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“Página virada”, Copa cede lugar à corrida eleitoral e convenções partidárias são gatilho

Por Redação 10 de julho de 2026 6 min de leitura


A queda da Seleção Canarinho nas oitavas de final da Copa do Mundo decepcionou e frustrou de pronto o País, mas não tem maiores consequências para os brasileiros ou para economia. A fila anda. A Copa sai de cena e cede lugar à corrida eleitoral que, em última instância, garante promessas e generosos repasses de recursos – sobretudo a municípios. Dinheiro que, combinado às transferências de renda à população, mantém a economia girando mesmo em desaceleração.

O campeonato de futebol que poderia garantir entusiasmo aos cidadãos e caixa extra ao comércio e a prestadores de serviços até 19 de julho – quando ocorrerá a disputa entre as seleções finalistas — terminou para o Brasil com duas semanas de antecedência e muita polêmica. Mas o “fim de jogo” coincide com uma mudança relevante do “calendário” nacional.

Mais importante que o efeito Copa sobre o consumo doméstico será a virada da agenda econômica para a política a ser pautada, entre 20 de julho e 5 de agosto, pela realização de convenções partidárias que definirão, sobretudo, os candidatos à Presidência com destaque para o possível lançamento, em 2 de agosto, da candidatura do presidente Lula à reeleição durante a convenção do PT em São Paulo.

No início de junho, “antevéspera” do início da Copa no dia 11 daquele mês, a expectativa com o evento era de impacto positivo de R$ 4,32 bilhões no faturamento do comércio varejista. Resultado que, segundo a Confederação Nacional do Comércio, Serviços e Turismo (CNC), levaria a aumento de 9,5% em relação às vendas observadas na Copa de 2022 – quando o varejo nacional contabilizou faturamento extra de R$ 3,76 bilhões.

Com o Brasil fora de campo, esses dados são passíveis de revisão. Entretanto, a CNC que coordena o amplo Sistema Confederativo da Representação Sindical do Comércio – formado por 34 federações patronais, sendo 27 estaduais e 7 nacionais – informa não dispor dessas estatísticas em tempo real e tampouco em curtíssimo prazo. Quando atualizados os dados serão prontamente divulgados.

Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de Análise Macroeconômica e Setorial da Tendências Consultoria, reconhece que a queda do Brasil na Copa tende a frear o consumo ‘adicional’. Mas lembra que, apesar de alguns sinais de esfriamento na margem, o mercado de trabalho segue resiliente e ampara a demanda.

Ao NeoFeed, a economista observa que o rendimento médio ainda cresce na casa de 4% em termos reais. Adicionalmente, diz, temos os programas anunciados pelo governo que sustentam o consumo incluindo a reforma do IR, Gás do Povo, Luz para Todos, Reforma Casa Brasil, Desenrola 2, incluindo adimplentes, e podem surgir mais iniciativas.

Para Ribeiro, as convenções partidárias não devem interferir no comportamento dos consumidores, mas sim, a corrida eleitoral, que deve ser polarizada e acirrada, incentivando o governo a anunciar medidas adicionais de suporte à demanda, buscando efeitos para sua popularidade e a do presidente – candidato incumbente no pleito de outubro.

Efeito multiplicador

Quanto ao efeito do pagamento de emendas parlamentares pelo governo – R$ 34 bilhões de janeiro a 4 de julho, segundo o sistema Siga Brasil, do Senado – a diretora da Tendências informa que a consultoria não tem um cálculo atual sobre o impacto das emendas para a atividade econômica. Porém, seguindo a lógica de que o gasto público tem um efeito multiplicador para o PIB, o mesmo tende a acontecer com as emendas.

“É fato que o impacto depende do tipo de gasto que será efetuado. Por estudos acadêmicos, quando o gasto se dá na forma de transferência, o impacto é menor do que se ocorrer na forma de investimentos. Um estudo do IBRE de 2016 mostra que, para transferências, o multiplicador pode chegar a 0,7 no pico e para investimento público 2,2. Ou seja R$ 1 alocado em transferências gera R$ 0,7 no PIB”, cita Ribeiro.

A economista observa também que, apesar do potencial efeito de gastos para a atividade, os relacionados às emendas ocorrem sem nenhum planejamento, de maneira pontual e, portanto, sem uma alocação orquestrada onde o País tem mais necessidade. “Ou seja, é um gasto de péssima qualidade”, avalia.

Para além dos consumidores, a atenção dos analistas se volta a indicadores focados em empresas. Entre eles, os Índices de Gerentes de Compra (PMIs na sigla em inglês) compilados pela S&P Global – resultado de cerca de 400 entrevistas no Brasil.

Em junho, esses indicadores saíram de contração à expansão, mas talvez temporariamente. O PMI de Serviços avançou de 50,4 pontos em maio para 51,3 em junho; o PMI Industrial, de 49,1 pontos para 50,8; o PMI Composto – combinação de serviços e indústria – subiu de 49,5 pontos para 50,7 pontos.

A recuperação no setor de serviços refletiu leve avanço pela retomada de novos negócios. Entretanto, os principais fatores que impulsionaram o resultado foram eventos relacionados à Copa – gastos com hospedagem e atividades de mídia, diz a S&P Global que também observou a intensificação de pressões inflacionárias e declínio na confiança das empresas.

Na indústria, a criação de empregos e a formação de estoques explicaram o melhor resultado, apesar do esfriamento da demanda já sentido pelo setor. A S&P explica que os estoques de itens pré-produção aumentaram pelo quarto mês consecutivo em junho, no ritmo mais forte em quase cinco anos. Motivo? A chegada de insumos adquiridos anteriormente e a disposição das empresas em reforçar estoques de segurança.

Também impulsionou a indústria, a extensão de prazos de entrega de insumos por fornecedores. Embora prazos mais longos sinalizem, com frequência, condições de demanda forte, nesse momento o prazo aumentou por interrupções nas cadeias de suprimento decorrentes da guerra EUA-Irã. A ver, os efeitos da retomada dos conflitos. O petróleo já mostrou a “cara”. A tendência é de alta para arrepio dos bancos centrais.



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Redação

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