XP acelera no atacado, mantém o ritmo no varejo e alimenta seu “sonho americano”
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A XP Inc. apresentou resultados positivos no segundo trimestre de 2026, com lucro líquido ajustado de R$ 1,38 bilhão, um aumento de 5% em relação ao ano anterior, superando as expectativas do mercado.
O lucro antes de impostos ajustado cresceu 15%, e a receita bruta alcançou R$ 5,05 bilhões. A receita do banco de atacado subiu 32%, enquanto o varejo cresceu 8%, totalizando R$ 3,88 bilhões.
A empresa também reportou ativos totais de clientes de R$ 2,2 trilhões, com captação líquida de R$ 28 bilhões, quase três vezes mais que no ano anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido foi de 22,5%.
O CEO, Thiago Maffra, destacou a diversificação dos negócios e a estratégia de internacionalização, com planos de estabelecer um banco nos EUA. As ações da XP fecharam em queda na Nasdaq, refletindo uma desvalorização acumulada de 4% em 2026.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
A XP Inc. entregou crescimento em boa parte dos indicadores do seu resultado no segundo trimestre de 2026, divulgado no fim da tarde de segunda-feira, 17 de agosto. A começar pela última linha do balanço.
Entre abril e junho, a empresa apurou um lucro líquido ajustado de R$ 1,38 bilhão, uma expansão de 5% sobre igual período, um ano antes. O montante veio ligeiramente acima das estimativas do mercado, que apontavam para R$ 1,36 bilhão.
Nessa mesma base de comparação, o lucro antes de impostos (EBT) ajustado teve alta de 15%, para R$ 1,56 bilhão, enquanto o lucro por ação cresceu 8%. Já a receita bruta ficou em R$ 5,05 bilhões, praticamente em linha com as projeções de mercado, na faixa de R$ 5,03 bilhões.
“Estamos começando a ver a estratégia de diversificação das linhas de negócio, que começamos há 3, 4 anos, se refletindo nos nossos resultados”, disse Thiago Maffra, CEO da XP Inc., em conversa com jornalistas realizada após a divulgação do balanço.
“Então, o que estamos vendo é realmente uma evolução do business de atacado, que vem ganhando mais relevância”, afirmou o executivo, sobre o braço mais recente nessa prateleira. “E, ao mesmo tempo, há uma manutenção no varejo que temos conseguido fazer”.
Na tradução desse discurso em números, a receita do banco de atacado registrou um salto de 32% no período, para R$ 1,17 bilhão, impulsionada pelo segmento de Corporate. Ainda nesse braço, a XP ressaltou a entrada nos segmentos de adquirência e de cartão PJ no trimestre.
Já no varejo, segmento que é a origem da XP, a empresa reportou uma receita de R$ 3,88 bilhões nesse intervalo, o equivalente a um crescimento de 8% sobre o montante registrado no segundo trimestre de 2025.
Em outras linhas, a XP encerrou o trimestre com um volume de ativos totais de clientes de R$ 2,2 trilhões, uma expansão de 17% em base anual. E que, segundo a companhia, foi impulsionado por uma captação líquida total de cerca de R$ 28 bilhões.
Essa última cifra representou um salto de quase três vezes na comparação com os R$ 10 bilhões reportados um ano antes. Já a captação no varejo evoluiu de R$ 16 bilhões para R$ 20 bilhões, nesse intervalo, enquanto a base de clientes ativos teve ligeira expansão de 1%, para 4,77 milhões.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), por sua vez, foi de 22,5%, uma evolução de 80 pontos-base sobre os três primeiros meses de 2026. O índice representou, porém, uma queda de 189 pontos-base em relação ao patamar divulgado no mesmo intervalo de 2025. Nesse ponto, Maffra ressaltou:
“Estamos trabalhando com um Índice de Basileia acima de 20%, o que significa que temos um excesso de capital muito grande”, disse o CEO, destacando o fato de que a XP vem sinalizando ao mercado a projeção de enquadrar esse índice entre 16 e 19% ao longo de 2026.
“Isso faria com que o nosso ROE subisse substancialmente”, afirmou. “Hoje, excluindo esse excesso de capital, nós já trabalhamos com um patamar acima de 26, 27% de ROE, dependendo de onde se normaliza esse excesso”.
Olhando para o segundo semestre e, em particular, para o contexto macroeconômico e para as eleições de outubro, Maffra observou que a XP tem fôlego para seguir crescendo em níveis saudáveis, independentemente do cenário que se materializar.
“Nossa exposição ao crédito é muito menor e diferente em relação a outros bancos”, disse. “No nosso mundo de PJ, temos exposição a empresas de ratings muito bons no corporate, principalmente através do mercado de capitais, pelo nosso investment banking ou nosso negócio de mercado secundário”.
Em outra linha de negócios, a de investimentos, ele ressaltou que, nos últimos anos, o mix de produtos já se deslocou majoritariamente para a renda fixa e para produtos atrelados à taxa Selic, com muita liquidez.
“Então, nós acreditamos que, independentemente do cenário que vier pela frente, nos próximos trimestres, meses ou anos, deveríamos ver um ponto de inflexão das pessoas diversificando e alongando novamente a carteira”, afirmou.
Maffra reservou tempo ainda para falar sobre a evolução da estratégia de internacionalização da XP, que começou a ganhar mais fôlego há cerca de três anos. E cujos próximos passos devem ser mais ambiciosos no mercado americano.
“Temos estudado alternativas entre pedir uma licença e comprar uma instituição já constituída”, disse ele. “Estamos próximos de chegar a uma decisão e acho que é uma evolução natural termos um banco nos Estados Unidos em um futuro próximo”.
As ações da XP fecharam o pregão de hoje na Nasdaq com queda de 0,76%, cotadas a US$ 15,70. E, no after market, recuavam mais de 1,3%. Já em 2026, a desvalorização acumulada é de aproximadamente 4%, avaliando a companhia em US$ 8,11 bilhões.