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Os argumentos da EMS para pedir que o Cade aprove a compra da Medley

Por Redação 08 de junho de 2026 7 min de leitura


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O Cade iniciou a análise da aquisição da Medley pela EMS, que anunciou a compra da unidade brasileira de genéricos da Sanofi por cerca de US$ 600 milhões.

A EMS, em documento de 126 páginas, reconhece sobreposição de cerca de 40 classes terapêuticas, mas argumenta que o mercado é pulverizado, o que impede concentração excessiva.

A empresa afirma que não poderá aumentar preços devido à regulação da CMED. Apesar de algumas classes terem participação combinada superior a 40%, a EMS destaca a existência de tratamentos substitutos.

A negociação inclui uma unidade fabril em Campinas e contratos de distribuição. A EMS cita investimentos de concorrentes, como Cimed e Eurofarma, e menciona que há 30 grandes grupos no mercado de genéricos.

O setor faturou R$ 23 bilhões em 2025, com crescimento de 75% nos últimos cinco anos, representando 40% do total de medicamentos vendidos no Brasil.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu início ao processo de análise da aquisição da farmacêutica Medley pela EMS. A companhia da família Sanchez anunciou no início de março a compra da unidade brasileira de genéricos da francesa Sanofi por cerca de US$ 600 milhões.

A aquisição oficial será feita pela Novamed, uma das empresas do grupo NC, controladora da EMS. O edital, com a confirmação do início da análise, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 1º de junho, e assinado pelo superintendente-adjunto Felipe Neiva.

No formulário de notificação de 126 páginas enviado ao Cade – que o NeoFeed teve acesso -, a farmacêutica confirma que, com o M&A, haverá sobreposição de cerca de 40 classes terapêuticas de medicamentos. Mas que isso não causará concentração excessiva do mercado.

De acordo com as duas empresas, apesar da sobreposição horizontal em grande parte do portfólio de medicamentos, a estrutura do mercado brasileiro de genéricos é muito pulverizada e impediria que a nova empresa tivesse poder de influência excessiva no mercado farmacêutico brasileiro.

Justamente pelo entendimento de que há um certo grau de complexidade na negociação, ainda que diga que não há chance de mudar o cenário competitivo do setor, a EMS e a Sanofi entraram com pedido de rito ordinário, em que a análise é um pouco mais longa do que o ritmo sumário. O prazo, neste caso, é de 240 dias (oito meses).

Um ponto alegado pela empresa comprada é que, na prática, ainda que pudesse, a companhia não teria poder de realizar um possível aumento de preços, porque o mercado é regulado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão vinculado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“A própria CMED prevê mecanismos para conter eventual exercício de poder de mercado, restringindo qualquer possibilidade de aumento discricionário de preços após a consolidação da presente operação”, diz o documento.

Das classes terapêuticas em que há medicamentos genéricos tanto da EMS quanto da Medley, o documento lista, entre os mais relevantes, os segmentos cardiovasculares, diabetes, gastrointestinais, dermatológicos, ginecologia, urologia, antibióticos, psiquiatria, neurologia, entre outros.

Ainda que reconheça, no formulário, que existem mercados em que a participação combinada supere 40%, a companhia explica que, quando são consideradas as possibilidades de tratamentos substitutos, esta concentração cai e a concorrência segue expressiva. Na prática, a empresa diz que há muitas outras opções de tratamentos nos balcões das farmácias.

Um dos mercados mais sensíveis, citados no documento, é o da hidroxicloroquina, medicamento que ficou muito conhecido durante a pandemia da Covid-19, porque chegou a ser listado por alguns médicos como indicativo para o “tratamento precoce” da doença – o que nunca foi provado cientificamente.

O remédio, que é usado para tratar doenças como malária e outras como artrite reumatoide, é um dos que têm volume superior a 40% de concentração, com os produtos das duas. Mas, segundo a empresa, o remédio compete com outros tratamentos possíveis.

Outro medicamento listado, com ampla explicação, é o naratriptana, usado para enxaqueca. A tese defendida pela EMS é que há várias formas de combate à doença, com diversas classes terapêuticas, a depender da prescrição médica.

Dos 27 mercados no canal varejo e 14 no canal institucional (setor público) como sobreposição apontadas pela EMS, 19 deles ficam abaixo de 40%, ainda segundo a empresa.

No documento, a EMS também afirma que a negociação inclui uma unidade fabril em Campinas, em São Paulo, composta por duas propriedades, além dos direitos de propriedade intelectual e de marcas dos produtos da Medley.

Confirmada a aquisição, a farmacêutica brasileira também irá herdar os contratos de distribuição da Medley operados por terceiros nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

“Para o Grupo NC, a operação representa uma boa oportunidade para expandir a oferta de medicamentos genéricos. Por sua vez, para o Grupo Sanofi, a operação está alinhada com a sua estratégia global de concentrar seus esforços em produtos inovadores e viabilizar seu crescimento sustentável e lucrativo”, diz a companhia, no documento.

Como justificativa de que a mudança de comando da Medley não altera o mercado de genéricos no Brasil, a EMS cita um conjunto de investimentos anunciados por concorrentes, nos últimos meses.

Entre eles, a empresa cita os investimentos de R$ 450 milhões da Cimed na construção de uma fábrica em Pouso Alegre, em Minas Gerais; o novo complexo industrial da Eurofarma, também em Minas Gerais, com aportes de R$ 2 bilhões; e uma fábrica de medicamentos oncológicos, da Hypera, que custou R$ 363 milhões; entre outros ciclos de investimentos.

Em um dos documentos no processo aberto no Cade, a EMS informa que há pelo menos 30 grandes grupos farmacêuticos que atuam de forma relevante no mercado de genéricos no Brasil.

Entre os mais citados no documento estão Eurofarma, Aché, Hypera Pharma, Prati-Donaduzzi, Teuto, Cimed, Geolab, União Química, Biolab, Vitamedic, além de outras companhias do setor.

Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos) confirmam a tese apresentada pela empresa da família Sanchez. Sétimo maior mercado farmacêutico do mundo, o setor de genéricos faturou R$ 23 bilhões em 2025, o que representou uma alta de 13,4% sobre o ano anterior.

Nos últimos cinco anos, o crescimento do volume de genéricos no Brasil foi de 75%. Do total de medicamentos vendidos no país, 40% é de genéricos, com desconto médio de 70%.

Ainda segundo a ProGenéricos, há hoje no Brasil 102 laboratórios produzindo medicamentos, com 4.665 apresentações registradas na Anvisa. São vendidas, em média, mais de 2,5 bilhões de caixas de remédios por ano.



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Redação

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