Stuhlberger: todos os presidenciáveis vão praticar “estelionato eleitoral”. Menos um
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Luis Stuhlberger, CEO da Verde Asset, critica a falta de discussão sobre ajuste fiscal nas campanhas presidenciais, considerando isso um “estelionato eleitoral”.
Ele acredita que apenas Renan Santos, do partido Missão, abordará o tema, enquanto os demais candidatos, como Flávio Bolsonaro e Lula, não o farão.
Stuhlberger expressou preocupação com os programas populistas do governo Lula, que aumentam os gastos públicos, e destacou a situação fiscal alarmante do país.
No evento do Fundo Verde, também foi discutido o aumento da dívida das famílias e a alta taxa de juros, que impactam a economia.
Murilo Hidalgo, do Instituto Paraná Pesquisas, apresentou uma visão diferente, afirmando que a disputa será polarizada entre Lula e Flávio, e que Renan não tem força suficiente para competir.
O economista-chefe da Verde, Marcos Fantinatti, enfatizou a necessidade de uma política fiscal mais rigorosa, que ainda não se concretizou sob a gestão atual.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A necessidade imediata de uma política dura de ajuste fiscal, principal preocupação na Faria Lima, não estará na pauta de campanhas dos principais candidatos a presidente. E isso será um “estelionato eleitoral”. A convicção é de Luis Stuhlberger, fundador e CEO da Verde Asset.
Mas, para ele, o único que irá abordar o tema será Renan Santos (Missão, partido oriundo do MBL). Stuhlberger afirmou, inclusive, que Renan – que tem oscilado entre 4% e 6% e já aparece com 10% em São Paulo – tem a sua “torcida”.
“Ninguém vai falar em ajuste fiscal na campanha e isso vai ser um estelionato eleitoral. O único candidato ‘sincericida’ e que vai falar isso claramente é o Renan. Tenho visão positiva sobre ele, e talvez seja uma torcida minha”, diz o gestor do Fundo Verde.
A análise foi apresentada na manhã de quarta-feira, 17 de junho, durante o evento anual organizado pela gestora para os investidores, realizado em São Paulo.
Na prática, a visão mostra que os principais investidores brasileiros têm, de fato, buscado uma alternativa a Flávio Bolsonaro, do PL, que têm polarizado a disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. E que nem Ronaldo Caiado (PSD) e nem Romeu Zema (Novo) têm conseguido brilhar os olhos do mercado financeiro.
Além da falta de uma política austera sobre os gastos públicos, Stuhlberger também fez críticas à terceira gestão de Lula, por justamente apresentar programas considerados populistas, às vésperas do início oficial da campanha. E que, na prática, vão contribuir para aumentar os gastos do governo.
“A avaliação do governo estava ruim e agora vem melhorando. Isso aconteceu a partir do enfraquecimento do Flávio e do pacote de bondades de Lula, que não são poucas e que ajudam e compram o voto de muita gente”, afirma o empresário. “A gente está em uma situação de um fiscal horroroso e um governo péssimo.”
Stuhlberger fez as críticas no contexto da apresentação de dados sobre o aumento da dívida das famílias e da necessidade da busca por recursos do mercado. A taxa média do crédito pessoal é de 117% ao ano.
“As famílias vão se enrolando muito. Se o brasileiro for pagar o valor de face, os juros da dívida das pessoas chegam a R$ 1 trilhão ao ano no país. Isso levando em conta que a renda agregada é de R$ 10 trilhões”, explica.
No mesmo evento, o presidente do Instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, apresentou uma visão diferente sobre as possibilidades de Renan surgir como um candidato competitivo. Para ele, a disputará será polarizada mesmo entre Lula e Flávio.
“Não vejo Renan com a mesma força do que foi Pablo Marçal na eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2024, por exemplo. O fenômeno para ele foi igualar a Caiado e Zema nas pesquisas, mas não consegue performar muito além disso”, explica Hidalgo.
Segundo o dono do instituto, são os próprios líderes na disputa que fazem com este cenário acirrado siga. “Eles mesmos alimentam esta polarização. Não querem mudar isso. A questão é que os demais candidatos também fazem isso e só falam ou de Flávio ou de Lula. Os dois têm um voto cativo muito forte”, afirma.
Na visão de Hidalgo, um ponto essencial será como o escândalo do Banco Master e de Daniel Vorcaro ainda irá impactar o resultado das pesquisas. E se irão surgir novas denúncias envolvendo tanto o candidato do PL quanto políticos ligados ao PT.
“A tempestade do Master hoje está em apenas uma campanha [Flávio]. A questão é o que pode acontecer se o episódio chegar em Lula. Mas, se não chegar e aparecer novos fatos sobre o caso do filme, vai ficar mais difícil para o Flávio”, avalia.
Na visão do dirigente do Instituto Paraná, as preocupações do eleitor estarão mais descoladas do que pensa a Faria Lima. Para ele, o eleitor quer saber sobre consumo, saúde, educação e sobre corrupção.
“Pela realidade de hoje, se a eleição fosse domingo, eu diria que Lula estaria reeleito. Mas a eleição não é domingo, está muito longe. A campanha está apenas começando”, completa.
De qualquer forma, o desarranjo fiscal esteve entre as principais conversas no evento da Verde, na Faria Lima. O economista-chefe da gestora, Marcos Fantinatti, afirmou que o descompasso entre ter “um pé no acelerador fiscal e outro pé no freio monetário” é um ponto-chave para mudar efetivamente o ciclo da taxa de juros, hoje a 14,5% ao ano.
“Os motivos deste custo fiscal estão na dinâmica de despesas, no parafiscal e nas empresas estatais. O crescimento médio real das despesas neste governo deve terminar em 4%. Nos governos Temer e Bolsonaro, ficava entre zero e 1%”, afirma.
Segundo ele, a única despesa que não aumentou foi a previdenciária, justamente por causa da enorme fila de pedidos. Com isso, na visão de Fantinatti, o nível de despesa está R$ 500 bilhões acima do que estava previsto originalmente na lei de teto de gastos.
Ainda assim, o arcabouço fiscal, criado pelo então ministro da Fazenda Fernando Haddad no início desta gestão, não gerou o efeito necessário para conter a elevação fiscal.
“Ele não é uma âncora. Não é capaz de colocar a dívida em uma trajetória sustentável. Em ano eleitoral, o que fica é uma discussão populista, mas o passivo fiscal não é debatido”, complementa o economista-chefe da Verde.