O futuro do BRB nas mãos de Fux: a última cartada do banco para destravar crédito e evitar liquidação
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O BRB enfrenta uma grave crise financeira e deposita suas esperanças no ministro Luiz Fux, do STF, para convencer o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a aprovar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões sem a exigência de um balanço financeiro, que não é publicado há um ano.
O banco alega que não pode divulgar seu balanço devido a um rombo causado pela compra de ativos problemáticos. A governadora Celina Leão teme a liquidação do BRB pelo Banco Central, especialmente após a desistência da Quadra Capital em adquirir ativos do banco.
Além disso, há preocupação com a renovação de contratos de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais com outros Estados, que podem não ser renovados devido à situação financeira do BRB.
A crise também impacta as pretensões políticas de Celina, que é pré-candidata ao governo do DF e enfrenta críticas pela situação do banco, herdada de seu antecessor, Ibaneis Rocha.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Brasília – Passando por um calvário sem fim, o BRB agora deposita todas as suas fichas no ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), na dura missão de que ele convença o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a aprovar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto a um consórcio de bancos públicos e privados sem exigir balanço financeiro, apurou o NeoFeed.
Uma fonte da cúpula do banco conta que tanto o BRB como a governadora Celina Leão (Repúblicanos) esperam que Fux possa persuadir o FGC e o consórcio de bancos privados e públicos, liderado pelo Banco do Brasil (BB).
Nesta semana, o FGC não quis assinar o empréstimo costurado pelo BRB e pelo Governo do Distrito Federal (GDF) – controlador do banco público de Brasília – até que a instituição financeira publique seu balanço auditado, referente a 2025 (o que não acontece há um ano, desde o terceiro trimestre do ano passado).
Sem balanço, não há como mensurar qual o real déficit na contabilidade do BRB (R$ 8,8 bilhões ou até mais), dado o risco de crédito que é levado em conta para a concessão de empréstimos. Nos bastidores, o mercado vem desconfiando justamente de um rombo ainda maior do que o aventado por enquanto.
O banco estatal, por outro lado, se nega a publicar o balanço sem antes cobrir o rombo causado pela compra de ativos podres do Banco Master, num suposto esquema que envolveu R$ 12 bilhões segundo a Polícia Federal. O BRB alega que não publica seu balanço porque não tem avaliação completa das carteiras de crédito que comprou do Master.
A própria governadora argumenta que o risco maior é justamente o Banco Central liquidar o BRB, como vem mostrando o NeoFeed numa série de reportagens nos últimos meses. Após a gestora Quadra Capital ter cancelado um negócio para comprar ativos do BRB, esse risco voltou a assombrar o banco, na leitura de fontes da estatal.
Outros riscos no radar, que ainda também não estão descartados, especialmente após as eleições, são: intervenção pelo Banco Central (BC) e privatização.
Fux convocou uma nova audiência de conciliação na quinta-feira, 13 de agosto, para cobrar do banco público da capital, do próprio FGC e do Ministério da Fazenda uma solução para o impasse.
Foram intimados o ministro Dario Durigan (Fazenda); o presidente do FGC, Daniel Lima; a presidente do BB, Tarciana Medeiros; além de representantes do BC, a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério Público Federal.
No fim de maio, após intensa articulação política, o mesmo Fux homologou um acordo entre o GDF, governo federal e o BRB, na tentativa de impedir que o banco estatal quebre. Bancos públicos e privados dariam uma espécie de fiança para a operação e o GDF daria como garantias cotas suas no Fundo de Participação dos Estados.
Depósitos judiciais
Além do risco de o empréstimo micar, tem gerado preocupação nos corredores do BRB a delicada situação envolvendo os R$ 30 bilhões de depósitos judiciais de outros Estados mantidos pela instituição de Brasília.
Fontes a par do assunto lembram que os contratos com os governos estaduais começam a vencer nas próximas semanas, como é o caso da Bahia. E o maior temor é de que esses Estados não renovem com o BRB.
A fuga ao mesmo tempo de todos os Estados, apesar de improvável por se tratar de vencimentos distintos, por si só já seria um fator que aumenta em muito a possibilidade de uma liquidação pelo BC, segundo relatos de pessoas que participam dessas conversas.
Por outro lado, transferir esses depósitos para outros bancos é algo que já entra na conta dos governos dos Estados, que podem avaliar como inviável renovar esses contratos diante do rating atual do BRB.
Pretensões políticas
A tentativa de obter de Fux um gesto conciliador que destrave o empréstimo dos bancos junto ao FGC, porém, não é uma esperança apenas para o BRB. Mas também para as pretensões políticas da própria governadora, Celina Leão. Ela é pré-candidata ao governo do DF.
Herdeira da crise do BRB, ainda quando era vice do então governador Ibaneis Rocha (MDB) – que administrou o DF por sete anos – , Celina foi duramente cobrada por uma solução ao banco estatal por seus adversários no primeiro debate eleitoral na TV, promovido pela Band.
A governadora tem frisado que a responsabilidade é de seu antecessor e que tem se esforçado para tentar salvar o banco. Além de culpar a oposição de atuar contra a instituição financeira.
Esse cenário de crise política levou Ibaneis até a desistir de sua candidatura ao Senado, dada como certa até a deflagração da Operação Compliance Zero, que pôs lupa na fracassada tentativa do BRB de comprar o Master de Daniel Vorcaro. O ex-governador aparecia em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás somente de Michelle Bolsonaro (PL), esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso em regime domiciliar.