Petrobras entrega lucro histórico, mas freia expectativas por dividendos extraordinários
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A Petrobras reportou um lucro líquido recorde de US$ 11 bilhões no segundo trimestre, um aumento de 2,7 vezes em relação ao ano anterior, e um lucro bruto de R$ 98,3 bilhões, alta de 73,4%. A receita cresceu 42,3%, totalizando R$ 169,5 bilhões.
Apesar dos resultados positivos, a empresa não prevê dividendos extraordinários, com o diretor financeiro afirmando que é improvável que isso ocorra este ano. A Petrobras prioriza investimentos rentáveis e a redução da dívida, que atualmente é de US$ 70,8 bilhões.
A companhia aprovou o pagamento de R$ 17,4 bilhões em dividendos, seguindo sua política de distribuição de 45% do fluxo de caixa livre.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A Petrobras registrou um resultado exemplar no segundo trimestre, com lucro líquido e bruto em patamares recordes, graças à combinação de eficiência operacional e preços do barril de petróleo em alta. Mas isso não significa que vai “pingar” mais no bolso dos investidores.
A companhia anunciou na noite de quinta-feira, 6 de agosto, que alcançou o maior lucro líquido recorrente trimestral em dólares de sua história, de US$ 11 bilhões. Trata-se de um aumento de 2,7 vezes em relação ao mesmo período do ano passado.
Em termos contábeis, e em reais, o lucro líquido totalizou R$ 52,4 bilhões, alta de 97%, o terceiro maior resultado trimestral nominal de sua história, de acordo com levantamento da consultoria Elos Ayta.
No período, a receita da Petrobras cresceu 42,3%, para R$ 169,5 bilhões, e o Ebitda ajustado subiu 79,6%, para R$ 93,8 bilhões. O lucro bruto cresceu 73,4%, para R$ 98,3 bilhões.
Os resultados superaram as expectativas do mercado, alguns com folga. A média das expectativas colhidas pela Bloomberg apontava para um lucro líquido de R$ 45,5 bilhões e receita de R$ 161,6 bilhões.
Em teleconferência com analistas na sexta, 7, Magda Chambriard, presidente da Petrobras, destacou que o resultado foi obtido “sem a venda de ativos” e reflete principalmente ganhos operacionais, e não apenas um cenário favorável para o preço do petróleo.
Embora tenha reconhecido que o Brent acima de US$ 100 por barril contribuiu para o desempenho financeiro, ela ressaltou que a Petrobras já operou em mais de dez trimestres com preços mais elevados do que os atuais sem alcançar resultados recorrentes tão expressivos.
“O nosso diferencial é a gestão operacional”, afirmou. “Nós produzimos cada vez mais petróleo, cada vez mais gás e cada vez mais derivados com segurança, qualidade, eficiência e disciplina de capital.”
Olhando para frente, a companhia não está contando com o Brent em patamares tão elevados. Por conta disso, Fernando Melgarejo, diretor financeiro da Petrobras, frustrou as expectativas de um pagamento extra no fim do ano.
“Achamos muito pouco provável que neste ano verifiquemos a possibilidade de pagamento extraordinário”, afirmou o CFO.
Segundo ele, a avaliação interna é que o Brent deverá retornar, nos próximos anos, a níveis mais próximos daqueles considerados nas projeções que embasaram o plano estratégico 2026-2030, com o preço do barril na casa dos US$ 70. Por isso, a administração prefere manter uma postura conservadora na destinação dos recursos adicionais gerados pelo atual cenário de mercado.
A questão dos dividendos extraordinários é sempre um ponto observado por analistas e investidores. Em maio, quando elevou a recomendação para as ações da Petrobras para compra, o Santander avaliava que o cenário atual abria espaço para um pagamento extra.
Na call, Melgarejo disse que os recursos excedentes devem ser direcionados primeiro para investimentos rentáveis e para a adequação da estrutura de capital. Apenas na ausência dessas necessidades, o caixa excedente seria destinado aos acionistas por meio de dividendos adicionais.
Parte do plano de adequação da estrutura de capital é acelerar o processo de desalavancagem. Segundo Melgarejo, a companhia busca antecipar a convergência da dívida bruta para cerca de US$ 65 bilhões, prevista para ocorrer em 2030, nível considerado ideal para sua estrutura de capital.
Pelo cronograma original do plano estratégico, essa meta seria alcançada apenas entre 2029 e 2030. “A ideia é antecipar um pouco esse movimento”, afirmou.
A Petrobras encerrou o segundo trimestre com dívida bruta de US$ 70,8 bilhões, após realizar pré-pagamentos e recompras de títulos ao longo do período. O valor ficou 4% acima do registrado há um ano.
Isso não quer dizer que os acionistas ficaram sem nada. A Petrobras aprovou o pagamento de R$ 17,4 bilhões em dividendos, como antecipação da remuneração de 2026, em linha com a política de distribuir o equivalente a 45% do fluxo de caixa livre da companhia enquanto a dívida bruta estiver abaixo de US$ 75 bilhões.
Operação em foco
Na teleconferência, os executivos da estatal destacaram que a companhia permanece focada em avançar nos ganhos de eficiência operacional e antecipar a entrega de projetos contratados, a parte que “conseguimos controlar”, segundo Chambriard.
A Petrobras produziu 2,7 milhões de barris de petróleo por dia no período, alta de 15% em base anual. Incluindo gás natural, o volume superou 3 milhões de barris por dia. O desempenho ficou acima da meta de 2,5 milhões de barris diários estabelecida para o trimestre, uma diferença de cerca de 200 mil barris por dia.
“Não podemos prometer que vamos superar as nossas metas, mas eu garanto que sempre trabalhamos para superá-las”, disse Chambriard.
A presidente afirmou ainda que a forte geração de caixa atual permitirá financiar os investimentos necessários para sustentar o crescimento da companhia nas próximas décadas. No segundo trimestre, o fluxo de caixa operacional atingiu US$ 12,3 bilhões, crescimento de quase 50% em relação aos três meses anteriores.
“O caixa que estamos gerando hoje será o caixa que viabilizará o crescimento da Petrobras. Estamos preparando a companhia para enfrentar com sucesso os seus próximos 72 anos”, afirmou.
Por volta das 14h46, as ações preferenciais da Petrobras caíam 2,40%, a R$ 41,12. No ano, os papéis registram alta de 33,9%, levando o valor de mercado a R$ 568 bilhões.