Na SpaceX, é a Starkink que sustenta as pretensões intergalácticas
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Com ambições de colonização interplanetária, a SpaceX depende financeiramente da Starlink, sua unidade de telecomunicações.
A Starlink gerou em 2025 uma receita de US$ 11,4 bilhões e um lucro operacional de US$ 4,4 bilhões, enquanto a SpaceX como um todo registrou um prejuízo de US$ 4,9 bilhões, em parte devido aos altos investimentos em inteligência artificial (IA).
Criada em 2015, a Starlink tornou-se rentável e conta com mais de 9,6 mil satélites e 10,3 milhões de assinantes globalmente. No Brasil, a empresa alcançou 704,8 mil assinaturas.
Apesar do sucesso da Starlink, a SpaceX vê o mercado de IA como mais promissor, com um valor estimado de US$ 26,5 trilhões, em comparação com US$ 1,6 trilhão da conectividade e US$ 370 bilhões das operações espaciais.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
As ambições da SpaceX podem até ser intergalácticas, de “construir os sistemas e tecnologias necessários para tornar a vida multiplanetária”. No presente, porém, é um produto absolutamente mundano que financia as extraordinárias ambições da companhia, que está prestes a realizar o maior IPO da história: a Starlink.
Enquanto a unidade de foguetes e de inteligência artificial (IA) ainda consome recursos, a rede de satélites de telecomunicações gera receita e lucro, com a venda de wi-fi sendo fundamental para permitir a continuidade dos planos de colonizar Marte e vencer a corrida da IA.
O prospecto preliminar do IPO da SpaceX, tornado público na quarta-feira, 20 de maio, mostra que a unidade de conectividade da empresa, composta essencialmente pela Starlink, registrou em 2025 receita de US$ 11,4 bilhões, lucro operacional de US$ 4,4 bilhões e Ebitda ajustado de US$ 7,1 bilhões. Isso representa crescimento anual de 49,8%, 120,4% e 86,2%, respectivamente.
A SpaceX como um todo registrou prejuízo de US$ 4,9 bilhões no ano passado, revertendo o lucro de US$ 791 milhões apurado em 2024. A receita da companhia, na mesma base de comparação, cresceu 33%, para US$ 18,6 bilhões.
Boa parte do prejuízo está relacionada à IA, após a absorção da xAI. Nos estágios iniciais, a unidade registrou perda operacional de US$ 6,3 bilhões, diante do tamanho dos investimentos necessários para desenvolver e escalar a tecnologia.
Já a divisão de atividades espaciais, responsável pelo lançamento de foguetes, fechou 2025 com receita de US$ 4,1 bilhões, alta de 7,6%, prejuízo operacional de US$ 657 milhões, revertendo o lucro do ano anterior, e Ebitda ajustado de US$ 653 milhões, recuo de 43,4%.
A Starlink é vista há tempos como a base para o crescimento da SpaceX. Fundada em 2002, a SpaceX era basicamente uma empresa de transporte espacial que cobrava de governos e empresas privadas para levar cargas à órbita. Mas isso não financiaria a civilização em outro planeta, então Musk partiu para explorar outros espaços.
Em 2015, Musk criou a Starlink, que passou a oferecer serviços para clientes em 2020. Apesar de não ter o mesmo glamour da exploração espacial, Musk disse a seu biógrafo Walter Isaacson que o mercado de internet é tão grande que conquistar mesmo uma pequena porcentagem geraria receita superior a todo o orçamento da NASA.
Depois de conseguir tornar a operação rentável, desenvolvendo satélites menores e mais baratos, ultrapassando barreiras que levaram outras companhias à falência, a Starlink se tornou referência no mercado. Atualmente, a companhia conta com mais de 9,6 mil satélites em órbita baixa da Terra e 10,3 milhões de assinantes em 164 países.
No Brasil, a companhia vem crescendo fortemente. Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) apontam que o número de assinaturas do serviço atingiu 704,8 mil até março deste ano, o que representa market share de 1,3%, deixando a empresa em 14º lugar no ranking de assinantes de internet banda larga do País.
Em 2025, a companhia fechou com 606,1 mil assinaturas, enquanto em 2024 eram 326,8 mil, de acordo com a autarquia.
Apesar dos resultados, a Starlink perde para a IA quando o assunto é futuro. Segundo o prospecto do IPO da SpaceX, de um mercado endereçável da ordem de US$ 28,5 trilhões, o maior já visto na história da humanidade, a IA responde pela maior parte do valor, com mercado avaliado em US$ 26,5 trilhões.
A parte de conectividade aparece em seguida, com US$ 1,6 trilhão, enquanto as operações espaciais têm mercado estimado em US$ 370 bilhões.