Bolovo completa 20 anos com expedição da equipe ao ‘fim do mundo’ e projeta expansão de 20% em 2026
Há duas décadas no mercado de moda, a Bolovo, marca paulistana de moda streetwear registrou crescimento de 12% nos últimos 12 meses e pretende fechar 2026 com incremento de 20%. Com produção totalmente nacional, a empresa comercializa, em média, 2,5 mil peças por mês, com taxa de recorrência de 40% na base de clientes.
Em 2026, a estratégia de expansão foca na nova unidade de negócio, a Go Out Studios, dedicada a transformar experiências reais em projetos audiovisuais de marca para parceiros externos, como a Ford e a Nomad. O fundador da Bolovo, Deco Neves, tem a ambição de levar o faturamento da nova frente de negócios para o mesmo patamar da marca de roupas nos próximos três anos.
O perfil da Bolovo está intrinsecamente ligado ao seu fundador. Neves, que também é o diretor criativo da empresa, diz que o cenário de maturidade empresarial inspirou o lançamento do braço de serviços criativos e audiovisuais. Para celebrar os 20 anos da marca e a nova área de negócios da empresa, Neves está organizando uma expedição coletiva dos 50 empregados da Bolovo ao Ushuaia, também conhecida como a “cidade do fim do mundo” e capital da província da Terra do Fogo, na Patagônia argentina.
A expedição à Terra do Fogo, prevista para agosto deste ano, remete ao espírito do início do negócio, em 2006, quando o fundador viajava com um grupo de amigos para praticar esportes. O grupo de amigos gostava de registrar esses momentos, muito antes da popularização do termo “creator”. Neves criou a Bolovo sem partir de um plano de negócios estruturado, mas como uma extensão de suas paixões pessoais.
“Antes de a Bolovo virar marca, loja ou empresa, ela era basicamente um grupo de amigos com uma câmera na mão. A viagem para o ‘fim do mundo’ resgata esse espírito, mas em um outro tamanho. É a gente criando uma nova história juntos, em vez de só revisitar o que já fez”, afirma.
As várias fases do negócio
A evolução da empresa passou por etapas distintas. Após um período de quatro anos produzindo programas para a MTV (2010-2014), a Bolovo enfrentou o dilema entre ser uma produtora audiovisual ou uma marca de vestuário. Em 2017, Neves e seu então sócio, Lucas Stegmann (que deixou a operação em 2024), decidiram que a venda de roupas seria o motor financeiro para as produções autorais. Com base nessa experiência, Neves define a comunicação como uma espinha dorsal do negócio.
“Entendíamos que venderíamos roupa para fazer os nossos filmes, porque pra gente sempre valia mais a ideia, o storytelling”, diz Neves.
A empresa dobrou de tamanho entre 2018 e 2023. Atualmente, o desafio do empreendedor é a implementação de governança corporativa e gestão de processos para sustentar o crescimento de dois dígitos. Para consolidar a projeção de 20% de alta em 2026, a Bolovo enfrenta o processo de transição de uma marca baseada no “storytelling” e no espírito de amizade para uma média empresa com estrutura consolidada.
Neves ressalta que a Bolovo está em uma fase de “arrumar a casa”, instalando sistemas, processos e planos de carreira. Segundo o empreendedor, o objetivo atual é profissionalizar a operação para permitir novos saltos de escala. O amadurecimento envolve equilibrar a criatividade com a necessidade de uma estrutura sólida.
“Uma marca que é reconhecida pelas pessoas é só a metade do caminho. A gestão é o que faz uma empresa se manter e crescer e conseguir rodar ainda mais. A gente está quebrando esse teto aqui para ampliar a laje com vontade”, afirma.
Inovação em patrocínios
Diferentemente do patrocínio tradicional, a Go Out Studios pretende inserir as marcas de forma orgânica nas narrativas, como é o caso da viagem da equipe à Patagônia argentina em que a Ford viabilizará os deslocamentos locais com seus veículos e a Nomad fornecerá as soluções financeiras e de mobilidade global para a equipe.
O objetivo é que esses produtos desempenhem papéis funcionais reais em uma expedição de verdade, diz Neves. O estúdio será responsável por registrar a experiência em tempo real, capturando desde grandes momentos na neve até pequenas histórias cotidianas dos 50 funcionários. Esse material será transformado em conteúdo para as redes sociais e outros canais.
A viagem servirá como uma “prova de conceito” para o mercado. A ideia é mostrar como a Go Out Studios pode atuar como um “bureau de criatividade” — uma pequena agência que gera projetos autorais originados em situações da vida real, que podem depois virarem produtos e parcerias estruturadas. Para Neves, a Go Out Studios é o “braço executor”, que transforma os 20 anos da empresa em produto comercializável e vitrine capaz de gerar branding.
Com a frente de moda, a Bolovo sempre teve dificuldade em trabalhar com multimarcas devido à complexidade de transmitir seu storytelling fora de seus canais próprios. O desafio agora é testar a entrada da marca em marketplaces, como Netshoes, mantendo a essência do negócio.
Mesmo com o e-commerce representando 40% das vendas, a estratégia da empresa é escalar o atendimento via WhatsApp, que cresceu dez vezes no último ano, diz Neves. A meta é expandir o canal de três a cinco vezes, o que exige automação.
A celebração do vigésimo aniversário, em agosto, quando Neves viajará com toda a equipe para a Argentina, vai reforçar a cultura de que o trabalho deve gerar memórias significativas.
“Se a gente vai dedicar tanto tempo ao trabalho, ele também precisa ser um lugar onde coisas memoráveis acontecem. Eu não quero que o trabalho seja a parte ruim da vida. Eu não vou lembrar de nenhuma pergunta dessa dos números quando eu cresci ou deixei de crescer, mas eu vou lembrar que eu vi neve com todo mundo da equipe, juntos, pela primeira vez, em agosto de 2026”, afirma.