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Com o Brasil na sua playlist, Deezer afina estratégia com inteligência artificial

Por Redação 31 de maio de 2026 7 min de leitura


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Julien Delbourg, CCO da Deezer, destaca o Brasil como segundo maior mercado global da plataforma de streaming de música, atrás apenas da matriz francesa.

Nesse compasso, o mercado brasileiro é um dos focos da recente expansão da plataforma B2B da empresa, batizada de Deezer for Business, que inclui uma ferramenta de IA para detectar músicas geradas por tecnologia, evitando fraudes que afetam a distribuição de royalties.

Atualmente, 44% das músicas enviadas para Deezer são criadas por IA, sendo que 85% delas são fraudulentas.

A também nova plataforma também oferece serviços como publicidade em áudio e soluções de streaming personalizadas para empresas.

Com mais de 40 parcerias globais, o Brasil tem liderado a expansão desses arranjos para além das operadoras de telecomunicações, o que inclui acordos fechados com empresas como o Itaú Unibanco.

Como pano de fundo para essas movimentações, em 2025, a Deezer reportou seu primeiro lucro líquido anual, de € 8,5 milhões.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Casado com uma brasileira e fã de bossa nova, o francês Julien Delbourg tem o Brasil como um dos seus destinos mais frequentes. Mas essas passagens e conexões locais vão muito além de sua vida e gostos pessoais. E do português que ele já entende bem, mas um pouco fala – ainda.

Desde março de 2025, ele é o chief commercial officer (CCO) da Deezer, plataforma francesa de streaming de música, rival de serviços como Spotify e Apple Music. A empresa desembarcou no Brasil em 2013 e, de lá para cá, o País tornou-se um dos principais nomes da sua playlist.

“O Brasil é, de longe e há muito tempo, nosso segundo mercado global, atrás apenas da França”, diz Delbourg, em entrevista ao NeoFeed. “É realmente o país número um quando falamos em investimentos além do nosso mercado doméstico.”

Com esse status, o Brasil é uma das prioridades da aposta mais recente da companhia, a Deezer for Business, plataforma que reformula — e reforça — sua pegada B2B. E cuja trilha passa por uma vertente que está no topo das paradas de qualquer companhia: a inteligência artificial (IA).

A empresa desenvolveu uma ferramenta que usa IA para detectar músicas criadas justamente a partir dessa tecnologia. E para combater as fraudes na reprodução dessas faixas, que impactam a distribuição de royalties na plataforma.

“Um dos grandes problemas para as plataformas é a facilidade com que se criam essas faixas”, diz Delbourg. “Isso ajuda a construir um modelo de negócio, pois há robôs que impulsionam a reprodução dessas músicas.”

Hoje, 44% das faixas enviadas diariamente para a Deezer são geradas por IA, o que representa mais de 2 milhões de músicas por mês. Em 2025, esse volume chegou a 13,4 milhões.

Do total identificado, 85% das músicas são fraudulentas e desmonetizadas pela companhia, o que também exclui essas faixas de suas recomendações por algoritmos, além de sinalizar aos usuários que aquele conteúdo foi criado por IA.

“Não somos contra a IA e, de modo geral, os usuários também não são”, afirma o CCO. “Não queremos julgar ou definir o que eles vão ouvir. Mas o que percebemos é que eles querem transparência.”

“Não queremos julgar ou definir o que eles [os usuários] vão ouvir. Mas o que percebemos é que eles querem transparência”, diz o CCO Julien Delbourg (Foto: Divulgação)

A ferramenta de IA da Deezer detectou que mais de 2 milhões de músicas enviadas mensalmente para a plataforma são feitas com a tecnologia (Foto: Divulgação)

Um estudo da Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores (CISAC) reforça o que está em jogo. A pesquisa projetada que, diante dessa onda, quase 25% da receita dos compositores pode estar em risco até 2028, o equivalente a € 4 bilhões.

De olhos nesses números, a Deezer entendeu que havia demanda para vender sua ferramenta a outros players da indústria da música. E, há poucos meses, já fecharam acordos com nomes como a Associação Húngara de Gestão de Direitos de Artistas Intérpretes (EJI).

“Nosso papel não é decidir que outras empresas do setor farão com essa informação”, diz o executivo. “Mas, dado que temos essa ferramenta, vamos garantir que outros players tenham acesso a ela. E eles irão definir as políticas que desejam adotar.”

Além dessa ferramenta e de uma plataforma de publicidade em áudio, que dá aos anunciantes acesso ao inventário da Deezer e de parceiros, o Deezer for Business tem linhas como o Deezer Music as Service, um white label para empresas que queiram construir seus serviços de streaming.

Nessa área, que já inclui clientes como a Sonos, empresa americana de tecnologia de áudio, e a RTL, grupo alemão de mídia, a Deezer fornece todo o aparato por trás desses serviços – da infraestrutura ao catálogo, passando por áreas como gestão de royalties e de assinaturas.

Som customizado

O pacote B2B também conta com uma plataforma de áudio para locais como lojas, restaurantes, escritórios e espaços públicos. A ideia é criar experiências sonoras customizadas, conectadas com o perfil e o público-alvo de cada um desses clientes.

O menu à disposição envolve desde playlists focadas em um perfil de estabelecimento —restaurantes italianos, por exemplo — até listas criadas especificamente para determinados horários, estratégias e fluxos de movimento de cada loja ou rede.

Inicialmente, esse serviço está disponível apenas na França, onde redes como o McDonald’s e o Dunkin’ (antigo Dunkin’ Donuts), que está relacionado a marca no país, vêm testando a plataforma em suas unidades.

Em compasso de espera para receber esse serviço, o Brasil vem ditando o ritmo na oferta que complementa essa plataforma B2B: as parcerias com empresas que distribuem o catálogo da Deezer aos seus clientes, um modelo que deu o tom da expansão da companhia desde a sua fundação, em 2007.

Antes, tal formato era mais restrito às operadoras de telecomunicações, como a Orange, na França, e, por aqui, a TIM. Agora, outros setores estão reforçando esse coro — hoje, são mais de 40 parceiros globais. E o Brasil está na vanguarda desses novos duetos, com colaborações com nomes como o Itaú Unibanco.

Sem balanço

Questionado se, ao definir sua estratégia no B2B, a Deezer tem planos de se tornar muito mais uma provedora de infraestrutura e tecnologia para a indústria da música, em detrimento de um aplicativo de benefício ao consumidor, Delbourg afirma:

“Não se trata de uma evolução que pende mais para um lado do que para o outro”, diz. Mas ele deixa claro que a empresa está reforçando a tese por meio de qual sempre buscou se diferenciar dos seus pares, centrados prioritariamente no B2C.

Em um mercado que, só no Brasil, já movimenta mais de R$ 1 bilhão, essa é também a resposta da Deezer à concorrência de big techs como Apple, Google e Amazon, com maior poder de fogo financeiro e seus serviços de streaming não têm necessariamente a mesma pressão para serem rentáveis.

Com essa aposta, em 2025, a Deezer reportou o primeiro lucro líquido anual da sua história, de € 8,5 milhões, revertendo a perda de um ano anterior, de € 26 milhões. No período, a empresa chegou a uma base de 9,1 milhões de usuários, distribuídos em mais de 180 países.

“Esse marco nos dá mais controle sobre o nosso destino”, diz Delbourg. “Temos muito mais visibilidade para dar sequência ao que vínhamos fazendo, investir em novos projetos e, especificamente, no B2B. E regiões em estratégicas para nós, como o Brasil.”



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Redação

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