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Gestão

Advent avança na Natura e se aproxima de 8% do capital

Por Redação 02 de julho de 2026 6 min de leitura


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A Advent, gestora americana de private equity, começou a cumprir um compromisso com a Natura, adquirindo 6,6% de seu capital social, equivalente a 90.676.500 ações. Além disso, a empresa já mantém uma participação adicional de 1,4% no grupo de cosméticos por meio de operações derivativas.

O acordo, firmado em março, prevê que a Advent alcance entre 8% e 10% do capital em até seis meses, permitindo-lhe indicar dois membros para o Conselho de Administração. A operação depende da aprovação em assembleia para evitar a oferta pública de aquisição.

A Natura, em meio a uma reestruturação e mudanças na governança, busca se concentrar em seus negócios na América Latina após desinvestimentos significativos.

Recentemente, a empresa reportou um prejuízo no primeiro trimestre de 2026, mas sinais de recuperação foram observados no balanço do quarto trimestre de 2025. As ações da Natura apresentaram leve alta, refletindo uma valorização acumulada de 15,3% em 2026.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Pouco mais de três meses depois de celebrar um compromisso vinculante com os acionistas da Natura para montar uma posição no capital da companhia de cosméticos, a gestora americana de private equity Advent começa a cumprir esse acordo em direção às metas estabelecidas entre as duas partes.

A Natura anunciou na manhã desta quinta-feira, 2 de julho, que o Lotus Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, gerido pela Advent, passou a deter 90.676.500 ações da companhia, o equivalente a 6,6% do seu capital social.

Em fato relevante, a empresa informou ainda que o fundo mantém uma posição adicional de 1,4% do capital por meio de operações financeiras derivativas (TRS), o que se traduz em 19.288.800 ações.

Nos termos anunciados em março deste ano, o acordo prevê que a Advent alcance uma participação equivalente a no mínimo 8% e, no máximo, 10% do capital da Natura, em uma operação que deveria ocorrer em até seis meses, ao preço médio-alvo de R$ 9,75 por ação.

Como parte do compromisso, assim que alcançar a fatia mínima prevista, a gestora poderá indicar dois membros adicionais para compor o Conselho de Administração da companhia, além de participar de comitês estratégicos da operação.

A operação com a Advent está condicionada à aprovação em assembleia geral para dispensa da oferta pública de aquisição (OPA), requisito para que o fundo gerido pela gestora possa ampliar sua participação sem a necessidade de lançar uma oferta pública.

Essa entrada da gestora ocorre na esteira de uma reestruturação na governança da empresa, que inclui um novo acordo de acionistas e prevê a transição dos fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos do board para um novo conselho consultivo, centrado na preservação da cultura do grupo.

Em paralelo ao novo papel do trio, o Conselho de Administração passou a ser composto por novos membros e a ser presidido por Alessandro Carlucci, executivo que já foi CEO da empresa entre 2005 e 2014. E que, desde abril de 2025, ocupa uma cadeira do board.

Entre os novos nomes que passaram a ocupar assentos no colegiado estão indicações do trio fundador, como Guilherme Passos, filho de Pedro Passos; Pedro Villares, do Maraé Investimentos, family office de Guilherme Leal; e Luiz Guerra, do family office de Luiz Seabra.

Todas essas movimentações, por sua vez, foram precedidas por uma ampla estratégia de simplificação do grupo, que, entre diversas etapas, envolveu o desinvestimento em empresas compradas quando o grupo alimentava a ambição de se consolidar como um gigante global de cosméticos.

Após colocar um ponto final nesse sonho, a Natura se desfez de ativos como a The Body Shop e Aesop, além de operações da Avon na Europa, Ásia, África e América Central. E passou a se concentrar em seus negócios na América Latina e na integração da Avon na região.

Essa transição não foi, porém, tranquila. Durante mais de três anos, o grupo se acostumou a conviver com os questionamentos e a desconfiança do mercado, diante da demora em mostrar o resultado desse novo roteiro, o que se refletiu em derrocadas nas suas ações, especialmente a cada balanço trimestral.

Nos números mais recentes dessa trajetória, a Natura registrou um prejuízo líquido de R$ 444,5 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o lucro líquido de R$ 96,7 milhões apurado em igual período, um ano antes.

Três meses antes, porém, o grupo deu sinais de que o pior tinha ficado para trás. No balanço do quarto trimestre e do ano consolidado de 2025, a Natura reportou indicadores como um lucro anual de R$ 486 milhões e uma alavancagem de 1,31 vez, contra 7,83 vezes três anos antes, quando iniciou sua reestruturação.

Agora, com o novo papel do trio de fundadores, um conselho renovado e a entrada da Advent, a expectativa é de que a empresa vire definitivamente essa página. E a chegada da gestora americana é um sinal de que as condições para que isso aconteça parecem estar na mesa.

Nessa direção, chama a atenção que a Advent tradicionalmente entra em empresas de capital fechado, para depois levá-las à bolsa e realizar o lucro. Na própria prateleira de cosméticos, a gestora detém participação majoritária na Skala, que se fundiu com a Lola from Rio em junho de 2025.

A empresa também já montou posições em companhias listadas, como Fleury e Yduqs. Mas essa não é sua tese usual. E o fato é que, ao abrir espaço para a Natura em seu portfólio, a gestora provavelmente está enxergando uma potencial valorização nas ações do grupo, especialmente nesse novo momento.

Nessa quinta-feira, por volta das 11 horas as ações da Natura registravam ligeira alta de 0,12%, cotadas a R$ 8,59. Em 2026, os papéis acumulam uma valorização de 15,3%, avaliando a companhia em R$ 11,8 bilhões.



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Redação

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