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Kevin Warsh apresenta suas credenciais no Fed (e Trump não deve gostar)

Por Redação 17 de junho de 2026 5 min de leitura


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Kevin Warsh estreou no comando da política monetária do Federal Reserve (Fed) mantendo os juros entre 3,5% e 3,75%, em decisão unânime, e contrariando a pressão da Casa Branca por cortes. O relatório trimestral do Fed revisou a mediana das projeções de juros para o fim do ano de 3,4% para 3,8%, passando a indicar uma alta de 0,25 ponto percentual.

A mudança reflete a expectativa de inflação mais persistente nos Estados Unidos, com a estimativa para o PCE em 2026 elevada de 2,7% para 3,6% e a do núcleo do índice, de 2,7% para 3,3%.

Warsh reafirmou o compromisso do Fed com a meta de inflação de 2% e minimizou o peso do dot plot como sinalização firme. Também retirou do comunicado o forward guidance, ao defender que os mercados reajam mais aos dados do que às expectativas sobre a reação do Fed.

A postura cautelosa pressionou os mercados: o S&P 500 fechou em queda de 1,21%, enquanto o rendimento do Treasury de 10 anos renovou máximas do dia.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Kevin Warsh estreou no comando da política monetária do Federal Reserve (Fed) na quarta-feira, 17 de junho. Ele não só contrariou os pedidos da Casa Branca pela queda dos juros, como também revisou as projeções do comitê em direção oposta – a decisão pela manutenção foi unânime.

Com os juros mantidos inalterados na faixa de 3,5% a 3,75% pela quarta vez consecutiva, o relatório trimestral de projeções do Fed elevou a mediana das expectativas de juros para o fim do ano de 3,4% para 3,8%, passando a embutir uma alta — e não mais uma queda — de 0,25 ponto percentual até o fim do ano.

A mudança das projeções do Fed tem como pano de fundo a expectativa de uma inflação mais persistente nos Estados Unidos neste ano. No relatório trimestral, o comitê elevou a estimativa para o PCE de 2,7% para 3,6% em 2026. Já a projeção para o núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, subiu de 2,7% para 3,3%.

A revisão ocorre em meio a uma nova rodada de pressão sobre os preços de energia, provocada pelo conflito no Oriente Médio e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de escoamento de petróleo.

Diante da deterioração das projeções de inflação, Warsh reforçou o compromisso do Fed com a meta de 2%. “Temos capacidade e compromisso para levar a inflação de volta à meta de 2%. É exatamente isso que faremos”, afirmou.

O presidente do Fed também disse não ver razão para discutir mudanças na meta “até que tenhamos restabelecido nosso compromisso e nossa capacidade de alcançá-la”.

O novo presidente do Fed não enviou projeções próprias para o relatório trimestral, em linha com suas críticas antigas ao formato atual do documento. Ainda assim, disse ter incentivado os demais integrantes do comitê a manterem suas estimativas.

Ao comentar o chamado dot plot, Warsh também tentou reduzir o peso do indicador como uma sinalização firme sobre os próximos passos do Fed.

“Revisei os pontos e, quando vi as submissões, notei que todas vinham feitas a lápis — daqueles com borrachas grandes”, afirmou.

Para Warsh, os integrantes do comitê entendem que o cenário “está mudando muito rapidamente” e não se sentem presos às projeções “daqui a seis semanas ou daqui a seis dias”.

A mensagem reforça o contraste com a pressão exercida pela Casa Branca sobre o Fed. Warsh foi escolhido por Donald Trump para substituir Jerome Powell após meses de críticas do presidente americano à condução da política monetária, em meio a pedidos reiterados por cortes de juros.

Quando indicou Warsh para o Fed, em janeiro, Trump chegou a dizer que seria inapropriado perguntar a Warsh se ele cortaria os juros, mas afirmou estar confiante de que seu indicado era favorável à redução do custo do crédito.

Embora a decisão tenha mantido a linha de cautela herdada de Powell, Warsh já deu os primeiros sinais de como pretende conduzir o Fed. A primeira mudança apareceu no comunicado da decisão, que veio mais curto e direto, sem o forward guidance — a sinalização usada pela autoridade monetária para orientar os mercados sobre seus próximos passos.

“Os mercados financeiros funcionam melhor quando reagem aos dados que chegam do que quando a pergunta passa a ser: como o Federal Reserve vai reagir a essas informações?”, questionou Warsh.

Segundo ele, o forward guidance não é adequado para a “atual conjuntura de política monetária”. Após a decisão, a reação dos mercados foi imediata. Estável em torno dos 7.510 pontos durante a manhã, o S&P 500 inverteu o sinal após a decisão e a entrevista de Warsh e fechou em queda de 1,21%, aos 7.420,10 pontos.

No mercado de juros, o movimento foi na direção oposta, com o rendimento do Treasury de 10 anos renovando máximas do dia, em sinal de que os investidores passaram a precificar uma política monetária mais apertada.



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Redação

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