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Quatro séculos de verões papais e a reinvenção de Castel Gandolfo

Por Redação 05 de julho de 2026 8 min de leitura


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Até 27 de julho, o papa Leão XIV passa as férias de verão na Vila Pontifícia de Castel Gandolfo. A viagem marca a retomada de uma tradição interrompida durante o pontificado de Francisco.

A residência, situada nos Castelli Romani, é um núcleo histórico com a igreja de São Tomás de Villanova e oferece um clima ameno. Durante sua estadia, Leão XIV desfruta de atividades como tênis e passeios pelos jardins.

O Palácio Apostólico, que abriga a Galeria dos Papas, foi adaptado para sua permanência.

O complexo inclui o Borgo Laudato Si’, um centro de formação em sustentabilidade, inaugurado em 2023, que reflete a visão do papa Francisco sobre ecologia integral.

Com raízes na Antiguidade, Castel Gandolfo tornou-se residência papal em 1626 e, ao longo dos anos, serviu como refúgio e espaço humanitário.

A abertura do Palácio ao público por Francisco e a presença de Leão XIV reforçam a importância histórica e contemporânea do local, que combina tradição e inovação ecológica.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Roma — Ao escolher passar as férias de verão na Vila Pontifícia de Castel Gandolfo, o papa Leão XIV não retomou apenas uma tradição interrompida no pontificado de Francisco.

Prevista para se estender até 27 de julho, a viagem marca o reencontro da Santa Sé com um dos lugares mais simbólicos da história papal, situado nos Castelli Romani, a cerca de 25 quilômetros de Roma — uma região de colinas e lagos vulcânicos, com clima mais ameno do que a capital italiana.

A cidade não abriga apenas um palácio, mas um pequeno núcleo histórico independente, com a igreja de São Tomás de Villanova, projetada por Gian Lorenzo Bernini (1598–1680), além de comércio, restaurantes e moradores permanentes.

E o que o Santo Padre faz ali, além de rezar e descansar de uma agenda intensa?

Em suas próprias palavras, como declarou uma vez: “Un po’ di tennis, un po’ di piscina” (“Um pouco de tênis, um pouco de piscina”), além de andar a cavalo e passear pelos jardins que são a própria expressão da criação divina.

O patrimônio é administrado pelo Vaticano, que dispõe de estrutura própria de serviços e logística. Durante a permanência de Leão XIV na propriedade, a operação inclui o fechamento de ruas, reforço no esquema de segurança e uma série de adaptações para garantir o funcionamento da vila pontifícia.

Esta será a segunda temporada de descanso do papa em Castel Gandolfo. No ano passado, em agosto, ele ficou hospedado na Villa Barberini, que integra o complexo, mas não conseguiu se afastar completamente das atividades, já que ainda se adaptava ao pontificado e mantinha compromissos relacionados ao Jubileu.

Desta vez, o pontífice ficará no Palácio Apostólico, que passou por obras de adequação para recebê-lo novamente como residência de verão. O edifício abriga salões de representação decorados com tapeçarias, pinturas religiosas e esculturas, entre outras obras de arte.

É ali que está a Galeria dos Papas. Localizada no primeiro andar do palácio, ela exibe uma coleção de retratos oficiais de todos os líderes da Igreja Católica desde 1500.

O apartamento privado de Leão XIV reúne quarto, escritório, biblioteca, salas de estar e de recepção e uma capela particular. A decoração é sóbria e o mobiliário, histórico.

O grande projeto ecológico

Inseridos em uma área verde de 55 hectares, o Palácio Apostólico e a Villa Barberini ocupam um espaço maior do que todo o território do Estado da Cidade do Vaticano. O conjunto reúne jardins históricos em estilo italiano, bosques, vinhedos, olivais, hortas, estufas e uma fazenda, além das ruínas da antiga vila do imperador romano Domiciano.

Também abriga o Borgo Laudato Si’, centro dedicado à formação em sustentabilidade e economia circular, considerado hoje a face mais contemporânea da histórica residência papal.

Inaugurado em 31 de janeiro de 2023 pelo papa Francisco (1936–2025), o Borgo recebeu o nome da encíclica Laudato Si’, publicada em 2015, e traduz o conceito de “ecologia integral”, no qual problemas ambientais são tratados em conjunto com questões sociais.

Na visão do argentino, a proteção da natureza e o combate à pobreza eram desafios inseparáveis, já que as populações mais vulneráveis costumam ser as primeiras a sentir os efeitos das mudanças climáticas, da escassez de recursos e dos desastres ambientais.

Entre as metas associadas a essa agenda, a Santa Sé busca alcançar a neutralidade climática, com iniciativas voltadas à redução e compensação de emissões de carbono.

O projeto funciona como um laboratório vivo do pensamento ambiental do Vaticano, reunindo agricultura sustentável, pesquisa sobre biodiversidade, produção orgânica, formação ambiental e programas educativos, em um espaço com hortas, vinhedos, estufas, áreas de treinamento e acolhimento.

Parte do complexo pode ser visitada por meio de percursos guiados, com ingressos a partir de cerca de € 25, dependendo da experiência escolhida.

O Borgo Laudato Si’, projeto ecológico da Santa Sé, é considerado hoje a face mais contemporânea da histórica residência de verão do papa (Foto: laudatosi.va)

Em Castel Gandolfo, Leão XIV joga tênis, nada e anda a cavalo (Foto: Vatican Media)

O Palácio Apostólico passou por adaptações para receber o papa (Foto: Vatican Media)

Castel Gandolfo fica a 25 quilômetros de Roma, em uma região de colinas e lagos vulcânicos, com clima mais ameno do que a capital italiana

O Palácio Apostólico foi inaugurado em 1626 pelo papa Urbano VIII

A cidade de Castel Gandolfo abriga um pequeno núcleo histórico independente, com comércio, restaurantes e moradores permanentes.

A vila pontifícia de Castel Gandolfo ocupa uma área com raízes na Antiguidade, construída sobre as ruínas da mansão do imperador romano Domiciano (51–96 d.C.). O nome da cidade, porém, é medieval: deriva do latim Castrum Gandulphi — ou “castelo dos Gandolfo”, em referência à família Gandolfi, que ergueu uma fortificação no local no século XIII.

Em 1596, o feudo foi incorporado aos Estados Pontifícios pelo papa Clemente VIII (1536–1605), após passar pelas mãos da família Savelli.

A transformação definitiva em residência de verão ocorreu em 1626, quando o papa Urbano VIII (1568–1644) inaugurou o Palácio Apostólico, projetado pelo arquiteto Carlo Maderno (1556–1629). Foi a partir desse momento que se consolidou a tradição contínua de uso da residência pelos pontífices, um ciclo que completa cerca de 400 anos em 2026.

Ao longo dos anos, a cidade tornou-se muito mais do que um refúgio climático: no verão, é mais fresca do que Roma, que frequentemente atinge temperaturas de até 40 graus. Durante a Segunda Guerra Mundial, por ordem do papa Pio XII (1876–1958), o edifício abrigou milhares de refugiados e funcionou como espaço de acolhimento humanitário, com registros de centenas de nascimentos nos aposentos da casa.

Mais recentemente, o complexo voltou ao centro da história contemporânea da Igreja. Em fevereiro de 2013, após anunciar sua renúncia, o papa Bento XVI (1927–2022) seguiu de helicóptero para Castel Gandolfo, onde permaneceu até a eleição de seu sucessor.

E, durante seus 12 anos de pontificado, Francisco rompeu com o uso habitual da residência de verão e abriu o Palácio Apostólico ao público, transformando parte do conjunto em museu e acelerando a abertura cultural do território.

A paisagem dos Castelli Romani também atraiu o cinema. Em 2019, o filme Dois Papas, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, utilizou referências visuais de Castel Gandolfo para retratar a relação entre Bento XVI e o então cardeal Jorge Mario Bergoglio.

A volta de um papa à residência de verão reforça o papel singular do espaço, onde convivem história, tradição institucional e a nova dimensão programática do Vaticano, marcada pelo Borgo Laudato Si’.



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Redação

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