Casas Bahia negocia empréstimo de R$ 1 bilhão
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O Grupo Casas Bahia negocia um DIP financing de cerca de R$ 1 bilhão para bancar sua recuperação judicial. A estrutura dá aos credores que injetam recursos preferência no pagamento, reduzindo o risco e viabilizando dinheiro novo à companhia.
O pedido de RJ foi protocolado em 16 de agosto na 2ª Vara de Falências de São Paulo, com passivo de R$ 17,3 bilhões, reunindo nove empresas do grupo. Diferentemente da extrajudicial de 2024, a via judicial permite esse financiamento com superprioridade.
Banco do Brasil e Bradesco, maiores credores do grupo, são os principais interessados em entrar como credores DIP, ao lado de fundos — nada formalizado. O volume é próximo ao buscado no mercado internacional, entre US$ 200 e 300 milhões, antes de o processo travar em abril.
A companhia também busca liberar R$ 2 bilhões em depósitos judiciais e negociar dívidas tributárias com desconto. Os cortes já superam os 3 mil desligamentos informados na petição, mirando economia de R$ 2 bilhões por ano.
A empresa tem 60 dias para apresentar o plano aos credores; a negociação mais dura é com credores financeiros, não fornecedores.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O Grupo Casas Bahia está em negociações avançadas para captar um DIP financing (debtor-in-possession, ou financiamento de devedor em posse) de cerca de R$ 1 bilhão, apurou o NeoFeed junto a fontes próximas à operação.
A estrutura, típica de processos de recuperação judicial, garante aos credores que injetam recursos preferência no pagamento em relação aos demais credores, o que reduz o risco da operação e viabiliza dinheiro novo para uma companhia em reestruturação.
A companhia protocolou o pedido de recuperação judicial em 16 de agosto na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, reunindo nove empresas do grupo, com um passivo de R$ 17,3 bilhões sujeito ao processo.
Diferentemente da recuperação extrajudicial homologada em 2024 — que reestruturou apenas a dívida financeira quirografária —, a via judicial abre a porta para esse tipo de financiamento com garantia de superprioridade, hoje inacessível à empresa.
Segundo fontes de mercado, os principais interessados em entrar como credores DIP são Banco do Brasil e Bradesco, os dois maiores credores financeiros do grupo e que já haviam apoiado as conversões de dívida em equity realizadas em 2025. Fundos de investimento também avaliam participar da operação.
Nenhum acordo está formalizado até o momento, mas o volume em discussão é próximo ao que a companhia buscava captar no mercado internacional antes de o processo travar, entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões, movimento interrompido em abril com a piora do cenário macroeconômico e o fechamento do mercado de crédito.
Cerca de metade dos recursos do DIP seria destinada à recomposição de estoque, hoje pressionada pela exigência de pagamento à vista a fornecedores — efeito colateral do processo, já que a empresa perdeu prazo de pagamento desde o pedido de RJ.
Além do financiamento novo, a companhia calcula liberar recursos por duas outras frentes abertas pela via judicial. A primeira envolve R$ 2 bilhões em depósitos judiciais — metade de natureza trabalhista —, que poderiam ser destravados por jurisprudência aplicável a processos de recuperação judicial, com ganho estimado acima de R$ 1 bilhão.
A segunda frente seria a possibilidade de parcelar as dívidas tributárias, com eventual desconto, referentes a parte dos cerca de R$ 2 bilhões que a empresa recolhe anualmente em impostos.
Os cortes anunciados também são maiores do que os divulgados até aqui. Além do fechamento de cerca de 300 lojas na semana passada, os desligamentos já superam os 3 mil informados no pedido de recuperação judicial, segundo apuração do NeoFeed.
Os fechamentos foram concentrados em lojas deficitárias, com menor penetração de crédito e maior custo de ocupação, principalmente em shoppings. A companhia projeta economia de cerca de R$ 2 bilhões por ano com o ajuste, somando redução de custos operacionais, de tecnologia e de contratos indiretos.
A companhia tem 60 dias, a partir do deferimento do processamento, para apresentar o plano de recuperação judicial aos credores.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, as negociações mais difíceis do processo não envolvem fornecedores de mercadoria, mas sim os credores financeiros, com quem o grupo busca reduzir o custo de capital. As linhas de crédito ao consumidor operadas com Banco do Brasil e Bradesco seguem funcionando normalmente.