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Seleção brasileira de robótica leva a ginga de Vini Jr. para os pés das máquinas em Pequim

Por Redação 22 de agosto de 2026 7 min de leitura


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Sete estudantes brasileiros passaram duas semanas em Pequim treinando robôs humanoides recém-lançados para jogar futebol, visando a Olimpíada de Robôs Humanoides.

Os robôs, que têm 1,40 metro e são feitos de metal e sensores, conseguem reconhecer a bola e caminhar, mas ainda precisam aprender a se posicionar e tomar decisões em campo.

O Brasil competirá na categoria Humanoid Adult Size Soccer, onde cinco robôs de cada lado jogam seguindo regras inspiradas na FIFA.

A equipe, formada por alunos de diferentes universidades, adaptou programas de versões anteriores para o novo modelo Booster T2.

O futebol serve como um laboratório para desenvolver habilidades que podem ser aplicadas em diversas áreas, como fábricas e hospitais.

Os integrantes acreditam que humanoides para tarefas domésticas específicas podem chegar às residências em menos de cinco anos, enquanto a convivência com robôs ainda gera um misto de fascínio e receio.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed



O jogador reconhece a bola, consegue caminhar até ela e, na maior parte do tempo, permanece em pé. Não é pouco para uma máquina lançada há apenas um mês. Para disputar uma partida de futebol, porém, ainda falta bastante: aprender a se posicionar, escolher o momento de atacar, entender quando recuar e decidir o que fazer depois de um passe.

Nas últimas duas semanas, sete estudantes brasileiros tentaram encurtar essa distância em Pequim. O desafio, resumido por eles, era transformar um jogador que acabara de chegar à base em uma espécie de Vini Jr. A diferença é que esse atleta tem 1,40 metro e é feito de metal, sensores e componentes eletrônicos.

O resultado do treinamento poderá ser visto a partir deste sábado, 22 de agosto, quando começa a segunda edição do World Humanoid Robot Games, conhecida como a Olimpíada de Robôs Humanoides.

A competição segue até quarta-feira, 26, no National Speed Skating Oval, o Ice Ribbon, arena construída para os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em 2022.

O Brasil disputa a categoria Humanoid Adult Size Soccer, uma das provas mais complexas do evento. As partidas reúnem cinco robôs de cada lado e seguem regras inspiradas nas da Fifa. Mas não espere a velocidade de uma pelada de fim de semana. Nesse jogo, manter os atletas de pé já é uma jogada e tanto.

Nas competições tradicionais, cada universidade costuma construir a própria máquina e desenvolver o software que a controla. Em Pequim, os robôs são do mesmo modelo e todos foram fornecidos pela organização.

“Recebemos um robô que chuta mais ou menos, defende mais ou menos e não se posiciona de jeito nenhum. Agora, precisamos fazê-lo jogar em equipe”, diz Flavio Tonidandel, vice-presidente da RoboCup Brasil e da RoboCup Federation, fundador da SocialDroids e técnico da seleção, ao NeoFeed.

A primeira seleção nacional

Esta será a primeira vez que o torneio terá uma seleção nacional formada por integrantes de diferentes universidades.

O time reúne Lucas Reis, do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás; Isabela Moura e Riel Joaquim, da Universidade Federal de Pernambuco; Pedro Pizarro, da USP; Caio Lucena, da Universidade do Estado da Bahia; Guilherme Escudeiro, do Centro Universitário FEI; e João Victor Aguiar, pesquisador de robótica e inteligência artificial.

Os brasileiros desembarcaram em Pequim em 8 de agosto e começaram a trabalhar com as máquinas três dias depois. Foi pouco tempo para conhecer um equipamento recém-lançado, adaptar programas desenvolvidos para versões anteriores e criar uma estratégia coletiva.

Para ganhar tempo, o grupo dividiu as tarefas. Enquanto alguns estudantes trabalhavam na movimentação, outros se dedicavam ao posicionamento e à tomada de decisão.

“É como se a gente estivesse fazendo um jogador da base virar um Vini Jr. O robô sabe andar, sabe onde está e sabe o que é uma bola. Agora, a gente tem que fazer ele jogar futebol”, afirma Pedro Pizarro ao NeoFeed.

O salto entre uma coisa e outra exige mais do que ensinar a máquina a chutar. A equipe precisa programar quem assume o ataque, como os jogadores se comunicam, onde o defensor deve ficar e qual é o melhor posicionamento do goleiro para fechar o ângulo de um chute.

O modelo utilizado na competição é o Booster T2, lançado oficialmente em julho pela chinesa Booster Robotics. Por ser novo, nenhuma das equipes chegou a Pequim com grande experiência no equipamento. Os brasileiros precisaram migrar o que já haviam desenvolvido para versões anteriores e testar as adaptações em um campo de tamanho real.

“Estamos pegando as coisas que já tínhamos desenvolvido, migrando para o robô novo e implementando novas estratégias”, dizPizarro. “Uma coisa muito útil aqui é justamente o tempo de campo, algo que normalmente as equipes não têm.”

Dos campos para o mundo

O futebol, nesse caso, é menos um fim e mais uma espécie de laboratório. Para disputar uma bola, o robô precisa enxergar, localizar-se no espaço, manter o equilíbrio, comunicar-se com outras máquinas e tomar decisões de forma autônoma. São habilidades que podem ser levadas para fábricas, hospitais, lavouras e ambientes perigosos.

Algumas aplicações já saíram dos centros de pesquisa. Empresas utilizam robôs quadrúpedes, os populares “cachorros-robôs”, para inspecionar instalações industriais sem expor trabalhadores a áreas de risco. Há também projetos voltados a inventários, entregas, agricultura e hospitais.

Dentro de casa, o caminho é mais complicado. Um humanoide doméstico precisa compreender comandos, manipular objetos diferentes, circular entre pessoas e, sobretudo, ser seguro. Também não pode exigir assistência técnica frequente, caso contrário, em vez de facilitar a rotina, traria ainda mais uma demanda para a rotina corrida do dono.

Ainda assim, os integrantes da seleção acreditam que humanoides capazes de executar tarefas domésticas específicas podem chegar às residências em menos de cinco anos. Não seriam, ao menos inicialmente, mordomos capazes de cuidar de uma casa inteira, mas sim ajudantes treinados para pegar objetos, organizar ambientes ou realizar atividades repetitivas.

Para o Brasil, participar da competição significa tentar garantir um lugar nesse futuro antes que ele se torne presente.

Quando questionado se a materialização de uma ficção científica não gerava alguma insegurança ou medo de um “extermínio da humanidade”, Tonidandel se lembrou da sensação de caminhar pelos corredores do evento enquanto robôs passavam ao seu lado, alguns correndo.

“Parecia aqueles filmes de Star Wars, com robôs fazendo um monte de coisas. Assustava mesmo quando vinha um robozão correndo na nossa direção. A sensação que eu tinha era a do Exterminador correndo atrás da Sarah Connor”, confessa.

O susto, segundo ele, diminui à medida que se convive com as máquinas e se entende que, apesar da aparência, elas ainda dependem das instruções programadas por seres humanos para executar cada ação… pelo menos ainda.



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Redação

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