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Multiplan descobre uma “segunda Multiplan” que pode destravar R$ 10 bilhões em valor

Por Redação 02 de junho de 2026 7 min de leitura


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Após revitalizar 19 de seus 20 shoppings, a Multiplan agora busca explorar seu banco de terrenos, com 864 mil m² disponíveis para construção de empreendimentos multiuso ao redor das unidades. A estratégia visa criar “minibairros” que aumentem o fluxo de visitantes, com potencial de negócios superior a R$ 10 bilhões.

O CFO Armando d’Almeida Neto destaca que esses terrenos representam cerca de 90% da área bruta locável da empresa. Um exemplo é o Golden Lake, em Porto Alegre, que terá 1,4 mil apartamentos e pode gerar um fluxo adicional de seis mil pessoas.

A Multiplan também planeja um novo empreendimento no VillageMall, no Rio de Janeiro, e já vendeu terrenos para projetos de terceiros.

Apesar do alto custo de capital, a empresa mantém seus planos de crescimento. No primeiro trimestre de 2026, a Multiplan reportou lucro líquido de R$ 316,1 milhões, impulsionado pela venda de imóveis, que representou 34,2% da receita bruta.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Passado o ciclo de revitalizações de 19 de seus 20 shopping centers, a Multiplan agora foca em destravar valor na utilização de seu banco de terrenos no Brasil. O caminho que a empresa enxerga é criar  “minibairros” no entorno dessas unidades, em suas áreas próprias que, no fim, vão ajudar a aumentar o fluxo de visitantes nos centros de compras.

A companhia hoje tem disponível 864 mil m² de área privada para venda ao lado de seus shoppings, e que vão ser usados para construção de empreendimentos multiuso, com imóveis comerciais e residenciais. Parte será vendida diretamente e outra parte será usada para construções da própria empresa.

Para se ter uma ideia deste volume, os terrenos reservados para comercialização da Multiplan representam cerca de 90% de toda a metragem que a companhia tem em seus shoppings, que é de 903 mil m² de área bruta locável (ABL). Na prática, é quase uma “segunda Multiplan” com potencial para ser desenvolvida.

“São terrenos que temos ao lado dos nossos shoppings para desenvolver empreendimentos basicamente voltados para venda, em projetos multiuso. Essa é a origem da companhia, que nasceu como incorporadora imobiliária”, diz Armando d’Almeida Neto, CFO da Multiplan, em entrevista ao NeoFeed.

Fontes do mercado imobiliário consultados pelo NeoFeed estimam que, levando em conta uma média de R$ 12 mil o custo do m² –,   há regiões com valores mais altos, como R$ 24 mil/m² e outras a menos de R$ 10 mil –, a venda dos terrenos e construções de empreendimentos podem render à Multiplan pelo menos R$ 10 bilhões. A companhia não confirma este valor.

“Com isso, aceleramos o desenvolvimento no entorno do shopping e liberamos valor aos nossos acionistas, com ativos que estavam sendo carregados no nosso landbank [banco de terrenos]. Dessa forma, destravamos este valor e geramos caixa e resultado”, afirma o CFO.

Um dos exemplos práticos deste plano de crescimento, paralelo aos projetos de expansão dos próprios shoppings, já está em curso. A companhia está desenvolvendo o empreendimento Golden Lake, que ela chama de “bairro privativo”, com área potencial de venda de 250 mil m², a 660 metros de distância do BarraShoppingSul, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, do lado do Guaíba.

Somente o terreno disponível para construção, de cerca de 281 mil m², é quase quatro vezes maior do que a própria área do shopping gaúcho, que tem 75,4 mil m² de ABL. Quando estiver totalmente concluído, o Golden Lake terá 1,4 mil apartamentos. Isso significa, segundo o executivo da empresa, um aumento potencial de cerca de seis mil pessoas, que estarão circulando no entorno do shopping.

Por enquanto, foram entregues 94 imóveis, em dezembro do ano passado, o que já dá um volume de pelo menos 500 moradores do condomínio que terão o shopping da Multiplan como uma espécie de quintal. Até aqui, a companhia já utilizou 34 mil m² de área.

“Passa a ser um fluxo contínuo circulando no BarraShoppingSul. Isso é muito importante para os lojistas”, diz d’Almeida Neto. A maior parte dos terrenos disponíveis no entorno dos shoppings da Multiplan está a uma distância menor de um quilômetro.

O próximo empreendimento a ser desenvolvido pela Multiplan será em uma área de 36 mil m², no entorno do VillageMall, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A construção deve ter início em 2027. Inicialmente será erguido um empreendimento residencial, e futuramente uma ampliação para um projeto comercial. O projeto está em fase de aprovação.

Os 864 mil m² de terrenos estão distribuídos ao lado de 11 shoppings da Multiplan. Além do BarraShoppingSul, que tem a maior área disponível, e do VillageMall (80 mil m²), os maiores espaços estão no entorno do ParkShopping Campo Grande (161,7 mil m²), Shopping Anália Franco (115 mil m²) e ParkShopping São Caetano (108 mil m²).

“Em Campo Grande, temos uma grande área residencial em três terrenos. Em São Caetano, estamos avaliando o foco comercial, e no Anália Franco, também é um projeto residencial que queremos desenvolver”, afirma o executivo da Multiplan.

Além disso, a companhia acabou de realizar a venda de partes de terrenos para que sejam desenvolvidos projetos imobiliários, por terceiros, ao lado do ParkShopping Campo Grande e ParkJacarepaguá, ambos na cidade do Rio de Janeiro, e do ParkShopping Canoas, no Rio Grande do Sul. Os valores ainda vão ser divulgados e reportados no balanço da Multiplan.

Armando d’Almeida Neto, CFO da Multiplan

Outra alternativa que vem sendo adotada pela companhia para também aumentar o fluxo é de conectar seus conjuntos comerciais diretamente aos shoppings. No ano passado, a empresa reinaugurou uma passarela climatizada ligando o Morumbi Corporate ao Morumbi Shopping, na Zona Sul de São Paulo, pela Avenida Chucri Zaidan.

O caminho, neste caso, é desenvolver outros potenciais de construção, incluindo a implementação de empreendimentos a partir da aquisição de espaço aéreo, como no caso de passarelas.

Segundo o CFO da Multiplan, há um componente macroeconômico posto como um desafio para o desenvolvimento destes projetos, que é o alto custo de capital, a um cenário de taxa de juros a 14,5% ao ano. No entanto, o executivo afirma que não há chance de que os projetos sejam interrompidos. “Isso só muda a velocidade de crescimento. Mas o fato é que nós vamos crescer.”

Entre janeiro e março deste ano, a companhia controlada pela família Peres alcançou lucro líquido de R$ 316,1 milhões, alta de 35,1% sobre a mesma base do ano anterior. O Ebitda no período foi de R$ 516,5 milhões, 28,9% acima do primeiro trimestre de 2025.

O desempenho da companhia no trimestre foi impulsionado justamente pela receita de vendas de imóveis, que alcançou R$ 300,9 milhões, alta de 1.449,6%. Neste volume, estão a venda de participação no BH Shopping e a evolução da segunda fase do Golden Lake.

O resultado é que as vendas de imóveis no primeiro trimestre representaram o equivalente a 34,2% da receita bruta. O volume de locação, que impulsiona o resultado dos shoppings, chegou a 49,6% do faturamento no período.

No acumulado de 2026, as ações MULT3 registram valorização de 7,8%. Em 12 meses, a alta é de 9,4%. O valor de mercado da Multiplan é de R$ 15 bilhões.



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Redação

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