Palantir tem “trimestre de outro mundo” e CEO vê “valores marxistas” na empresa de Peter Thiel
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A Palantir, gigante americana de softwares de IA, teve um trimestre excepcional, com um crescimento de 93% na receita, totalizando US$ 1,94 bilhão. As ações da empresa subiram 26,7% na Nasdaq após os resultados.
A previsão é de que a receita atinja US$ 8,15 bilhões até 2026, com um segmento comercial superior a US$ 3,4 bilhões. O CEO Alex Karp atribui o sucesso à crescente demanda por soberania em IA, à medida que as empresas buscam proteger seus dados.
Karp critica laboratórios de IA, afirmando que não são confiáveis e que as organizações devem evitar se tornarem dependentes deles.
A receita da Palantir com o governo dos EUA cresceu 90%, impulsionada por investimentos em tecnologias de defesa.
A empresa é vista como uma das principais beneficiárias da adoção de IA empresarial. A Palantir tem valor de mercado de US$ 380 bilhões.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Um trimestre “de outro mundo”. Essa foi a definição de Alex Karp, cofundador e CEO da gigante americana de softwares de inteligência artificial (IA) Palantir. A empresa reportou um crescimento de 93% na receita, com US$ 1,94 bilhão, contra US$ 1 bilhão na mesma base do ano anterior.
O mercado também enxergou o crescimento expressivo da companhia e reagiu bem ao resultado. Nesta terça-feira, 4 de julho, as ações da Palantir na Nasdaq operavam em alta de 26,7%, por volta de 11h40 (horário local).
A empresa prevê fechar 2026 com um faturamento de US$ 8,15 bilhões e uma receita do segmento comercial superior a US$ 3,4 bilhões. Analistas também demonstraram otimismo com o desempenho da empresa de sistemas de IA.
“Esqueçam o consenso”, diz Karp à CNBC. “Que eu saiba, nenhuma empresa da nossa escala cresceu sequer metade disso.”
A companhia atribuiu seus resultados à crescente demanda por soberania por IA, em um momento em que as empresas tentam manter seus dados protegidos, sem se expor demais às tecnologias de ponta como as da OpenAI, Google, Meta e Anthropic.
Em uma carta aos acionistas, Karp afirmou que “a revolução pela independência e soberania da IA já está em pleno andamento”. Segundo o fundador, a companhia tem “valores marxistas”.
“Nossos clientes se recusaram a se tornar estados vassalos dos laboratórios de idiomas”, diz o CEO na carta. “Todas as organizações do mundo estão se conscientizando dos riscos de entregar as chaves de suas instituições aos criadores dos modelos de linguagem, de deixar esses modelos à solta dentro de suas casas.”
A carta é surpreendente para uma empresa que tem entre seus cofundadores Peter Thiel, um dos empreendedores mais influentes do Vale do Silício: cofundador do PayPal, primeiro grande investidor do Facebook e criador da Palantir ao lado de Alex Karp.
Figura central no ecossistema de tecnologia e capital de risco dos Estados Unidos, Thiel é conhecido por sua visão abertamente conservadora e libertária, defendendo menos intervenção do Estado, maior autonomia individual e uma postura crítica em relação ao que considera excessos culturais e políticos das grandes empresas de tecnologia.
Sua atuação política inclui apoio a candidatos republicanos, entre eles o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e financiamento de iniciativas alinhadas a agendas conservadoras.
IA empresarial
Analistas do Citi afirmaram, nesta terça-feira, 4, que o balanço da Palantir enfraquece o cenário pessimista em relação ao aumento da concorrência de IA, já que, na visão deles, a demanda por privacidade de dados por parte das companhias do setor as diferencia das demais.
As empresas hoje dependem da tecnologia da Palantir para integrar seus softwares, ao mesmo tempo em que exigem que seus dados sejam mantidos privados dos modelos de IA.
“Os resultados reforçam a posição da Palantir como uma das beneficiárias mais claras da adoção de IA empresarial, com a crescente demanda comercial demonstrando que a empresa está se beneficiando de uma demanda semelhante à das empresas de IA nativas que mais crescem no mercado”, diz o banco, no relatório.
Na carta enviada aos acionistas, Karp disse que laboratórios que atuam no segmento de IA não são confiáveis o suficiente para as empresas. “Muitos daqueles que constroem grandes modelos de linguagem, pretendem, consciente ou inconscientemente, capturar os meios de produção de seus supostos parceiros.”
A Palantir fornece software de IA e análise de modelos para governos e empresas, permitindo que as organizações controlem seus dados, bem como seus resultados de IA. Na prática, isso significa mais comando da operação.
“Você está pagando pelo direito de eles migrarem sua propriedade intelectual, seu know-how, sua expertise para o modelo deles, para que possam construir um negócio competitivo que não precise da sua empresa ou das suas pessoas. E por que eles fazem isso? Na verdade, eles fazem isso por razões que consideram morais. Eles são superiores a você. Eles merecem colonizar sua empresa”, diz o CEO.
A receita da Palantir com o governo dos Estados Unidos disparou 90% no trimestre, atingindo US$ 809 milhões. A guerra moderna e a incerteza geopolítica têm levado administrações a investir em tecnologias de defesa avançadas, como o software de campo de batalha com inteligência artificial da Palantir e os drones autônomos da Anduril.
As duas empresas estão trabalhando no desenvolvimento de um software para um escudo antimíssil Golden Dome, a partir de uma iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Os negócios da empresa nos Estados Unidos têm sido acompanhados de perto pelos governos europeus, que estão cada vez mais preocupados com a dependência de plataformas tecnológicas americanas, justamente enquanto a concorrência de startups de IA se intensifica.
No acumulado de 2026, as ações da Palantir registram queda de 10,1%. A companhia vale US$ 380 bilhões.