Por que a indústria do cinema ainda tenta copiar a receita de “Akira” quase 40 anos depois
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“Akira” (1988) é uma animação revolucionária que impactou a cultura pop japonesa no Ocidente, sendo relançada em 4K no Brasil.
Ambientada em uma Tóquio pós-apocalíptica, a história aborda temas adultos como alienação, violência e corrupção, desafiando a percepção de que animações eram apenas para crianças.
Inspirada no mangá de Katsuhiro Otomo, a obra influenciou o subgênero cyberpunk e produções como “Matrix” e “Stranger Things”.
O filme acompanha Shotaro Kaneda e seu amigo Tetsuo Shima, que adquire poderes psíquicos ao ser submetido a um experimento do governo.
Com um orçamento de US$ 5,5 milhões, “Akira” foi uma das primeiras animações a usar computação gráfica, apresentando uma paleta de 327 cores e uma fluidez de movimento inovadora.
Considerado um embaixador do animê, o filme abriu portas para outras franquias japonesas no Ocidente e é reverenciado por cenas icônicas, como o “Akira slide”, em que Kaneda desliza lateralmente com sua moto vermelha.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Akira (1988) é presença obrigatória na lista das animações mais revolucionárias e influentes da história do cinema. Não é apenas um filme que retorna às salas do Brasil no dia 27, remasterizado em 4K, mas um fenômeno cultural que abriu as portas para a cultura pop japonesa no mercado ocidental.
Foi tremendo o impacto da história de gangues de motoqueiros na Tóquio pós-terceira guerra mundial, tanto do ponto de vista narrativo quanto visual. Para começar, o mercado de animação da época não abordava temas adultos e complexos, alimentando a produção do setor basicamente com conteúdo infantil.
Inspirado no mangá homônimo lançado em 1982, Akira chegou para mostrar que animação não era apenas para crianças, explorando alienação juvenil, violência, corrupção e questões éticas, em seu imaginário futurista. E a sua ambientação em uma Tóquio distópica ainda ajudou a definir a linguagem do cyberpunk, que surgiu na década de 1980.
Esse subgênero da ficção científica aposta justamente nos submundos de sociedades tecnocêntricas. E o que se vê acaba sendo a perda de controle sobre o próprio corpo por parte da humanidade, com próteses, implantes ou chips que geralmente apresentam um ônus psicológico.
Muito antes da personagem Eleven, interpretada pela atriz Millie Bobby Brown, na série Stranger Things, exibir seus poderes psíquicos, adquiridos após experimentos em laboratórios governamentais, o mesmo aconteceu com Tetsuo Shima, um dos personagens centrais de Akira.
Além da série da Netflix, a obra japonesa influenciou outras produções de cyberpunk, como as franquias Matrix, lançada em 1999, e Ghost in the Shell — Fantasma do Futuro, inaugurada em 1995. Filmes como Looper — Assassinos do Futuro (2012) e Poder sem Limites (2012) também foram inspirados no enredo saído da imaginação de Katsuhiro Otomo, autor do mangá e também diretor da adaptação cinematográfica.
Akira é ambientado em 2019, em cenário pós-apocalíptico, em uma Tóquio reconstruída após uma explosão monumental misteriosa, batizada de Neo-Tóquio. O filme segue os passos de Shotaro Kaneda (com voz de Mitsuo Iwata no original), um adolescente líder de gangue de motoqueiros, que está em conflito constante com um grupo rival.
A rebeldia de Kaneda e seus seguidores aumenta ainda mais quando um membro júnior da gangue, o problemático Tetsuo Shima (Nozomu Sasaki), é sequestrado. O garoto vira cobaia de um laboratório secreto do governo, onde o plano é usar humanos com poderes de telecinese como armas em projeto militar.
Enquanto Kaneda luta para resgatar o companheiro, com a ajuda de Kei (dublada por Mami Koyama), uma jovem ativista, Tetsuo começa a desenvolver habilidades psíquicas. E aí mora o perigo, já que ele sofre de um complexo de inferioridade, embora seja amigo de infância de Kaneda.
Tetsuo vê nos superpoderes uma chance de provar o seu valor para Kaneda, o que vem acompanhado de um sentimento de vingança. E é assim que ele se torna uma cópia de Akira, a entidade capaz de destruir o mundo que dá nome ao filme. Diz a lenda que Akira é responsável pela destruição de Tóquio, ao ter perdido o controle sobre a sua paranormalidade.
24 vezes o orçamento
Para criar esse ambiente futurista e caótico, a produção consumiu mais de US$ 5,5 milhões, um dos orçamentos mais caros até então, para uma obra de animê. E o resultado foi uma bilheteria mundial de aproximadamente US$ 50 milhões, além da renda extra de US$ 80 milhões obtida no home video.
O orçamento de Akira foi usado principalmente para elevar a qualidade técnica, incluindo maior fluidez nos movimentos, principalmente nas cenas de ação. Foi o que trouxe muito mais realismo ao filme, que ganha neste domingo, dia 9, uma pré-estreia na Sato Cinema, na Liberdade, em São Paulo – a sala do distribuidor da obra no Brasil, a Sato Company.
Akira foi uma das primeiras animações a usar computação gráfica, sobretudo para traçar corretamente os percursos de objetos caindo, criar padrões de ondas e ajustar a iluminação e os reflexos. Houve ainda uma atenção muito maior quanto às cores, com uma paleta gigantesca. Foram 327 tonalidades, enquanto os títulos de animação usavam de 30 a 50 cores na época.
E, graças à inovação técnica e visual, apresentando também uma sincronização de lábios com o áudio, com uma precisão inédita, o filme até hoje é considerado uma espécie de embaixador do animê no Ocidente.
Como consequência, Akira pavimentou o caminho não só para o animê, mas para a cultura pop japonesa em geral, abrindo portas para franquias como Dragon Ball e Pokémon fora do Japão.
Uma das cenas mais icônicas de Akira ainda é considerada uma das mais reverenciadas na história do cinema. O ato de imitar a derrapagem da moto vermelha, que desliza lateralmente, pilotada por Kaneda, tem até nome na indústria do entretenimento: “Akira slide” (o deslizamento de Akira).