“ChatGPTrump”: OpenAI negocia vender fatia de 5% ao governo dos EUA
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A OpenAI está em negociações para vender uma participação de 5% ao governo dos EUA, liderado por Donald Trump, como parte de sua estratégia de abertura de capital. Essa iniciativa visa atrair o governo como investidor, fortalecer o IPO e reduzir barreiras regulatórias em um ambiente de crescente pressão sobre empresas de IA.
A entrada do governo poderia validar a avaliação bilionária da OpenAI e facilitar aprovações regulatórias, além de pressionar outras empresas de IA a aceitarem investimentos governamentais. A presença do governo também poderia mitigar riscos de interrupções em lançamentos de modelos de IA.
A negociação reflete uma política industrial mais intervencionista dos EUA, buscando garantir controle sobre tecnologias emergentes em um contexto de competição com a China e a União Europeia. A relação entre Sam Altman e Trump se torna relevante, com ambos buscando um avanço responsável da IA
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Vem aí o “ChatGPTrump”? A OpenAI, dona da popular ferramenta de inteligência artificial, stá conduzindo negociações preliminares para ceder uma participação de 5% ao governo dos Estados Unidos como parte de um plano mais amplo de abertura de capital.
Ainda em estágio inicial, a iniciativa — divulgada na quinta-feira, 2 de julho, pelo jornal britânico Financial Times —representa uma inflexão significativa na trajetória da empresa liderada por Sam Altman, que busca equilibrar expansão comercial, governança robusta e alinhamento regulatório.
A proposta surge em meio a um ambiente de pressão cada vez mais intenso nos Estados Unidos, em que as empresas de IA enfrentam questionamentos sobre segurança, transparência, impacto social e riscos econômicos.
Ao considerar a entrada do governo liderado por Donald Trump como acionista minoritário, a OpenAI sinaliza disposição para adotar um modelo de governança híbrido, capaz de conciliar interesses públicos e privados em um setor considerado estratégico para a competitividade nacional.
Nos últimos anos, a OpenAI ampliou substancialmente sua base de investimentos. A empresa já captou mais de US$ 1 bilhão em rodadas recentes, envolvendo fundos de capital de risco, grandes corporações de tecnologia e parceiros estratégicos.
O orçamento anual estimado gira em torno de US$ 8 bilhões, segundo dados da CNBC. Em 2025, a empresa gerou US$ 13,1 bilhões em receita, mas queimou US$ 8 bilhões no mesmo período — indicador do tamanho de sua operação e da intensidade dos custos de pesquisa, chips, data centers e desenvolvimento de modelos avançados.
Projeções internas apontam que esse gasto pode ultrapassar US$ 17 bilhões já no próximo ano, acompanhando a escalada global da demanda por IA generativa. A diversificação de receitas — que inclui licenciamento de tecnologia, parcerias corporativas e serviços em nuvem — tem sido essencial para sustentar o ritmo acelerado de inovação.
Com isso, a possível parceria pode ser de interesse para os dois lados. A abertura de capital, caso concretizada, pode atrair novos investidores institucionais, ampliar liquidez e fortalecer a posição da empresa em um setor que cresce a taxas superiores a 20% ao ano.
Estimativas de mercado indicam que o IPO da OpenAI pode movimentar entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões, caso a empresa sustente o valuation de US$ 1 trilhão desejado.
Efeitos estratégicos
Segundo fontes citadas pelo Financial Times e pela Barron’s, a presença do governo Trump entre os investidores da OpenAI traria efeitos imediatos e estratégicos para a empresa.
O primeiro deles seria o endosso político e financeiro à tecnologia desenvolvida por Sam Altman. A entrada do governo funcionaria como uma validação pública da avaliação bilionária da OpenAI, hoje estimada em US$ 852 bilhões e potencialmente superior a US$ 1 trilhão no momento do IPO.
Trump tem histórico de atuar como apoiador ativo de empresas nas quais o governo detém participação, como ocorreu com a Intel, frequentemente citada pelo presidente em discursos sobre competitividade industrial. Esse tipo de apoio costuma influenciar a percepção de mercado e pode fortalecer a confiança de investidores institucionais quando as ações da OpenAI começarem a ser negociadas.
O segundo benefício seria a redução de obstáculos regulatórios em um momento em que o governo dos EUA endurece o controle sobre a liberação de modelos de IA. A Anthropic, por exemplo, teve o modelo Fable suspenso por mais de duas semanas após preocupações de segurança levantadas por órgãos federais.
A própria OpenAI também foi afetada: seus modelos mais recentes, agrupados sob o nome GPT 5.6, estão inicialmente disponíveis apenas para um grupo restrito de clientes aprovados pela administração Trump. A presença do governo como acionista minoritário poderia suavizar esse processo, acelerar aprovações e reduzir o risco de interrupções inesperadas, garantindo previsibilidade para lançamentos futuros.
O terceiro efeito seria a pressão sobre outras empresas líderes em IA para aceitarem investimentos governamentais, criando um novo padrão de governança no setor. Isso incluiria não apenas a Anthropic, desenvolvedora do Claude, mas também gigantes como Google, Meta e Microsoft.
A medida também teria impacto geopolítico: ao reforçar o vínculo entre o governo e a OpenAI, reduziria o risco de grandes empresas de nuvem optarem por hospedar IA chinesa mais barata, o que poderia enfraquecer o mercado dos modelos americanos.
A disputa com a chinesa DeepSeek, acusada por OpenAI e Anthropic de copiar modelos avançados, intensifica a preocupação com a dependência externa e com a necessidade de proteger a liderança tecnológica dos EUA.
A possível participação do governo Trump na OpenAI se soma a uma série de movimentos recentes da Casa Branca para ampliar sua presença no setor privado.
Além da Intel, o governo anunciou participações estratégicas em empresas como a Palantir, que fornece sistemas de análise de dados para órgãos federais, e a Moderna, que se tornou peça central na política de biotecnologia e segurança sanitária.
Em ambos os casos, a administração justificou os investimentos como essenciais para manter a liderança dos Estados Unidos em áreas consideradas críticas para a segurança nacional. Há ainda negociações em andamento para ampliar a presença estatal em empresas de semicondutores, defesa cibernética e infraestrutura de computação em nuvem, reforçando uma política industrial mais intervencionista.
O presidente americano tem defendido publicamente que os EUA precisam garantir controle e influência sobre tecnologias emergentes, especialmente em áreas onde a competição com China e União Europeia se intensifica. Nesse contexto, a negociação com a OpenAI reflete não apenas uma decisão corporativa, mas também um gesto geopolítico que reforça a centralidade da inteligência artificial nas políticas de Estado.
Por outro lado, a relação entre Sam Altman e Donald Trump, embora não formalizada como parceria política, tem ganhado relevância. Altman busca interlocução com diferentes atores do governo para garantir que a IA avance com responsabilidade e previsibilidade regulatória, enquanto Trump vê a tecnologia como um dos pilares da competitividade americana.
A aproximação entre ambos, portanto, ocorre em um momento em que o setor de IA se torna simultaneamente motor econômico, ferramenta estratégica e campo de disputa internacional.