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“A CLT é venerada pela esquerda”: Romeu Zema defende trabalho por hora e nova onda de flexibilização

Por Redação 13 de agosto de 2026 14 min de leitura


Romeu Zema, candidato à presidência da República (Novo), se vê como o nome talhado para um turnaround, ou freio de arrumação, no Brasil. O País, segundo ele, precisa de uma “chacoalhada” para entrar nos trilhos e fugir do “abismo fiscal” para o qual o atual governo estaria seguindo.

Assim como acontece com algumas empresas em reestruturação, esse papel não caberia a um gestor interno porque ele já teria um modelo mental que emperra o negócio. No caso, não caberia a um político tradicional, e sim a ele, um empresário – embora já tenha 8 anos de carreira como governador de Minas Gerais.

“É um outsider que vem para poder dar a mexida ali, fazer a revolução. E o Brasil, hoje, se não tiver alguém com um modelo mental com ideias diferentes, dificilmente vai mudar”, diz Zema, em entrevista ao programa Eleições 2026, do NeoFeed.

Herdeiro dos negócios da família em Araxá, Zema arriscou-se no poder público durante a onda antipolítica de 2018, marcada especialmente pelo antipetismo. Saiu de ilustre desconhecido na eleição, com ínfimos 3% de intenções de voto até as vésperas do primeiro turno, para marcar 42,73% dos votos nas urnas. No segundo turno, venceu com mais de 70% dos votos. Em 2022, seria reeleito no primeiro turno com 56,1% dos votos.

Hoje, as pesquisas eleitorais mostram o ex-governador pontuando entre 2% e 3%. Mas Zema acredita que pode surpreender outra vez o País à medida que se tornar mais conhecido para além do território mineiro.

Quando assumiu, em 2019, herdou uma dívida do governo petista de Fernando Pimentel, que pesava 190% da receita corrente, e atrasava os salários dos servidores. Para sair do sufoco, vendeu 118 estatais e participações em empresas públicas, como na Light, do Rio, e na usina de Belo Monte, no Pará.

“Quero fazer pelo Brasil o que eu fiz pelo meu Estado”, diz Zema, que defende, inclusive, a venda da participação do governo na lucrativa Petrobras.

A capacidade de pagamento do Estado melhorou, embora a conta do endividamento tenha subido, com os juros e uma moratória pelo meio. Mas Zema olha outro indicador. “Quitamos 20% da dívida, e hoje ela cabe no orçamento”, argumenta.

Leia, a seguir, alguns trechos da entrevista que você pode assistir na íntegra no vídeo acima.

Agenda econômica

“Se nós não corrigirmos a questão econômica, nós não vamos melhorar segurança pública, nem saúde, nem educação, nem infraestrutura. Hoje o Brasil está caminhando para aquilo que os economistas chamam de abismo fiscal. E para isso nós temos aí quatro pontos para atacar. Primeiro, privatizar tudo. Segundo, reforma administrativa. Terceiro, uma reforma previdenciária 2, e revisão dos programas sociais. Se nós atuarmos nessas frentes, economizamos alguns trilhões de reais nos próximos 20 anos. E vocês sabem muito bem que a precificação dos juros futuros vai lá para baixo.

“Temos quatro pontos para atacar. Primeiro, privatizar tudo. Segundo, reforma administrativa. Terceiro, uma reforma previdenciária 2, e revisão dos programas sociais”

Em Minas, eu vendi participações e privatizei 118 empresas. Ficou faltando a Cemig, que é a companhia de energia. O restante nós vendemos tudo, inclusive as participações na Light, no Rio de Janeiro, a participação [nas hidrelétricas de] Belo Monte, Santo Antônio que o Estado tinha.

Se não der para avançar com tudo, que avancemos com o que for possível. Inclusive a Petrobras. O Estado já tem coisa demais para fazer na área de segurança pública, de saúde, de educação, infraestrutura e ainda quer ficar administrando empresa? No mínimo, transformar em corporation para deixar de ter interferência política, que é o câncer.

Nós já não tivemos petrolão? Quem se envolveu com Banco Master? Só ente público. O BRB e fundos de pensões estatais. Ou teve algum banco privado, fundo de pensão privado que se envolveu com banqueiro bandido? Precisa privatizar, ter reforma administrativa, porque o Estado está cada vez mais obeso, mais inchado.

Eu tenho uma proposta que é a máquina pública – municípios e estados e União – melhorar a sua eficiência em 1% ao ano. Chega de só aumentar o tecido adiposo no Brasil.”

Privatização da Petrobras e perda de arrecadação

“Se você tem uma empresa lucrativa, vende ela e aplica em algo que rende ainda mais. Você vai ganhar mais. Eu percorro o Brasil todo, o Sudeste, então eu conheço muito bem, inclusive quase todas as estradas. O que nós perdemos devido a uma infraestrutura deficiente, é muito mais do que o lucro da Petrobras. E o mercado vai precificar a Petrobras lá em cima, é um detalhe importante.

Como governador, eu fiz a empresa de saneamento de Minas, a Copasa, e a empresa de energia Cemig, que são as duas listadas em bolsa, se valorizarem mais de 300%. Na hora que tiver um governo sério com gestão profissional, o preço dessas empresas vai lá para cima. Hoje tem muitas participações via BNDES que não fazem sentido.

“Fiz a empresa de saneamento de Minas, a Copasa, e a empresa de energia Cemig, que são as duas listadas em bolsa, se valorizarem mais de 300%. Na hora que tiver um governo sério com gestão profissional, o preço dessas empresas vai lá para cima”

Vou contar sobre a Cemig e a energia fotovoltaica. Quando eu assumi em 2018, o Estado gerava 500 megawatts de energia. Quando eu saí, em março de 2026, o Estado [tinha capacidade de geração de 14 giga. Construiu-se dentro do Estado o equivalente a uma Itaipu e ninguém viu, uma revolução silenciosa por um motivo. Antes só conseguia autorização para construir uma usina solar em Minas quem era amigo do rei.

Assim que eu assumi o governo, eu falei: ‘quero um mapa com todas as conexões possíveis e disponibilizei esse mapa para o mercado’. Só de investimento em energia solar nós levamos R$ 80 bilhões.”

Enxugar máquina pública X falta de servidores

“Eu enxuguei quase 50 mil cargos e nós avançamos na educação, na segurança, na infraestrutura, na saúde. Era um cabide de empregos em escala industrial. E nós focamos naquilo que é melhorar a vida das pessoas. Qual é hoje a maior despesa do governo federal? Juros. Uma dívida a grosso modo, de dez trilhões, uma Selic de 14%. Nós estamos falando de R$ 1,4 bilhão de serviço por ano, sem amortizar. Na hora que tiver um governo sério que falar: “Eu estou reduzindo o gasto”, e essa Selic cair para 6%, nós vamos ter de cara uma economia de R$ 800 bilhões na rubrica de juros no serviço da dívida.

Agora eu quero ir muito além. Eu vou ter estatais mais eficientes, eu vou ter muito menos ministérios. Eu vou combater a corrupção como fiz como governador e como nenhum presidente jamais fez. Aí começa a sobrar dinheiro para aquilo que é relevante, como estruturar as agências reguladoras. Estão sucateadas, estão numa dificuldade gigantesca.

Em Minas, eu criei a Artemísia, agência reguladora do transporte de Minas Gerais, que não tinha, porque fizemos o maior projeto de concessões rodoviárias da história. Só que o Brasil hoje tritura dinheiro com politicagem. É assessor demais, é dinheiro demais para fundo eleitoral, para fundo partidário, para uma série de outras questões, que é preciso ir virando essa chave.”

Reforma da Previdência 2 e Flexibilização da CLT

“Nós vamos fazer uma reforma da Previdência 2. Eu queria que tivesse lá um gatilho que estava até previsto [na primeira reforma], mas eliminaram. Não precisaria hoje de uma nova reforma e já teríamos economizado algumas centenas de bilhões de reais. Se a expectativa de vida aumenta, automaticamente aumenta o tempo de contribuição. E além da previdenciária, uma reforma administrativa para dar mais racionalidade ao setor público.

“Tivemos uma reforma trabalhista há mais ou menos dez anos. Essa reforma foi toda mutilada. Foi o próprio Judiciário, o corporativismo da Justiça trabalhista”

Tivemos uma reforma trabalhista há mais ou menos dez anos. Essa reforma foi toda mutilada. Foi o próprio Judiciário, o corporativismo da Justiça trabalhista. Uma delas a questão da sucumbência. Um empregado. Hoje, infelizmente, ele pode entrar aqui contra a sua empresa, reclamando 800 itens. Ele pode perder em 99% e ganhar em oito. E ele não tem de dar satisfação de nada. É um absurdo que só ocorre no Brasil.

Vários outros pontos foram desfeitos. A CLT, infelizmente, é venerada pela esquerda e por boa parte da população brasileira. Vamos deixá-la onde está e vamos criar aqui uma opção.

Na hora que um brasileiro casa, ele pode ter comunhão total de bens, separação total, separação parcial, ajuntar. Na hora que vai trabalhar no Brasil não existe outra opção. Eu quero criar o trabalho por hora e vai ter um aumento na formalização gigante. Se você quiser fazer um contrato de trabalho de oito horas por semana, é quase impossível. Todo mundo conhece alguém que tem um emprego formal, está apertado, arruma um segundo emprego informal.

Quero trazer essas pessoas para o mercado formal. Isso vai contar como tempo de contribuição. Isso vai melhorar a arrecadação, que foi outro ponto que nós fizemos e vai tornar o Brasil um país menos informal. Quem faz as leis hoje não entende do mundo real.

Um exemplo claríssimo que eu também falo é O Jovem Aprendiz, um belíssimo programa. Só que hoje, talvez só 10% ou 15% dos jovens tenham acesso. Se você for numa cidade de 10 mil a 40 mil habitantes, não existe Jovem Aprendiz, porque o sistema S não está lá.”

Escala 6 X 1

“O brasileiro vai ficar mais rico? Não vai não. Está dando com uma mão e tirando com duas, porque supermercado vai ter que subir o preço. As prefeituras, muitas vão quebrar, tem lá a coleta de lixo terceirizada. Quem é que vai pagar esse rombo nas prefeituras? Medida populista num ano eleitoral é típico do PT. Eu quero que as pessoas decidam. E a chave para ganhar mais, todos nós sabemos, é melhorar a produtividade da economia. E é isso que eu quero fazer com a taxa de juros lá embaixo.

O que vai acontecer? Mais investimento, modernização do parque produtivo, maior competitividade, maior produtividade. É isso que aumenta a renda de todo mundo. Não é canetada de Brasília que aumenta.

“Com essa polarização, ficamos jogando pedra no outro. Em vez de sentar e falar: Vamos abrir aqui os problemas e dar uma solução”

Com essa polarização, ficamos jogando pedra no outro. Em vez de sentar e falar: Vamos abrir aqui os problemas e dar uma solução, encaminhar para isso.”

Tarifaço e retaliação dos EUA

“Me parece que o Lula fez tudo o que era possível no sentido de criar caso com os Estados Unidos. Primeiro, criticou o padrão-dólar. Será que se mudar para padrão yuan, padrão euro, a vida nossa vai melhorar? Mudar metro por polegada? Um embate desnecessário.

Segundo, de quem que o Lula sempre se aproximou? Cuba, Venezuela, Irã, regimes que não tem nada de democrático e totalmente anti-americanos. Então parece assim que ele falou: Estados Unidos, eu estou aqui mandando pedra. E o que você vai fazer? Aí veio a retaliação. O Brasil não pode ficar quieto.

Quando teve o primeiro tarifaço no ano passado, o que o Lula fez? Absolutamente nada. Eu venho do varejo. Vinha aqui em São Paulo pelo menos uma, duas vezes por mês, para negociar com fornecedor, com banco, prestador de serviço, etc. Na hora que você tem um grande problema, principalmente com o país que é o segundo maior parceiro comercial do Brasil…

“Você precisa tratar bem os seus clientes. E o Brasil está tomando um caminho de depender desproporcionalmente da China”

No lugar do Lula, teria pego o primeiro voo, ido para os Estados Unidos resolver. Não resolveu e tratou isso como um problema menor, como se fosse uma perseguição, inclusive tentando ganhar louros políticos.

Você precisa tratar bem os seus clientes. E o Brasil está tomando um caminho de depender desproporcionalmente da China. Vocês aqui. Se um cliente respondesse por 50%, 60% da receita, eu não dormiria de noite com a minha empresa nesse grau de dependência.

Me parece que a esquerda se perdeu um pouco nisso. Eu quero a China, os Estados Unidos e outros grandes parceiros tratados com tapete vermelho, entendeu? Com toda a pompa possível. Toda. Agora o Brasil se distanciou no governo Lula do Ocidente. O que é o Brics? Me parece que é um bloco pró-China e anti-Estados Unidos. Será que nós temos de continuar lá?

Agora, parece que o comércio exterior, a diplomacia do Brasil começou a ficar muito ideologizada e eu quero ela pragmática, vender, trazer bons negócios para o Brasil.”

Retaliação a Trump

“Acho que o ciclo dele não vai se prolongar muito. Acho que alguma coisa ele pode ter fundamento. Agora, a forma de conduzir parece que gera muito ruído, muito atrito. Ele podia ter conduzido de uma maneira mais mineira, concorda? E obter até resultados melhores.

Poderia estar sendo muito mais conciliador e até com propostas mais ousadas do que a dele. Sou contrário a essa forma belicosa de estar atuando, porque você cria a resistência da outra parte.

“O Brasil não pode encarecer os produtos que recebe dos Estados Unidos, prejudicando os consumidores. Agora, naquilo que não afeta isso, eu retaliaria sim, porque tem de ter uma reciprocidade”

O Brasil não pode perder a sua soberania. O Brasil não pode encarecer os produtos que recebe dos Estados Unidos, prejudicando os consumidores. Agora, naquilo que não afeta isso, eu retaliaria sim, porque tem de ter uma reciprocidade. Você não pode ser capacho dos outros. Mas tudo muito bem calibrado, ou corremos o risco de alguns produtos serem muito mais caros aqui, prejudicando a vida dos brasileiros.”

Quatro candidatos de direita

“Sou o candidato que mais critica o Supremo e que menos tem rabo preso. Aliás, acho que não tenho rabo preso nenhum, senão não estaria criticando os intocáveis, como eu tenho dito e feito e vou continuar fazendo. Fui governador por sete anos e meio, sem escândalos, sem corrupção, sem esquema. E como presidente vou fazer o mesmo. Prioridade é combater a corrupção. Acho que eu tenho mais coragem e não tenho rabo preso.

Quem foi presidente do Brasil das últimas vezes sempre tentou proteger um filho, um parente, alguém do partido, alguém que é amigo. Eu venho do mundo real, da economia, e não do mundo da ficção, dos que sempre viveram de recursos do Estado. Sei o que é ralar desde criança, inclusive fui criticado porque falei que trabalho desde criança e isso me diferencia. Em Minas, a minha bandeira foi levar investimentos. Nós levamos R$ 530 bilhões de investimentos.

“Com todo respeito aos meus concorrentes, quase todos sempre dependeram de política de cargo. E o Brasil precisa de uma chacoalhada”

Com todo respeito aos meus concorrentes, quase todos sempre dependeram de política de cargo. E o Brasil precisa de uma chacoalhada, lutar. Nada de que muitas empresas fazem quando uma empresa precisa realmente de um turnaround. É um outsider que vem para poder dar a mexida ali, fazer a revolução.”

Outro outsider, Renan Santos

Que empresa ele criou e está funcionando? Que Estado ele governou e levou 1 milhão de empregos? Vejo ele falar que está tudo errado. Desconfio muito de quem acha que o mundo todo está errado e não tem nada certo, que é o caso dele. Metralhadora giratória. Não sei que bagagem ele tem de gestão. Acho que nenhuma, pelo que eu sei.



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Redação

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