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Bolsa brasileira está mais barata do que a Argentina. E os candidatos à presidência não ajudam

Por Redação 25 de junho de 2026 5 min de leitura


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A Bolsa brasileira está considerada barata, mas a falta de uma narrativa econômica positiva e o compromisso dos candidatos à Presidência com ajustes fiscais e crescimento dificultam a atração de investimentos.

A Franklin Templeton destaca que a incerteza atual prejudica a formulação de estratégias, refletindo em valuations baixos, com o Ibovespa negociado a 8 vezes o lucro, inferior ao da Argentina. A saída de R$ 14,9 bilhões de investidores estrangeiros em maio de 2026 evidencia essa situação.

A empresa prioriza investimentos em setores regulados e de infraestrutura, buscando empresas com geração de caixa previsível. Sinais claros de compromisso com a estabilidade econômica poderiam reverter a situação.

Enquanto isso, investidores brasileiros passaram a olhar também para o exterior, buscando diversificação em renda variável e hedge funds, refletindo uma mudança nas percepções sobre riscos locais e oportunidades globais.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Que a Bolsa brasileira está barata, nenhum analista questiona. Mas, para que esses valuations deprimidos se traduzam em fluxo e rally, falta uma narrativa positiva a respeito da economia.

O problema é que nenhum dos candidatos à Presidência quer se comprometer com o que precisa ser feito: ajuste fiscal e medidas para melhorar o crescimento e a baixa produtividade. Tampouco deixam claro o que pretendem para a economia.

Para a Franklin Templeton, a situação eleva as incertezas, dificultando traçar estratégias pela ausência de informações que indiquem qual caminho o país tomará.

“O valuation da nossa bolsa hoje reflete uma continuidade desse cenário”, disse Frederico Sampaio, portfólio manager da Franklin Templeton Brasil, em encontro com jornalistas na manhã de quinta-feira, 25 de junho. “Você constrói cenários, mas não sabe muito bem a probabilidade de cada coisa.”

A situação é prejudicial a tal ponto que a Bolsa brasileira está mais barata que a Argentina, a segunda mais em conta entre os mercados da América Latina. Segundo Sampaio, a Bolsa dos nossos vizinhos é negociada a 9 vezes o lucro, acima das 8 vezes do Ibovespa, pelo fato de ter uma narrativa positiva, graças às reformas promovidas pelo governo de Javier Milei.

A falta de rumo do país afeta a capacidade de gerar um fluxo mais robusto e sustentado de recursos vindos de fora. Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, os investidores estrangeiros retiraram R$ 14,9 bilhões da B3 em maio de 2026.

Trata-se da maior saída mensal de recursos desde janeiro de 2022 e supera o recorde anterior de R$ 13,21 bilhões, registrado em agosto de 2023, ainda que o fluxo acumulado em 2026 permaneça positivo, encerrando o período de janeiro a maio em R$ 43,8 bilhões.

“Nesse último mês e meio saiu quase metade do que entrou, o que mostra o quanto ainda dependemos do humor externo”, afirmou Sampaio. “O investidor estrangeiro pergunta qual é o gatilho para a economia acelerar. Enquanto essa resposta não aparecer, parte do capital continuará buscando outras oportunidades pelo mundo.”

Com R$ 51 bilhões em ativos sob gestão no Brasil, a maior parte em renda fixa, a Franklin Templeton tem priorizado empresas com geração de caixa previsível e forte capacidade de distribuição de dividendos.

Setores regulados e ligados à infraestrutura aparecem entre os favoritos, como energia elétrica, saneamento e concessões rodoviárias. A ideia é privilegiar companhias capazes de entregar retorno ao acionista mesmo que a valorização das ações demore a acontecer. “Hoje existem empresas pagando retornos reais muito elevados”, afirmou Sampaio.

Uma melhora não depende de muito. Diante do baixo nível de expectativas, bastam sinais claros de compromisso com estabilidade econômica e responsabilidade fiscal. “Quando as expectativas estão tão baixas, qualquer surpresa positiva pode ter um impacto muito forte sobre os mercados”, afirmou Sampaio.

Enquanto aguardam esses sinais, os investidores estão começando a se posicionar no exterior. Segundo Marc Forster, esse é o primeiro ciclo de juros altos em que se viu um interesse muito grande dos brasileiros por investimentos internacionais.

Em ciclos anteriores de aperto monetário, disse Forster, predominava o argumento de que os juros domésticos elevados reduziam a necessidade de diversificação internacional. Os riscos locais e as oportunidades globais mudaram um pouco essa postura.

“Em todos os demais ciclos de subida de juros, o discurso do ‘para que ir para fora?’ prevaleceu. Esse ciclo foi praticamente imperceptível desse ponto de vista”, disse.

No momento, o principal interesse é em renda variável, e não apenas nos Estados Unidos. Segundo Daniel Popovich, portfólio manager da Franklin Templeton Investment Solutions, a tese de IA tem puxado o fluxo global para a Ásia também, que se tornou um polo de tecnologia e produtos essenciais para sustentar o desenvolvimento da tecnologia.

“Quando a gente foi buscar o mercado fora, era só Estados Unidos. Hoje existe uma busca por diversificação regional”, disse. “Você tem a emergência da Ásia com a potência dos semicondutores cada vez mais demandando o interesse do investidor.”

Além da renda variável, Popovich apontou um crescimento significativo da procura por hedge funds e estratégias alternativas, cujo desempenho contrasta com os resultados dos multimercados brasileiros. “Os hedge funds lá fora estão bombando de novo. Existe um interesse renovado”, afirmou.



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Redação

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