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Gestão

Casas Bahia reduz dívida e melhora geração de caixa. Agora, o desafio é voltar a lucrar

Por Redação 14 de maio de 2026 6 min de leitura


Nos últimos dois anos, a Casas Bahia trabalhou para colocar a casa em ordem. Entre as medidas, ajustou a operação para se focar em ativos de linha branca, em que consegue extrair mais valor, e corrigiu sua estrutura de capital, reduzindo significativamente sua alavancagem financeira.

Mas analistas e investidores apontam que ainda falta uma coisa para a varejista: voltar a apresentar lucro. E, diante da situação da economia, o resultado positivo ainda vai demorar, ainda que, pelo lado da companhia, o que precisava ser feito aconteceu.

A Casas Bahia fechou mais um trimestre no vermelho. Nos primeiros três meses do ano, a companhia registrou prejuízo de R$ 1 bilhão, um aumento de 2,6 vezes em relação à perda registrada no mesmo período do ano passado, segundo o balanço apresentado na quarta-feira, 13 de maio.

“Olhando para a percepção de mercado, a partir do que a gente conversa por aí, o que tem é a visão de que saímos daquela fase de ‘e aí, vai conseguir sobreviver com esse tamanho de dívida?’, e entra numa fase de, ‘tudo bem, não explode mais, mas tem capacidade de gerar valor?’”, diz Renato Franklin, CEO da Casas Bahia, ao NeoFeed.

Segundo a companhia, a última linha do balanço foi prejudicada no começo do ano pela alta taxa de juros — refletida no aumento do CDI médio de 12,94% no primeiro trimestre de 2025 para 14,86% no primeiro trimestre de 2026 —, pressionando o resultado financeiro. Além disso, de acordo com o balanço, não houve constituição de imposto de renda diferido ativo em decorrência do cenário macroeconômico.

Sobre a questão das despesas financeiras, Franklin diz que a companhia deve começar a ver uma redução dos spreads pagos nas linhas financeiras que dão suporte ao capital de giro, graças ao ajuste feito na estrutura de capital.

No fim do ano passado, a companhia conseguiu cortar em 75% sua dívida líquida. No primeiro trimestre, reduziu sua dívida líquida em R$ 2,7 bilhões na comparação anual, para R$ 1,2 bilhão, encerrando o período com alavancagem de 0,5 vez, abaixo da 1,8 vez do mesmo período do ano passado.

Ao mesmo tempo, a Casas Bahia apresentou uma geração de R$ 852 milhões em fluxo de caixa livre no trimestre, uma evolução de R$ 1,2 bilhão em relação ao mesmo período do ano passado.

Com essa nova estrutura de capital, Franklin diz que a empresa começou a renegociar dívidas, reduzindo o custo para o crediário de 150% do CDI para 125%. O mesmo foi feito no risco sacado, que teve seu custo reduzido em 4,0 a 5,0 pontos porcentuais. Ainda na parte de risco sacado, a Casas Bahia emitiu uma nova nota comercial de longo prazo com objetivo de diminuir essas linhas em R$ 1,4 bilhão.

A projeção é de que a companhia economizará cerca de R$ 600 milhões ao ano, uma vez que teve também suas dívidas convertidas e renegociadas.

Os efeitos desse alívio, porém, devem demorar a serem sentidos no balanço. A estimativa é de que a substituição das dívidas mais caras por mais baratas apareça em 14 meses, pelo fato dos contratos de crediário serem de, em média, 14 meses.

“A partir de metade de março começamos novas contratações com custos mais baratos, então vamos ver uma evolução gradativa”, afirma Franklin. “São essas duas linhas que pesam bastante na nossa conta.”

Operação e crediário

Ele também destacou que a volta do lucro também vai depender da execução da parte operacional e da expansão do crediário. Mas essas duas frentes estão sofrendo com a situação da economia.

No primeiro trimestre, a Casas Bahia registrou uma receita líquida de R$ 7,4 bilhões, um aumento de 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O Ebitda ajustado cresceu 4,7%, para R$ 597 milhões.

Franklin destacou que o canal digital cresceu 14,6% no começo do ano, para R$ 5 bilhões, estoque próprio (1P) avançando 27,4%. Por outro lado, o GMV das lojas físicas recuou 1,6%.

No caso do crediário, a Casas Bahia decidiu adotar uma postura mais cautelosa em meio à piora da inadimplência em regiões como Nordeste e Centro-Oeste. A carteira encerrou o trimestre em R$ 6,3 bilhões, alta de 3% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

O índice de inadimplência acima 90 dias foi de 8,8%, estável sequencialmente e com aumento de 0,3 ponto percentual em base anual. O nível de perda sobre a carteira ativa foi de 4,7%, estável na comparação com o mesmo período de 2025.

Segundo Franklin, a empresa reduziu a produção em lojas físicas, pelo fato de elas atraírem mais um público com ratings mais baixos, mas conseguiu avançar no digital.

“Nas lojas físicas, dependemos de uma melhora do macro para poder acelerar”, diz. “Nós não vamos acelerar nosso custo. Acreditamos que tem espaço para continuar crescendo no digital, no Sudeste, onde o rating é melhor, mas em algumas regiões a inadimplência é muito alta e não vamos correr esse risco.”

A expectativa de Franklin é de que o macro comece a melhorar no ano que vem, com ele avaliando que o próximo governo precisará promover um ajuste fiscal, seja em que grau for, para estimular o crédito.

Mas ele destaca que a Casas Bahia não depende do macro para entregar resultados, graças aos ajustes feitos. “O bom é que tiramos aquela pressão de ter que crescer a qualquer custo. Conseguimos fazer isso de forma gradativa, incremental, mantendo o nosso compromisso de consistência, de melhorar todo trimestre”, afirma.

As ações da Casas Bahia fecharam o dia com queda de 0,49%, a R$ 2,04. No ano, os papéis acumulam queda de 34,2%, levando o valor de mercado a R$ 2 bilhões.



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Redação

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