filho, Luke. Mas, em meio à rotina familiar, percebeu um movimento que o incomodava: crianças cada vez mais conectadas às telas e menos ao ambiente ao ar livre. À época, a tendência já parecia naturalizada por muitos.
Determinados a seguir por outro caminho, Loveland e a esposa decidiram limitar o contato dos filhos com telas e incentivar atividades ao ar livre. Foi nesse contexto que surgiu um ponto de virada. O padrinho de Freddy, que vivia na Alemanha, presenteou o menino com uma bicicleta sem pedais, um modelo desenvolvido originalmente como ferramenta terapêutica para estimular o desenvolvimento físico e cognitivo infantil.
A reação foi imediata. Freddy, ainda pequeno para uma bicicleta convencional, passou a se locomover com autonomia. Para o pai, a experiência foi transformadora, não apenas pelo impacto no desenvolvimento do filho, mas também pela qualidade do tempo em família.
“Ele estava simplesmente voando por aí”, diz Loveland ao site da revista Entrepreneur. “Foi uma experiência que mudou nossas vidas completamente. A liberdade, a mobilidade, a qualidade do tempo que passávamos juntos. Foi transformador.”
Ao observar o desempenho do filho com a chamada “balance bike”, Loveland enxergou ali uma oportunidade de negócio. Mais leves e próximas do chão, essas bicicletas permitem que a criança se impulsione com os pés, desenvolvendo equilíbrio, coordenação e confiança antes de aprender a pedalar.
Acreditando de que o modelo poderia transformar o mercado, Loveland decidiu empreender. Em 2006, fundou a Early Rider ao lado da irmã. A proposta era ir além de um produto: criar uma marca com um apelo de estilo de vida.
Como em muitos negócios iniciantes, os desafios foram diversos, da cadeia de suprimentos à aceitação do público. Um dos principais obstáculos foi convencer consumidores e varejistas do valor de uma bicicleta sem pedais. O preço também gerava resistência: cerca de 100 libras (aproximadamente R$ 674 hoje) por um produto que, à primeira vista, parecia incompleto.
Ainda assim, a empresa persistiu, reposicionando o produto como uma ferramenta para uma infância mais ativa, e não apenas como um item de desenvolvimento infantil.
Atualmente, a Early Rider oferece bicicletas para crianças de seis meses a 11 anos, com preços que variam de US$ 199 a US$ 2.199 (R$ 994 a 10 mil). O design e os testes são realizados no Reino Unido, enquanto a produção ocorre majoritariamente em Taiwan e na China.
O negócio permaneceu autofinanciado até outubro de 2024, quando recebeu um aporte minoritário de 10%. Em 2025, a empresa alcançou US$ 10 milhões em receita anual (aproximadamente R$ 49 milhões) e projeta chegar a US$ 12 milhões em 2026 (cerca de R$ 59 milhões).
Nova geração no comando
Freddy, padrinho do filho de Loveland, cuja experiência com a bicicleta sem pedais inspirou o negócio, passou a liderar a operação da empresa na Suíça. Recém-formado, ele já acumulava prática no negócio familiar desde a adolescência, participando desde a montagem de bicicletas até estratégias de e-commerce.
Agora, o foco está na expansão e na adaptação dos modelos de atuação em diferentes mercados, além de um desafio central: reforçar o valor da bicicleta em um mundo cada vez mais dominado por telas.
Para Loveland, o objetivo vai além de ensinar a pedalar. Trata-se de resgatar a conexão das crianças com o ambiente ao redor e, com isso, promover experiências mais significativas desde os primeiros anos de vida.
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