Alibaba inicia operação no Brasil e já avalia expansão com segundo data center
Pequim – O Alibaba, um dos principais símbolos do avanço global e tecnológico da China, está aumentando sua conexão com o Brasil por meio da Alibaba Cloud.
Na expansão da divisão de nuvem da gigante chinesa, que tem sido turbinada pela inteligência artificial (IA) para entrar de vez na concorrência com as americanas AWS, Microsoft e Google, o Brasil é uma das principais escalas.
O Alibaba prevê lançar oficialmente sua oferta de nuvem pública no mercado brasileiro em agosto, a partir do início da operação de um primeiro data center, instalado em São Paulo.
Outro número por trás do desembarque da unidade no Brasil dá uma medida do apetite da companhia nessa corrida. O projeto é parte de um plano de investimento global de 380 bilhões de yuans (o equivalente a US$ 55 bilhões) no desenvolvimento de infraestrutura de nuvem e IA nos próximos três anos.
Levando-se em conta apenas os data centers, o montante reservado para essa expansão é de mais de US$ 4 bilhões, o que também já incluiu a estreia com operações em mercados como Holanda, França, Coreia do Sul, Japão e Malásia.
Na América Latina, um primeiro centro foi inaugurado no México, em 2025. E, depois de reforçar essa equação com a unidade de São Paulo, o Alibaba já estuda um segundo data center no Brasil, ainda sem local definido, conforme fontes próximas à empresa.
A companhia já tem na ponta da língua, porém, o discurso que adotará para avançar no terreno das rivais americanas no Brasil e nesses novos mercados. A começar por uma estratégia agressiva de preços, com a promessa de entregar uma oferta até 30% mais acessível que concorrentes como a AWS.
“Nós não temos nenhum preconceito”, disse um executivo, que pediu anonimato, quando questionado pelo NeoFeed sobre a possibilidade de sua empresa sentar à mesa para ouvir a proposta de nuvem pública do Alibaba.
O NeoFeed visitou o Alibaba com a delegação brasileira formada por mais de 30 empreendedores e executivos, boa parte deles do Rio Grande do Sul, que faz parte da chamada Missão China, uma viagem de intercâmbio de negócios promovida pelo Instituto Caldeira, em parceria com a Investe RS.
À parte de aceitar ou não essa oferta, ele acrescentou que a chegada do Alibaba como mais uma opção para os clientes brasileiros deve, no mínimo, influenciar justamente nos preços praticados pela concorrência, que, em alguns casos, tem inflacionado essa conta.
Os argumentos do Alibaba não se resumem, no entanto, ao bolso dos clientes. Outro ponto a ser trabalhado é o conceito de “multicloud”, na qual muitas empresas precisam necessariamente ter uma “nuvem ocidental” e uma oriental.
Segundo fontes da empresa, essa tese se aplicaria a companhias que estão expandindo seus negócios globalmente, numa estratégia que, entre outros países, inclui a China. Ao mesmo tempo, ela também seria válida para as empresas chinesas, cada vez mais dispostas a entrar em outros mercados no exterior.
O Alibaba também aposta que a possibilidade de conectar esses clientes com outras áreas da sua operação – como a logística – é mais um fator que pesa a seu favor. Assim como a integração de um portfólio de modelos, aplicações e serviços de IA a essa oferta.
Nessa última ponta, a companhia vem desenvolvendo, por exemplo, seus próprios modelos de linguagem (LLM, na sigla em inglês), diferentemente de rivais como a AWS e a Microsoft, que se apoiam nos LLMs de parceiros como Anthropic e OpenAI.
Dados mais recentes da Synergy Research mostram o que está em jogo nesse front. Segundo a consultoria, esse mercado movimentou globalmente US$ 129 bilhões entre janeiro e março de 2026, alta anual de 35% e o nono trimestre consecutivo de crescimento.
Na divisão desse bolo, a AWS segue no topo, com uma fatia de 28%, seguida pela Microsoft, com 21%, e Google, com 14%. Com uma participação de 4%, o Alibaba, por sua vez, divide a quarta colocação com a também americana Oracle.
Assim como esses rivais, o Alibaba vem se beneficiando da demanda crescente das empresas pela inteligência artificial. Mas, em linha com seus pares, também tem contabilizado os impactos dos investimentos elevados na construção da infraestrutura para acompanhar essa corrida.
Em seu último ano fiscal, encerrado em 31 de março, a empresa reportou um lucro líquido de 105,9 bilhões de yuans (US$ 15,6 bilhões), o que representou uma queda de 19% sobre os 129,4 bilhões de yuans apurados no exercício anterior.
Entretanto, ao divulgar o balanço, há duas semanas, Eddie Wu, CEO do Alibaba, preferiu ressaltar outros números, relacionados ao quarto trimestre fiscal.
“O crescimento da receita externa do Cloud Intelligence Group acelerou para 40%, com produtos relacionados à IA representando 30% dessa receita”, afirmou o executivo na oportunidade, em relatório sobre o balanço.
As ações do Alibaba registravam queda de 1,12% por volta das 15h (horário local) no pregão da Bolsa de Nova York, avaliando a companhia em US$ 311,8 bilhões. No ano, os papéis acumulam uma desvalorização de 11,3%.