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Foco em tech, bolha da IA e a visão positiva para o real, segundo o estrategista do Citi

Por Redação 29 de maio de 2026 10 min de leitura


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Ao NeoFeed, Dirk Willer, head global de estratégia macro do Citi, diz que, apesar da possibilidade de uma bolha em inteligência artificial (IA), os investidores devem aproveitar as oportunidades de lucro. Ele ressalta que as condições para o estouro de uma bolha, como um aperto monetário, ainda não estão presentes.

Willer destaca que o foco dos investidores está em tecnologia, especialmente nos Estados Unidos e na Ásia emergente, e que a guerra no Irã não deve impactar significativamente o mercado de ações.

Ele vê o Brasil com uma perspectiva positiva, especialmente em relação ao real e aos juros, mas sem recomendações específicas devido ao foco em tecnologia.

Willer também descarta uma crise de crédito nos Estados Unidos, argumentando que não houve um boom de crédito, e observa que o dólar continua sendo a moeda de reserva predominante, apesar de mudanças estruturais lentas.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A inteligência artificial (IA) pode até ser uma bolha, mas isso não significa que o investidor deva ficar de fora, diante da oportunidade de ganhar muito dinheiro. É preciso ter em mente, porém, que em algum momento ela vai estourar.

A avaliação é de Dirk Willer, head global de estratégia macro do Citi. Em conversa com o NeoFeed, ele falou sobre alguns dos principais temas que vêm guiando os mercados e os investidores, entre eles o receio de muitos em relação à possibilidade de uma bolha associada à IA.

Para Willer, é preciso olhar pelo lado positivo, considerando que as principais condições para o estouro de uma bolha — entre elas um aperto monetário — ainda não estão no horizonte.

“Quando você entra em uma bolha, como fizemos no ano passado, deve tentar descobrir quanto dinheiro pode ganhar com isso. Porque bolhas geralmente levam bastante tempo para se desenrolar”, diz head global de estratégia macro do Citi.

Essa situação faz com que os investimentos em tech guiem as decisões dos alocadores globais. Segundo Willer, nem mesmo a guerra no Irã vai mudar isso, apesar dos efeitos sobre o preço do petróleo.

“Se ficarmos mais na faixa de US$ 100 a US$ 120 por mais um mês ou algo assim, acho que isso não perturbará demais o equilíbrio das ações”, afirma ele.

Esse “ímã” gerado pelo tema de tech deve prejudicar parte do fluxo que poderia vir para a B3, com os investidores olhando muito mais para os países emergentes da Ásia, que têm muitas companhias nesse segmento. Mas isso não significa que o país saiu do radar.

“Não temos uma recomendação específica para o Brasil porque nosso foco está em tecnologia. E, claro, isso leva você para Ásia e Estados Unidos, e não para o Brasil”, diz. “Dito isso, temos uma visão positiva sobre o real. Também temos uma visão positiva sobre juros.”

Willer, que esteve no Brasil em maio para promover seu novo livro, “Trading Global Markets”, que trata de estratégias de análise de mercado e investimentos, abordando macroeconomia, fluxo de capitais, moedas, juros e ativos de risco sob a ótica de um trader institucional, também falou sobre a Europa como uma possibilidade de investimento após a guerra, sobre se os Estados Unidos vivem uma crise de crédito e sobre o futuro do dólar.

Acompanhe, a seguir, os principais pontos da conversa:

Ano ainda positivo para ações
Achávamos no começo do ano que seria um bom ano para ações, impulsionado por tecnologia. O fato de ser impulsionado por tecnologia era um pouco fora do consenso. Acho que uma visão otimista para ações era mais consenso; ser puxado por tecnologia, nem tanto, porque havia um grande movimento de rotação. Os investidores vendiam tecnologia para comprar outros países, outras moedas, outros setores. Nós mantivemos a tese de tecnologia. A guerra nos levou a reduzir risco em ações, mas voltamos a aumentar com o cessar-fogo. Uma razão para isso é que as estimativas de lucro também subiram durante a guerra para quase todos os países. Subiram mais para países com exposição a commodities, como o Brasil, ou tecnologia, como Coreia do Sul e Estados Unidos. Quando houve o cessar-fogo, voltamos a ficar comprados em ações, focados nos Estados Unidos e na Ásia emergente para capturar o tema de tecnologia acima de tudo. Estamos basicamente de volta a onde estávamos.

Guerra não preocupa
Existem níveis de preço do petróleo em que as estimativas de lucro começam a cair. Nossos economistas acham que, se o petróleo subir significativamente acima de US$ 150, os temores de recessão aumentarão. Se ficarmos mais na faixa de US$ 100 a US$ 120 por mais um mês ou algo assim, acho que isso não perturbará demais o equilíbrio das ações. Sempre achei que o objetivo do governo americano não era claro. Se a administração quiser sair do conflito, ela consegue encontrar uma justificativa para isso. E quanto mais próximos chegarem das midterms, maior será a tentação de fazer isso. Para o mercado de ações ser realmente impactado, você precisa de uma nova máxima no petróleo. Mas eu prefiro ter posições que se beneficiem do fim da guerra junto com um hedge em petróleo, em vez de apostar na continuação da guerra.

Europa como oportunidade
No dia em que um acordo de paz for anunciado, quase certamente a Europa terá desempenho superior por alguns dias, porque foi a região mais atingida por esse choque no petróleo. Se você observar para onde o petróleo vai, quem se beneficia e quem sofre mais, pode argumentar que tanto a Ásia quanto a Europa são muito afetadas por essa crise do petróleo. No entanto, a Ásia teve um desempenho muito bom por causa do boom tecnológico. Então acho que, quando houver um acordo de paz, os investidores primeiro aumentarão um pouco a exposição à Europa.

Dirk Willer, head global de estratégia macro do Citi

Tech manda em tudo
Os mercados de ações são altamente correlacionados. O único mercado acionário que tem uma chance realmente significativa de subir enquanto os Estados Unidos caem — e vice-versa — é a China. De resto, os mercados são altamente correlacionados, a menos que exista uma história local muito forte acontecendo. Por exemplo, a eleição brasileira pode ser uma história local muito importante, e o mercado brasileiro pode facilmente divergir do S&P. No entanto, acreditamos que o setor de tecnologia continuará puxando tudo, motivo pelo qual concentramos nossas posições nos Estados Unidos e na Ásia emergente.

Talvez a IA seja uma bolha. E daí?
Quando você entra em uma bolha, como fizemos no ano passado, você deve tentar descobrir quanto dinheiro pode ganhar com isso. Porque bolhas geralmente levam bastante tempo para se desenrolar. Em segundo lugar, quase todos os ganhos obtidos durante a bolha — ou pelo menos a maioria deles — acabam sendo devolvidos quando a bolha estoura. Então sim, você deve participar. Precisa jogar pelo lado positivo. Mas tenha consciência de que devolverá uma boa parte dos ganhos quando chegar a hora do ajuste. Claro que é muito difícil saber exatamente quando a bolha atinge o pico. Nosso melhor palpite é que ainda não chegamos lá porque o sentimento é muito diferente do de 2000. Outra razão para acreditar que ainda não chegamos lá é que o Fed não está subindo juros. Em 2000, o Fed injetou muita liquidez no último trimestre de 1999 porque tinha medo do bug do milênio. E isso contribuiu fortemente para a Nasdaq subir 50% no quarto trimestre. Depois, retiraram essa liquidez porque, obviamente, nada aconteceu. Isso contribuiu para o fim da bolha. Então, outra razão para ainda não se preocupar demais com a bolha é que o Fed não está elevando os juros.

Confluência favorável de fatores no Brasil
O Brasil é um dos poucos países que ainda pode cortar juros agressivamente. Dá para discutir o quão agressivamente, e isso também depende da guerra com o Irã, mas certamente quase não existem outros países com cortes relevantes de juros pela frente. O segundo fator é que o Brasil recebeu um choque positivo de termos de troca por causa da guerra, pelo lado do petróleo. E o terceiro fator é que as pessoas ficaram mais otimistas com a política também. Claro que esse é um tema difícil de discutir. Mas certamente acho que os investidores inicialmente viam a eleição como algo muito complicado, e agora existe uma visão um pouco mais positiva sobre como isso pode se desenrolar. Ainda há muita incerteza, claro, mas menos preocupação com a eleição.

Brasil perde para tech (em ações)
Não temos uma recomendação específica para o Brasil porque nosso foco está em tecnologia. E, claro, isso leva você para Ásia e Estados Unidos, e não para o Brasil. Dito isso, temos uma visão positiva sobre o real. Também temos uma visão positiva sobre juros. Então, em princípio, embora seja preciso cautela tática talvez nos três meses antes da eleição, existem poucos países com esse nível de juros reais. Então, nesses níveis de valuation, você precisa negociar juros do lado comprador. Não há como ser negativo em títulos brasileiros com essas taxas. O mesmo vale para o real.

Sem crise de crédito nos Estados Unidos
Nós não achamos [que existe crise de crédito nos Estados Unidos], porque não houve um boom de crédito. Se você olhar o crédito como porcentagem do PIB, ele basicamente ficou estável ou caiu desde a Covid. Em segundo lugar, o crédito privado tomou participação de mercado dos bancos. Se não houve boom de crédito, é difícil haver um colapso de crédito. Dito isso, o crédito privado claramente está emitindo alguns sinais preocupantes. Mas instituições como o FMI concluíram que o setor é pequeno demais para impactar o mercado. E acho que isso provavelmente está correto porque as ações dos bancos estão indo muito bem. Se houvesse um problema, a forma como ele se tornaria um problema seria através da transmissão do crédito privado para os bancos e depois para o crédito público.

Dólar ainda soberano
Questões estruturais são muito lentas para mudar. Por exemplo, o dólar, diante da avaliação de que os Estados Unidos talvez estejam perdendo parte do apelo como moeda de reserva. Isso quase certamente está correto, mas normalmente é um processo muito lento. Se voltarmos ao ano passado, ao “Liberation Day”, as pessoas pensavam que o dólar deixaria de funcionar como proteção quando as ações caíssem. E isso realmente aconteceu naquele momento, mas parou rapidamente. Contra o euro, o iene e outras moedas do G7, o dólar subiu. Você poderia dizer: “Talvez no passado ele tivesse subido ainda mais.” Justo. Foi de uma amplitude menor, mas o dólar voltou a funcionar marginalmente como proteção de risco. A forma como o mundo vê os Estados Unidos certamente mudou. Só que uma mudança estrutural é algo muito lento. E o motivo é que não existem muitas alternativas no mundo aos Estados Unidos, por isso os bancos centrais continuam mantendo reservas em dólares até certo ponto.



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Redação

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