Zema se “apresenta” à Faria Lima e encontra abertura às suas ideias. Agora, precisa demonstrar viabilidade
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Romeu Zema, pré-candidato à presidência, tem encontrado receptividade nas reuniões com o mercado financeiro em São Paulo, especialmente após a crise envolvendo Flávio Bolsonaro.
Zema se posiciona como uma alternativa de direita, destacando sua experiência como governador de Minas Gerais e sua postura ética. Ele propõe um “choque moral e ético” em Brasília, além de um “choque de segurança” e uma agenda econômica focada em cortes de gastos e privatizações, discursos que agradam a Faria Lima.
Apesar da boa recepção de suas propostas, investidores lembram que Zema ainda enfrenta desafios nas pesquisas, onde marca apenas 4% das intenções de voto. E para aumentar suas chances, ele precisa conquistar eleitores de Flávio, equilibrando críticas ao bolsonarismo.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro abalada pelas revelações sobre a profundidade e intimidade da relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, a Faria Lima vem analisando a possibilidade do surgimento de uma opção de centro-direita para confrontar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais.
Quem quer se aproveitar dessa situação é Romeu Zema, que tem se reunido com integrantes do mercado financeiro paulista e encontrado receptividade à sua pauta.
Mas sua viabilidade eleitoral e a forma como vai explorar a situação vivida pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro para ganhar eleitores são pontos de interrogação. Segundo gestores e empresários ouvidos pelo NeoFeed, ainda existem dúvidas se o mercado financeiro pode “colocar no preço” a possibilidade de eleição do ex-governador de Minas Gerais.
Um dia após se reunir com empresários na Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Zema participou de um evento promovido pela Genial Investimentos com clientes e parceiros na manhã de terça-feira, 26 de maio, em São Paulo.
Em um auditório completamente lotado, com parte do público de pé ao fundo da sede da plataforma de investimentos, o pré-candidato pelo Novo começou falando sobre o Caso Master, repetindo algumas das falas feitas na Amcham. Uma delas, que ganhou destaque, foi a de que a relação entre Flávio e Vorcaro, a quem se referiu como “banqueiro bandido”, arrisca entregar a eleição para Lula.
“Essa visão está ficando cada vez mais clara, devido ao aumento da rejeição do candidato do PL”, disse. “Quem estiver junto com bandido, eu não concordo, fico indignado.”
Zema utilizou o caso para se contrapor, afirmando que seu governo em Minas Gerais foi “muito ruim de gerar notícias de escândalos, de esquemas”, destacando ainda seu distanciamento de Vorcaro.
“Me parece que gambá cheira gambá. É o que falo. Ele [Vorcaro] deve ter visto que não teria nenhuma conversa promissora comigo, devido à minha postura. Em outros lugares, parece que ele foi recebido com tapete vermelho”, afirmou.
Essa postura, segundo ele, o credencia para realizar um “choque moral e ético” em Brasília, afirmando que nunca recebeu proposta indecorosa enquanto era governador. “A postura já sinaliza. Quando tem alguém que deixa clara a linha de atuação, as raposas não chegam perto do galinheiro”, disse.
Junto com esse “choque moral”, Zema disse que pretende dar outros dois “choques” caso seja eleito. Um deles é um “choque de segurança”, endurecendo a postura contra o crime, citando o caso de El Salvador como exemplo de políticas bem-sucedidas, ainda que sejam alvo de críticas por supostos abusos de direitos humanos.
Na frente econômica, ele falou aquilo que a Faria Lima busca dos candidatos: uma postura mais dura com o fiscal e uma agenda pró-privatizações. Zema disse que pretende realizar uma nova reforma da Previdência, buscando incluir gatilho de idade mínima, reajuste apenas pela inflação e início de uma discussão sobre a adoção de um regime de capitalização.
Ele defendeu cortes de gastos — “é mato com cinco metros de altura que você consegue cortar somente com a mão” — e revisão dos programas sociais, afirmando que existem “muitos marmanjos” recebendo Bolsa Família e preferindo fazer bicos a assumir empregos. “Criamos um programa que vai perpetuando a situação de precariedade”, afirmou.
As propostas de Zema tiveram boa recepção da plateia, que vê no político uma alternativa a Flávio Bolsonaro, considerando sua experiência à frente do governo de Minas Gerais e o fato de ser empresário. “Foi muito bom, o Zema é muito preparado”, disse um participante na saída do evento, que pediu para não ser identificado.
Um gestor que participou de uma reunião com Zema durante a Brazil Week, em Nova York, disse que o ex-governador pareceu “muito mais à vontade” no evento de hoje, avaliando que ele está conseguindo aproveitar melhor a situação do que o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, pré-candidato pelo PSD.
A possibilidade de novas revelações “deve alvejar a asa” de Flávio Bolsonaro, abrindo caminho para Zema, que ainda marca baixo nas pesquisas — o Datafolha divulgado no dia 22 de abril apontou o ex-governador com 4% das intenções de voto, um ponto atrás de Caiado e 28 pontos atrás do candidato do PL. “Ele teria que ter algo entre 10% e 12% para deslanchar”, disse o gestor.
Ele avalia também que, para Zema ter chances de vencer, ele precisa conquistar os eleitores de Flávio Bolsonaro. E a grande dúvida é se, caso mantenha os ataques, ele não acabará afastando o público mais ligado ao bolsonarismo. “Ele precisa se equilibrar nisso”, afirmou o gestor.
No painel, Zema foi questionado a respeito desse ponto. Para ele, divergências são normais no primeiro turno, mesmo que o tom atual seja negativo. O principal, afirmou, é que todos estejam unidos no segundo turno para derrotar Lula.
Sobre sua viabilidade na eleição, ele afirmou que tudo será definido nos últimos instantes. “O eleitor só vai decidir seu voto na véspera. Quem responde hoje à pesquisa quer se livrar do pesquisador, e o que vem à cabeça é Lula e Bolsonaro”, afirmou.
Seu trunfo, afirmou, é que a eleição deste ano será pautada pela indignação. “A eleição de 2018 foi a da antipolítica, e eu fui eleito nessa onda. Este ano vamos ter a eleição da indignação, porque o brasileiro está indignado com o Banco Master e tudo o que está envolvido”, disse.