Avin Capital vê WEG como “vendedora de picaretas” da corrida da IA
As ações da WEG acumulam queda de aproximadamente 20% desde dezembro de 2024. Mas, para Heitor De Nicola, especialista em renda variável da Avin Capital, o recuo reflete mais uma mudança de conjuntura do que um problema estrutural da fabricante de motores e equipamentos elétricos.
Em entrevista ao Janela de Mercado, ele afirmou que o desempenho foi pressionado pela base de comparação elevada, pela valorização do real — cerca de 60% da receita vem do exterior — e pelos juros altos no Brasil, que reduziram os investimentos da indústria. Agora, porém, De Nicola enxerga uma virada de ciclo sustentada pela eletrificação da economia.
Segundo ele, a WEG está posicionada em mercados que devem receber investimentos crescentes, como redes elétricas, energias renováveis, data centers e inteligência artificial. A construção dessa infraestrutura exige transformadores, sistemas de refrigeração e motores, áreas nas quais a companhia ampliou sua capacidade produtiva nos últimos anos.
“Não foi a WEG que caminhou até o mercado de inteligência artificial. Foi o mercado de inteligência artificial que caminhou para onde a WEG está posicionada”, afirma De Nicola.
A reestruturação de concorrentes também pode abrir espaço para ganhos de participação no mercado de motores industriais. Com novas fábricas previstas para entrar em operação no início de 2027, o analista vê uma combinação favorável entre demanda elevada e oferta limitada.
“É como se a WEG estivesse vendendo as picaretas para essa nova corrida do ouro”, diz.
A Avin, que é uma divisão de Investment Banking da Acqua Vero, calcula preço-alvo de R$ 65 para WEGE3, o que representa um potencial de valorização próximo de 40% sobre o patamar de R$ 45 registrado na última semana.