Concorrência ou oportunidade? O que pensa a Panvel sobre a entrada das farmácias nos supermercados
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Um mês após o início da implementação das farmácias no interior das lojas de supermercados e atacarejos, a rede varejista gaúcha Panvel não entende que o novo modelo possa representar, pelo menos inicialmente, como uma grande ameaça para os principais players do setor.
A primeira unidade foi instalada em julho pelo Assaí e, segundo o CFO da Panvel, Antônio Napp, dificilmente a compra de medicamentos vai estar associada à aquisição de alimentos. Na visão do executivo, a busca por remédio está ligada diretamente à urgência e proximidade.
De qualquer forma, Napp enxerga que, caso, no futuro, a companhia enxergue como um caminho a ser percorrido, as lojas poderiam servir como oportunidade de hubs de entrega, e fortalecer o canal online.
Até 2030, a Panvel planeja expandir suas lojas físicas, com previsão de chegar a 1 mil unidades até 2030, com aumento expressivo da presença em São Paulo. O crescimento deve ajudar a impulsionar as vendas digitais.
O e-commerce da empresa já representa um terço da receita, e a expectativa é que cresça ainda mais, com previsão de ultrapassar 50% até 2030, quando a Panvel pretende faturar R$ 12 bilhões.
O valor de mercado da varejista farmacêutica é de R$ 1,6 bilhão.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Menos de um mês após o início da implementação de farmácias no interior das lojas de supermercados e atacarejos – a primeira foi a do Assaí, que hoje já tem três unidades da própria marca em São Paulo –, a rede gaúcha Panvel já tem uma análise sobre o impacto deste novo modelo no varejo farmacêutico tradicional.
Para a companhia, o diagnóstico é que a compra de medicamentos não é necessariamente associada à aquisição de alimentos. E a questão da rapidez é fundamental para o cliente, principalmente quando busca medicamentos com prescrição médica.
“Não acreditamos que a jornada do cliente no supermercado seja tão coerente com a do cliente em uma farmácia. Entre os motivos estão as questões da proximidade e da urgência. Até a pessoa chegar a um atacarejo, ela já passou por muitas farmácias no caminho”, diz Antônio Napp, CFO da Panvel, em entrevista ao NeoFeed.
Segundo o executivo, a tendência, então, é que esse novo modelo de loja não represente uma concorrência direta para os grandes players do setor farmacêutico, que tem uma capilaridade grande nos municípios, como RD Saúde, Pague Menos, Grupo DPSP e a própria Panvel.
“Só faria sentido o modelo para compra de impulso, em que o cliente tem uma dor de cabeça dentro do mercado. Ainda assim, é menos do que uma farmácia. Quando é remédio com receita, é ainda mais difícil, porque o cliente não pode esquecer de levar. É muita etapa para a compra”, diz o executivo da Panvel.
De qualquer forma, Napp afirma que a Panvel vai observar com mais atenção o avanço deste novo segmento nos próximos meses. E entender se, ainda com essas barreiras, pode ser visto como uma oportunidade de avanço da companhia.
Ainda que o Assaí tenha entrado no segmento com suas próprias farmácias, não há impedimento para que um supermercadista faça uma parceria com uma grande rede farmacêutica para abrir espaço dentro de suas lojas. Por enquanto, no entanto, nenhuma parceria neste sentido foi anunciada.
“O que eu poderia fazer, em uma hipótese de fechar algo com alguma rede supermercadista, é transformar minha farmácia em um hub de entrega, por exemplo. Seria uma oportunidade para gerar algum nível de venda”, afirma Napp.
A Panvel tem hoje cerca de 20 lojas em galerias – situadas antes da entrada do mercado, de fato – da rede gaúcha supermercadista Zaffari, nas unidades do Rio Grande do Sul. E, segundo o CFO, elas performam bem, pela boa penetração das duas marcas no estado.
Napp afirma, no entanto, que não há nenhuma conversa iniciada para uma possível migração para o interior das unidades dos mercados. Um dos problemas, segundo ele, é a necessidade de espaço significativo para a instalação da farmácia.
“Se você entrar em uma loja do Zaffari, vai perceber que ela está toda ocupada. O que eles vão tirar para colocar uma farmácia? Passa por essa decisão também. Por isso que faz mais sentido para um atacarejo, que tem mais espaço”, explica o CFO. “Vamos esperar amadurecer este assunto.”
A primeira farmácia do Assaí, por exemplo, que foi aberta em 16 de julho, na loja próxima à Marginal Tietê, tem cerca de 120 metros quadrados (m²) e 10 mil SKUs, menos do que tem as unidades da Panvel, que contam com cerca de 15 mil itens.
Crescimento de lojas físicas
Na Panvel, o que já está decidido é a expansão das lojas físicas no Brasil. Hoje com 670 unidades e previsão de chegar a 700 até o fim do ano, o planejamento envolve alcançar até 1 mil unidades até 2030. Se esse volume realmente for mantido, vai significar uma meta de abertura de 100 lojas por ano até lá.
O capex para cada nova farmácia gira em torno de R$ 1,5 milhão, o que significa que, para chegar integralmente ao plano, a Panvel irá desembolsar cerca de R$ 450 milhões. Mas, segundo o CFO, o avanço será gradual. Por ano, a empresa deve investir cerca de R$ 180 milhões, incluindo reformas de lojas maduras.
A ideia é que a expansão ainda ocorra nas regiões onde a Panvel atua, no Sul e Sudeste. Hoje a empresa tem um market share de 22% no Rio Grande do Sul, mas ainda enxerga chance de crescimento, principalmente no interior do estado.
Em São Paulo, a Panvel tem 16 lojas e deve fechar o ano com 18. E a tendência é de chegar a pelo menos 40 farmácias na cidade em três anos. Ainda pequeno perto da penetração da RD, que tem no estado 1,455 unidades, 39% do total de sua rede, que hoje é de 3.687 lojas. Mas, para o grupo gaúcho, representa mais do que o dobro do volume atual.
“Por enquanto, não há planos de entrada no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Até porque ainda há muito caminho para percorrer em São Paulo, na capital e no interior”, explica o CFO.
O curioso é que este avanço físico também tem como pano de fundo justamente a expansão do canal online da Panvel, que já representa cerca de um terço da receita da companhia. O racional é que estas novas lojas não ultrapassem um raio médio de um quilômetro de distância, principalmente nas capitais.
“A proximidade é a chave do negócio. É importante ter um bom processo dentro da loja para que o pedido possa ser entregue rápido. Como a maior parte dos produtos conversam com a urgência, é importante estar próximo do cliente”, afirma.
O plano da empresa é que, em três anos, a empresa chegue a um faturamento de R$ 12 bilhões, e que o e-commerce represente mais da metade desse total. Em 2025, a empresa alcançou receita bruta de R$ 5,9 bilhões.
Uma aposta significativa para este crescimento está na categoria que mais cresceu nos últimos meses em vendas nas farmácias, que é o das canetas emagrecedoras. Hoje, os medicamentos análogos ao GLP-1 representam 12% do faturamento da Panvel. E a tendência do mercado é que chegue a pelo menos 14% até o fim do ano.
No segundo trimestre, a quantidade vendida, somando todos os tipos de caneta (liraglutida, semaglutida e tirzepatida) cresceu 13,9%, e a receita bruta registrou alta de 2,5%.
Por outro lado, houve queda de 10,1% no preço médio, puxada pela entrada de novos medicamentos e da política de redução implementada pelas próprias fabricantes das canetas.
Com a chegada de mais cinco marcas de semaglutida, aprovadas recentemente pela Anvisa, a tendência é que este preço caia ainda mais, sem que isso resulte em redução de margem, como boa parte dos analistas vem alertando.
“Com os novos lançamentos, vai chegar o momento em que a força vai voltar para o varejista. E ele vai poder escolher e negociar melhor as margens. A concorrência entre as fabricantes vai levar a isso”, diz Napp.
Nos primeiros seis meses do ano, a Panvel registrou faturamento de R$ 3,1 bilhões, alta de 14,7% sobre a mesma base do ano anterior. O Ebitda do período foi de R$ 170 milhões (alta de 26,1%), e o lucro líquido ajustado, de R$ 77,5 milhões (crescimento de 38,9%).
No acumulado de 2026, as ações PNVL3 registram queda de 9,2% na B3. Em 12 meses, no entanto, a alta é de 8,5%. A Panvel tem valor de mercado de R$ 1,6 bilhão.