Com “dedo no pulso”, Itaú se diz preparado para enfrentar qualquer cenário
Ler o resumo da matéria
O Itaú Unibanco tem se destacado de seus pares diante dos desafios no cenário econômico atual, apresentando um crescimento de 9,6% na carteira de crédito no segundo trimestre, totalizando R$ 1,5 trilhão, com inadimplência controlada.
O CEO, Milton Maluhy Filho, expressou confiança na estratégia do banco, afirmando que está preparado para qualquer cenário, com um balanço robusto e capital suficiente.
O crescimento veio em todos os segmentos da carteira, com destaque para pessoas físicas (7,8%) e micro, pequenas e médias empresas (11,6%). A inadimplência consolidada se manteve em 1,9%, evidenciando a eficácia da estratégia adotada. O lucro recorrente foi de R$ 12,4 bilhões, com um ROE de 24,3%.
Analistas do BTG Pactual e Citi destacaram a solidez do banco e sua capacidade de enfrentar desafios futuros, mantendo recomendações de compra para suas ações, que apresentaram valorização de 9,6% no ano.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Enquanto crescem no mercado as preocupações sobre os impactos de questões como os juros elevados e os conflitos geopolíticos na economia, o Itaú Unibanco segue conseguindo atravessar, sem grandes sustos, esse cenário.
A oferta de crédito é um dos exemplos de como, até aqui, o banco vem cumprindo um percurso à parte de seus pares. No segundo trimestre, a carteira do Itaú teve alta anual de 9,6%, para R$ 1,5 trilhão, com crescimento em todos os segmentos de clientes e níveis de inadimplência controlados.
Poucas horas depois da divulgação do balanço com esses e outros indicadores em linha com as projeções de mercado, Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, observou, porém, que o contexto atual exige cautela. Mas reiterou sua confiança na estratégia e na tese do banco.
“O Itaú nunca esteve tão preparado, seja qual for cenário que vier pela frente”, afirmou Maluhy, em conversa com jornalistas na manhã desta quarta-feira, 5 de agosto. “Se a oportunidade de crescer aparecer, vamos crescer rápido e com qualidade”.
O executivo citou que o banco tem funding, capital e um balanço robusto e sólido para justificar essa afirmação. Fatores que também foram ressaltados por ele caso os ventos do mercado não sejam tão favoráveis.
“Se o cenário deteriorar, tendemos a performar melhor. Porque temos uma carteira de crédito com uma qualidade superior ao sistema, com balanço e capital capaz de absorver”, disse o CEO. “Então, vamos acompanhar, com dedo no pulso, qualquer que seja a oportunidade”.
Embora tenha frisado novamente a visão cautelosa, Maluhy disse que, caso mantenha o ritmo do primeiro semestre, a melhor projeção do banco aponta para um avanço da carteira acima do ponto médio do guidance dado no início do ano, de 5,5% a 9,5%, no consolidado. E de 6,5% a 10,5% no Brasil.
Nos capítulos mais recentes desse roteiro, o Itaú registrou um crescimento de 7,8% na carteira de pessoas físicas no segundo trimestre, para R$ 487,1 bilhões. Já em micro, pequenas e médias empresas, o salto foi de 11,6%, para R$ 307,4 bilhões, e, nas grandes empresas, de 10,1%, para R$ 474,9 bilhões.
“Naqueles segmentos em que o banco se propõe a crescer, a gente tem conseguido crescer dois dígitos, e até mais, em todos os produtos”, disse Maluhy. Em pessoas físicas, ele citou o exemplo do consignado privado, onde o crescimento foi de 14,3% no período.
“Estamos levando os clientes para o produto mais competitivo que tem, que é o consignado CLT. É o produto mais barato, onde ele consegue prazo mais longos”, afirmou. “É um olhar de educação financeira e de um portfólio mais seguro no tempo”.
Ao mesmo tempo, o CEO destacou que o Itaú está colhendo os frutos da estratégia implantada pelo banco nos últimos anos, centrada em frentes como o reequilíbrio do portfólio e o foco em clientes que ele classifica como “mais resilientes”. O que também se reflete nos níveis de inadimplência.
No período, a inadimplência consolidada acima de 90 dias foi de 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo. Em pessoas físicas, o índice foi de 3,7%, contra 3,6%, um ano antes. Enquanto em micro, pequenas e médias empresas ele avançou de 1,6% para 2%. E em grandes empresas se manteve em 0,1%.
“Os atrasos de mercado mostram que a inadimplência tem subido de forma acentuada, o que não tem acontecido nas nossas carteiras”, disse Maluhy. “Isso mostra que a estratégia lá de trás foi bem executada”.
Ao destacar que vê uma “super estabilidade” nos indicadores de inadimplência do banco, o CEO disse ainda que o banco não vê necessidade de grandes ajustes à frente.
Mas ressaltou. “Temos sim uma preocupação com o cenário macro, os juros e o nível de endividamento”, observou. “Enfim, não estamos imunes, mas nossa carteira está super bem colocada nos clientes e sem nenhuma perspectiva de piora com os dados que temos hoje”.
“Sólido como uma rocha”
Em outros dados do balanço, o Itaú reportou um lucro recorrente gerencial de R$ 12,4 bilhões, o equivalente a um crescimento de 7,8% sobre igual período de 2025 e de 1% em relação ao primeiro trimestre deste ano.
Já a rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) de 24,3% representou um avanço de um ponto percentual na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. No Brasil, o ROE ficou em 25,7%.
Em relatório, o BTG Pactual reforçou a linha adotada por Maluhy ao destacar que o Itaú reportou um balanço “sólido como uma rocha”, apesar do lucro líquido levemente – menos de 1% – abaixo do consenso. E pontuou ainda que o banco está “bem preparado para o que vier pela frente”.
“Como temos destacado, após vários anos de excelente execução, forte crescimento do lucro e investimentos significativos, vemos 2026 como um ano de transição, marcado por uma base de comparação mais difícil e um apetite por risco um pouco menor, levando-se em conta, principalmente, o cenário macro e as eleições”, escreveu o BTG.
Com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 52 para a ação, os analistas do BTG acrescentaram que, nesse contexto, o Itaú parece mais eficiente do que nunca e está bem posicionado para aproveitar as oportunidades de maior crescimento quando elas surgirem.
O Citi, que tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 50 para o papel, também chamou a atenção para “mais um trimestre sólido” do Itaú, com indicadores acima dos seus pares no setor. Mas ressaltou que o banco tem um desafio pela frente.
Para seus analistas, com a perspectiva de um cenário macro mais desafiador, o foco do banco deve permanecer na capacidade de sustentar o crescimento da receita, mantendo os custos sob controle rigoroso e visando, talvez, a estabilização das despesas operacionais em 2027.
“Apesar de nossas preocupações com a perspectiva de crescimento da receita, continuamos a ver o Itaú como um dos bancos mais bem preparados para enfrentar um cenário macroeconômico mais desafiador, apoiado por uma sólida base de capital e uma execução disciplinada de custos”, acrescentou o Citi, no relatório.
As ações preferenciais do Itaú registravam alta de 2,14% por volta das 12h na B3, avaliando o banco em R$ 473,9 bilhões. No ano, os papéis acumulam uma valorização de 9,6%.