Casais que empreendem juntos ganham espaço em franquias
No ambiente empresarial, confiança, alinhamento e divisão estratégica de tarefas fazem casais empreendedores transformarem parceria afetiva em vantagem competitiva
Casais que empreendem juntos vêm transformando a parceria pessoal em uma estratégia de negócios cada vez mais eficiente. Mais do que dividir a rotina, esses empreendedores unem confiança, alinhamento de propósito e visão de longo prazo para construir empresas mais sólidas, ágeis e resilientes. Em um cenário competitivo, a sintonia entre os sócios também se torna um diferencial na tomada de decisões, na gestão e na expansão das operações.
O movimento cresce no Brasil. Segundo o Sebrae, cerca de 20% dos pequenos negócios do país são comandados por cônjuges, enquanto o relatório Global Entrepreneurship Monitor (GEM/Sebrae) aponta que empresas lideradas por casais têm 6% mais chances de permanecer ativas em comparação às conduzidas individualmente. Apesar da ideia de que misturar vida pessoal e profissional pode gerar conflitos, muitos empreendedores mostram que diálogo, divisão de tarefas e confiança mútua ajudam a tornar a gestão mais eficiente e fortalecem o crescimento conjunto.
Especialista em expansão e negócios de alta performance, Ycaro Martins, CEO e fundador da Maxymus Expand, afirma que casais que empreendem juntos possuem uma vantagem competitiva importante por compartilharem propósito, metas e visão de futuro. Segundo ele, esse alinhamento fortalece o comprometimento e acelera a tomada de decisões, já que a comunicação entre os dois costuma ser constante e o planejamento de longo prazo mais claro desde o início da empresa.
Ycaro destaca ainda que confiança, inteligência emocional e divisão estratégica de funções são fatores essenciais para que o negócio cresça de forma sólida e resiliente. No entanto, ele alerta que misturar vida pessoal e profissional exige maturidade e gestão profissional, já que conflitos emocionais e falta de definição de responsabilidades podem comprometer tanto a relação quanto a empresa.
A seguir, confira exemplos de casais que fazem da sintonia na vida pessoal um diferencial competitivo nos negócios.
“Empreender junto exige parceria, maturidade e alinhamento constante”
Gustavo Ronan Soares, (36), e Thaís Foschini Boschi, (32), franqueados Anjos Colchões & Sofás, rede com mais de 35 anos de atuação, em Fortaleza (CE)
Gustavo e Thaís transformaram a relação construída ainda na faculdade em uma parceria também nos negócios.
À frente de uma operação da rede em Fortaleza-CE, o casal acredita que uma das vantagens de empreender junto está justamente nas diferenças: enquanto Gustavo é mais prático e focado em números, Thaís atua de forma mais sensível e voltada às pessoas.
Para eles, a confiança construída ao longo dos 13 anos da relação fortalece a rotina profissional e traz mais segurança para enfrentar desafios.
“A facilidade é saber que existe alguém ao seu lado torcendo genuinamente e fazendo tudo para dar certo. Não é uma competição para ver quem está certo, mas uma construção em conjunto”, afirma Gustavo, reforçando que empreender junto exige parceria, maturidade e alinhamento constante.
“Com união, organização e divisão nos tornarmos referência”
Thiago Hikida Ribeiro, (40), e Jessica Camila Hikida Ribeiro, (38), franqueados da Maria Brasileira, maior rede de limpeza residencial e empresarial do país, em Cornélio Procópio (PR)
A história de Thiago e Jessica começou ainda na adolescência, Na época ela tinha 13 anos, ele 15, e estão juntos há 21 anos.
Há seis anos, o casal deixou a carreira de funcionários públicos estaduais para empreenderem juntos e decidiram investir na Maria Brasileira, ideia que nasceu durante uma viagem em família, após Jessica mostrar ao marido uma publicação sobre a rede.
Hoje, dividem a rotina entre a criação dos três filhos e a gestão das três unidades, também em Assaí e São Sebastião da Amoreira, que somam cerca de dois mil atendimentos mensais.
Enquanto Thiago cuida da parte operacional e financeira, Jessica acompanha treinamentos, agendas e entrevistas. “A parceria foi fundamental para nosso crescimento. Com união, organização e divisão correta dos processos conseguimos nos tornar referência na região”, afirma Thiago.
“Se doar, compartilhar responsabilidades e enfrentar os desafios é o principal aprendizado”
Karine Neves da Silva, (41), e Rômulo Silvestre Salvador, (40), franqueados Lavô, em Guarapuava (PR)
Unidos pela Biologia desde os tempos de faculdade, Karine e Rômulo transformaram a conexão construída ainda em 2003 em uma sociedade baseada em parceria, empatia e apoio mútuo.
Hoje, 20 anos juntos, além de dividirem a rotina no empreendedorismo à frente de uma operação da Lavô em Guarapuava (PR), o casal também concilia os desafios da empresa com os cuidados integrais do filho, portador da síndrome ultra rara Allan Herndon Dudley.
Há seis anos trabalhando juntos, eles encontraram na divisão das tarefas e na compreensão das necessidades um do outro a principal força da parceria.
“Existe muita facilidade porque estamos sempre juntos e um entende a necessidade do outro. Quando ele percebe que preciso respirar um pouco, já assume as demandas para que eu consiga me distrair e recarregar as energias”, explica a franqueada.
Como principal aprendizado, Karine destaca a importância de se doar, compartilhar responsabilidades e enfrentar os desafios sempre em conjunto.
“Desenvolver resiliência para enfrentar os altos e baixos”
Sarah Trompowsky, (35), e Sandro Zander, (49), franqueados da Fuel Eyewear, marca brasileira de óculos, no Rio de Janeiro (RJ)
Com uma história que começou por um aplicativo de relacionamento há 11 anos, Sara e Sandro resolveram levar a parceria também para os negócios.
Proprietários de duas unidades da Fuel Eyewear no Rio de Janeiro, o casal passou a trabalhar diretamente junto em janeiro de 2025 e encontrou na complementaridade das funções um diferencial para a operação. Enquanto Sandro assume a parte burocrática e financeira, Sara lidera o time comercial e motivacional.
Para eles, a principal lição de empreender em casal é desenvolver resiliência para enfrentar os altos e baixos do varejo.
“Em muitos momentos, um precisa ser o equilíbrio do outro para seguir motivado e encontrar soluções diante dos desafios. Às vezes um está mais desanimado e o outro precisa assumir uma postura mais positiva.
Se os dois se desmotivam ao mesmo tempo, fica difícil construir um plano de ação. Um acaba sendo mais razão, o outro mais emoção, e isso ajuda a equilibrar tudo”, afirma Sarah.
Fonte: Markable Assessoria de Imprensa